Quem são os candidatos a receber a semaglutida (do Wegovy) no tratamento para obesidade pelo SUS

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Atualmente, a incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS) de dois medicamentos para o tratamento da obesidade está em avaliação pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). São eles a liraglutida (Saxenda ou Victosa) e a semaglutida (Wegovy).

Atualmente, 25% dos brasileiros têm obesidade, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2020. A previsão é que em 2044, essa taxa aumente para 48%. Existem cinco medicamentos aprovados no Brasil para o tratamento da obesidade – sibutramina, orlistat, bupropiona/naltrexona, liraglutida e semaglutida. No entanto, nenhum está disponível no SUS. É oferecido apenas os guias de orientação e a cirurgia bariátrica.

— Os pacientes com obesidade que são atendidos no SUS estão desassistidos. Precisa haver igualdade de direitos — diz a endocrinologista Claudia Cozer, coordenadora do Núcleo de Obesidade e Transtornos Alimentares do Sírio-Libanês.

A sibutramina e a liraglutida já foram avaliadas anteriormente, mas não foram aprovadas.

— Na consulta pública [sobre a incorporação] da sibutramina, que é o medicamento mais barato disponível hoje para o tratamento da obesidade e é eficaz, 80% dos participantes foram favoráveis à incorporação e mesmo assim não houve aprovação — lamenta a endocrinologista Maria Edna de Melo, coordenadora da Comissão de Advocacy da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso).

A incorporação da liraglutida está sendo avaliada para o tratamento de pacientes com obesidade, diabetes tipo 2 e doença cardiovascular estabelecida (como infarto ou AVC prévios). Já a semaglutida está sendo avaliada para obesidade grau II/III (IMC = 35 kg/m²) em pacientes a partir de 45 anos de idade, sem diabetes, com doença cardiovascular estabelecida (infarto, AVC prévio, doença arterial periférica sintomática).

A avaliação de ambas as incorporações entrou em Chamada Pública na última segunda-feira (Chamada Pública nº 18/2025 para a liraglutida e Chamada Pública nº 17/2025 para a semaglutida). Nessa etapa do processo, pacientes com a condição de saúde e que utilizam ou já tenham utilizado o medicamento podem se manifestar sobre sua experiência. As Chamadas Públicas estão abertas para receber contribuições até o dia 19 de março.

Essa é uma etapa anterior à Consulta Pública, quando qualquer pessoa pode dar sua opinião a respeito do uso de medicamentos e outras tecnologias de saúde na rede pública.

A expectativa é que a incorporação de pelo menos um destes medicamentos seja aprovada. Mas, segundo Melo, como a indicação é para perfis de pacientes diferentes, existe a possibilidade de ambos serem incorporados, o que seria muito bem visto por médicos e entidades médicas já que significaria poder tratar um maior número de pessoas.

Fonte: O Globo/Foto: Pixabay

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