Com Rio Amazonas seco, grávida enfrenta caminhada de mais de 1 hora em busca de benefício no AM

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A seca histórica que atinge o Rio Amazonas, em Parintins, no interior do estado, tem isolado comunidades e forçado moradores a caminhar longas distâncias para conseguir água e alimentos ou sacar benefícios sociais, como o Bolsa Família. Esse foi o caso da dona de casa Isadora Marques. Ela mora em uma comunidade rural do Rio Tracajá e enfrentou mais de uma hora a pé para chegar à sede do município.

Na sexta-feira (20), o Rio Amazonas atingiu a maior seca já registrada na ilha de Parintins, em 49 anos de medição do Serviço Geológico do Brasil (SGB) na cidade. De acordo com a Estação de Monitoramento de Parintins, as águas chegaram em -190 cm, 4 cm abaixo do recorde anterior, de 2010, quando o rio tinha baixado para até -186. A cidade está em situação de emergência por conta da vazante.

Grávida de seis meses, Isadora saiu da comunidade, ainda de madrugada, para receber o Bolsa Família, que teve o pagamento adiantado na última semana para as cidades que estão em situação de emergência, por conta da estiagem que atinge o estado. No entanto, para chegar até Parintins precisou deixar o barco no meio do caminho e andar a pé pelo que restou do Rio Amazonas.


Tem que andar, né? Teve horas que cansou, pesou, mas tinha que vir, porque era preciso sacar o benefício. Se a gente não vier, ninguém vai até lá. E o problema maior é que as canoas não estão passando, então tem que vir de barco e em determinado momento todo desce e caminha pelo rio.

— Isadora Marques, dona de casa.

Segundo a dona de casa, a comunidade onde ela mora enfrenta problemas de desabastecimento de itens básicos, inclusive de água potável.

“A gente está passando por um momento muito difícil. Não é só eu, mas tem muitas pessoas passando por isso. E aí falta alimentação, água potável, e o que a gente pode fazer é pedir ajuda, né? Está demorando muito para chegar esses itens básicos nas nossas comunidades. Na região onde eu mor tem idosos, crianças, grávidas que estão precisando”, disse.

Mas, se em algumas comunidades, como a de Isadora, a situação é difícil, em outras os moradores estão cavando a terra para encontrar água para beber.

Onde a minha mãe mora não tem água para beber. O pessoal teve que cavar um buraco onde era o rio para tentar encontrar algo para tomar

— Isadora Marques, dona de casa.

Após receber o auxílio do Bolsa Família, Isadora foi até a Defesa Civil de Parintins para tentar encontrar uma ajuda para a comunidade onde mora, mas saiu de lá sem nada concreto. Isso, no entanto, não desanimou nem mesmo quem tem um longo caminho de volta para casa.

“A gente tem que tentar, né? Sinto falta de alguém que nos ajude, que fale por nós e que veja a situação que nós estamos passando. Estamos pedindo socorro”, finalizou.

*G1/AM / FOTO: : Jean Beltrão/Rede Amazônica

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