MP pede proteção a criança carregada pelo pai em invasão e agressão no Beira-Rio

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O Ministério Público do Rio Grande do Sul entrou com um pedido de medida de proteção para a criança carregada pelo pai na invasão ao gramado do Beira-Rio, em um tumulto logo após o jogo entre Internacional e Caxias, no domingo. Segurando a filha de três anos no colo, o torcedor colorado agrediu o lateral-esquerdo Dudu Mandai e um cinegrafista do canal RBS TV, afiliada da Globo no Estado.

O promotor João Paulo Fontoura de Medeiros, com atribuição na Infância e Juventude em Canoas, ingressou com o pedido na segunda-feira. No documento, ele pede acolhimento institucional da criança ou a sua entrega a membro da família em condições de cuidá-la, a fim de que tenha seus direitos resguardados.

“A filha estava em seu colo, correndo extremo risco de ser agredida e lesionada. Fato mais grave apenas não veio a ocorrer por conta de alguns jogadores do time do Caxias terem-na protegido enquanto estava a implementar a ação intempestiva (e impensada) de seu próprio genitor”, argumenta o promotor.

João Paulo Fontoura de Medeiros determina ainda que seja realizada uma avaliação técnica por parte da equipe judiciária e designada audiência com os pais, avó materna, Conselho Tutelar e com o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), para que os responsáveis possam ser advertidos quanto aos deveres de proteção e de cuidado que devem ter com a filha.

Em entrevista coletiva, o delegado Vinicius Naham, titular da 2ª delegacia de Polícia de Porto Alegre deu detalhes sobre o depoimento do agressor. O pai alegou que invadiu o campo para “se proteger” e que desferiu chutes contra o jogador e o cinegrafista porque “se sentiu acuado”.

“Ele confessou, se reconheceu nos vídeos e alegou que adentrou o campo para proteger ele e sua filha, porque a torcida desceu, ele estava próximo à mureta, e começou a pressioná-lo. Teria, então, entrado no campo pra se proteger”, disse o delegado.

Por sua vez, a delegada Elisa Souza afirmou que a mãe acompanhou a cena pela televisão e ficou desesperada com as imagens. “A mãe da menina não estava presente, foi ouvida ontem também, e ela relatou que soube dos fatos no momento que eles aconteceram porque estava vendo o jogo, ligou para o pai imediatamente. Ela ficou apavorada, nas palavras dela”.

Ainda na segunda, o presidente do Internacional, Alessandro Barcellos, informou a suspensão preventiva do torcedor por tempo indeterminado. Segundo o cartola, o homem era sócio e está proibido de frequentar o Beira-Rio ou qualquer outra dependência do clube.

CONFUSÃO GENERALIZADA

Quando o homem invadiu o gramado do Beira-Rio com a filha no colo, já havia um grande desentendimento e trocas de agressões entre jogadores de Internacional e Caxias. O time colorado sofreu o empate no final da partida e perdeu a disputa de pênaltis, caindo na semifinal do Campeonato Gaúcho.

A partida foi marcada por provocações. Eron, autor do gol do empate do Caxias, celebrou a bola na rede levando as mãos aos ouvidos e depois fazendo sinal de silêncio com o dedo. O pênalti da vitória caxiense foi cobrado por Wesley Pomba, atacante que pertence ao Grêmio e está emprestado ao Caxias.

Na celebração, Wesley imitou o primeiro gesto de Eron, levando as mãos aos ouvidos, em frente ao goleiro colorado Keiller e próximo da arquibancada, o que irritou tanto os jogadores quanto a torcida. O jogador compartilhou uma foto nesta segunda-feira com o nariz quebrado.

*Estadão conteúdo

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