A investigação mirando o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), deve pautar o principal caminho da CPMI do 8 de Janeiro a partir de agora. É por meio do militar e do entorno dele que os aliados do governo querem chegar até Bolsonaro. Novos pedidos de quebra de sigilo, compartilhamento de investigação e convocação de familiares estão na mesa, assim como a apuração das visitas recebidas por Cid na prisão, cuja lista inclui 73 nomes.
A CPMI aguarda informações sobre Cid a partir da quebra de sigilo telemático, e de dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) acerca de transações internacionais. A partir da análise desses documentos é que a relatora, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), deve definir se sugere reconvocar o militar ou parte para uma nova estratégia, como uma acareação, quando dois depoentes são colocados frente a frente para confrontarem diferentes narrativas.
Parlamentares da base governista apostam nas informações do Coaf para avançar nas investigações envolvendo Cid, já que o conselho detém acesso às transações financeiras internacionais. “Essas informações são essenciais para esclarecer os fatos, especialmente no que tange à possibilidade de que recursos internacionais tenham financiado o processo que culminou nos atos golpistas”, diz o requerimento aprovado.
O irmão do ex-ajudante de ordens, Daniel Barbosa Cid, também foi alvo da CPMI, com pedidos de informação à Receita Federal e ao Banco Central. Os parlamentares querem saber sobre o registro de empresas estrangeiras no nome dele. A movimentação vem a partir da suspeita de que o irmão de Mauro Cid teria operado uma “milícia digital” contra as eleições e disseminado fake news.
O cerco à família do militar pode crescer. Há na lista de requerimentos a quebra de sigilos financeiros de outros cinco familiares de Cid: as irmãs Agnes e Karen; a esposa, Gabriela; o pai, general Mauro Cesar Lourena Cid; e a cunhada Mauricea de Melo. Todos foram propostos pela relatora.
Na justificativa, Eliziane argumenta: “É necessário saber os negócios que a família tem no exterior para, posteriormente, investigar o caminho do dinheiro que pode levar aos financiadores do golpe tramado”.
*R7/FOTO: GERALDO MAGELA/AGÊNCIA SENADO




