Como fica o uso do cartão de crédito com a derrubada do decreto que aumentava o IOF?

Publicado em

Após o Congresso Nacional derrubar nesta quarta-feira (25) decreto que aumentava o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), as regras voltam como eram antes. As medidas eram para garantir o cumprimento da meta fiscal pelo governo federal.

Uma delas encarecia as viagens para o exterior, pois operações de câmbio, como compra de moeda em espécie e carregamento de cartão internacional pré-pago para gastos pessoais, passaram a ter uma alíquota de 3,5%.

Com a queda dos dois decretos do governo federal, o imposto voltou como era antes. A compra de dólar em espécie e contas de cartão internacional pré-pago passam agora a ter o IOF de 1,1%.

Já as compras feitas com cartão de crédito no exterior voltam a ter alíquota de 3,38% em vez de 3,5%.

“Algumas regras voltaram ao cenário anterior. Para quem viaja ou faz compras internacionais com cartão de crédito, a alíquota do IOF continua em 3,38%, um percentual que vinha sendo reduzido gradualmente até 2028, mas que agora permanece nesse patamar por tempo indefinido”, afirma Wagner Moraes, CEO da A&S Partners.

Já no caso de transferências para contas no exterior de mesma titularidade, como aquelas feitas por aplicativos de câmbio digital, o IOF volta a ser de 1,1%.

“As remessas com fins de investimento mantêm a alíquota reduzida de 0,38%, o que é um ponto positivo para quem aplica em ativos internacionais, como ações ou fundos”, acrescenta Moraes.

Para ele, o principal efeito da decisão é duplo: de um lado, o governo perde um instrumento de arrecadação e mostra fragilidade política no Congresso; de outro, há um certo alívio para consumidores e viajantes, que vinham se preparando para um cenário de aumento nas taxas.

“Ainda assim, é fundamental lembrar que, além do IOF, outros custos, como o spread cambial, seguem impactando o valor final das operações. Por isso, vale a pena comparar as condições oferecidas por bancos e plataformas antes de tomar decisões de gastos ou investimentos no exterior”, orienta o especialista em finanças.

Como fica a cobrança de IOF

  • Compra de dinheiro estrangeiro em espécie – 1,1%
  • Cartões internacionais (crédito, débito, pré-pagos) – 3,38%
  • Cartões de contas internacionais – 1,1%
  • Cheques de viagens para gastos pessoais – 3,38%
  • Transferências para aplicações de fundos nacionais no exterior – 0%
  • Remessa para conta no exterior (investimentos) – 0,38%

Como era com o decreto

  • Compra de dinheiro estrangeiro em espécie – 3,5%
  • Cartões internacionais (crédito, débito, pré-pagos) – 3,5%
  • Cartões de contas internacionais – 3,5%
  • Cheques de viagens para gastos pessoais – 3,5%
  • Transferências para aplicações de fundos nacionais no exterior – 0%
  • Remessa para conta no exterior (investimentos) – 1,1%

Incerteza jurídica

Para o advogado tributarista Iuri Alexandre Guralh da Silveira, da Andersen Ballão Advocacia, a derrubada do decreto trouxe uma incerteza jurídica.

“Um decreto legislativo que suspende outra norma deve, no melhor dos mundos, dizer o que acontece com as relações jurídicas constituídas na vigência daquela norma que ele suspende. Isso não aconteceu. O texto do decreto que foi promulgado pelo Congresso Nacional simplesmente afirma que o decreto da alta do IOF está suspenso”, afirma o advogado.

Segundo ele, a situação das contas públicas do governo federal, já que a intenção do decreto era aumentar a arrecadação, é improvável, porque não há medidas compensatórias ou de ressarcimento por parte do executivo federal.

“Esse decreto tem uma potencial de inconstitucionalidade. Isso porque a Constituição só autoriza que o Congresso Nacional suspenda uma norma do poder executivo quando ela extrapola seu limite regulamentar. E, em tese, o poder executivo poderia alterar as alíquotas do IOF por meio do decreto”, avalia.

As medidas que alteravam o IOF foram apresentadas pelo governo federal como uma forma de equilíbrio fiscal. A expectativa inicial do Executivo era obter cerca de R$ 20,5 bilhões em 2025 e R$ 41 bilhões em 2026 com as mudanças.

 

 

 

*R7/Foto: THIAGO TEIXEIRA/ESTADÃO CONTEÚDO – 12.07.2012

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Assine Grátis!

Popular

Relacionandos
Artigos

Brasil tem mais de 21 mil aposentados pelo INSS com mais de 100 anos

O Brasil já soma mais de 20 mil aposentados...

Ruas de Parintins unem cores de Caprichoso, Garantido e Seleção Brasileira em decoração especial

As tradicionais ruas enfeitadas de Parintins ganharam um colorido diferente neste...

Mega-Sena: aposta simples feita em Manaus ganha sozinha prêmio de R$ 2,8 milhões

Uma aposta simples feita em Manaus acertou sozinha as seis dezenas...