Facções dominam interior do AM e influenciam violência em Manaus

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O relatório Cartografias da Violência na Amazônia 2025 – Especial COP30, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública nesta quarta-feira (19), mostra que o Amazonas enfrenta expansão das facções criminosas no interior e mantém altos níveis de violência letal em Manaus.

Segundo o estudo, em 25 dos 62 municípios do estado (40%) há grupos de facções, com domínio do Comando Vermelho em 23 deles, principalmente em cidades estratégicas para o tráfico de drogas ao longo das rotas fluviais dos rios Solimões, Negro, Javari, Içá e Japurá. Iranduba, Tabatinga e Coari estão entre os municípios mais violentos.

Em Manaus, a taxa de mortes violentas foi de 32,3 por 100 mil habitantes em 2024, acima da média nacional (20,8). A capital é rota do fluxo de drogas que vem do Peru e da Colômbia que são levadas para outras regiões. A cocaína e maconha tipo skunk são as drogas mais apreendidas no estado. As mesmas rotas sejam usadas para crimes como o garimpo ilegal, em fenômeno conhecido como o “narcogarimpo”.

No Estado o número de mortes violentas intencionais caiu em 17,4% em 2024, uma das maiores reduções da Amazônia Legal. Mas a taxa estadual ainda é elevada, de 27,4 por 100 mil habitantes. O relatório mostra que a presença das facções no interior está ligada ao controle de rios, pistas clandestinas e articulação com grupos estrangeiros, enquanto em Manaus a violência reflete a atuação desses grupos em bairros urbanos.

O estudo identificou atuação criminosa em 344 dos 772 municípios da Amazônia Legal, com destaque para o Amazonas. O estado só fica atrás do Acre, com 100% do território ocupado, e do Amapá, com 62,5%.

O domínio do CV se estende por 202 cidades da região, incluindo locais estratégicos na área de fronteira como Tabatinga (AM). A facção está presente em 286 municípios da Amazônia Legal, mais de um terço das 772 cidades da região – em 84 delas, como em Santana, no Amapá, há um cenário de disputa com outros grupos.

“O Comando Vermelho mantém hegemonia nas rotas fluviais, especialmente no eixo do Rio Solimões, em articulação com a produção peruana e os cartéis colombianos. O escoamento das drogas segue em direção a centros portuários estratégicos como Manaus, Santarém, Barcarena, Belém e Macapá, utilizando embarcações regionais, lanchas rápidas, submersíveis e ‘mulas’ humanas”, afirma o estudo.

Outras facções que atuam na Amazônia são o Bonde do Maluco (BDM), da Bahia, e os Guardiões do Estado (GDE), do Ceará. A lista inclui ainda três organizações estrangeiras: o Estado Maior Central (EMC) e a Ex-Farc Acácio Medina, da Colômbia, além do Trem de Aragua, da Venezuela.

“A expansão das facções criminosas constitui um dos principais desafios à segurança pública, à governança territorial e à soberania nacional na Amazônia. Observa-se, nos últimos anos, um processo de interiorização e diversificação das dinâmicas criminais, com a consolidação de rotas estratégicas para o tráfico de drogas, armas, minérios e madeira, conectando a região aos mercados nacional e internacional”, diz trecho do estudo. O levantamento aponta que as 17 facções ativas na Amazônia são:

Comando Vermelho (CV)

Primeiro Comando da Capital (PCC)

Amigos do Estado (ADE)

Bonde dos 40 (B40)

Primeiro Comando do Maranhão (PCM)

Família Terror do Amapá (FTA)

União Criminosa do Amapá (UCA)

Comando Classe A (CCA)

Bonde dos 13 (B13)

Bonde dos 777 (dissidência do CV)

Tropa do Castelar

Piratas do Solimões

Bonde do Maluco (BDM)

Guardiões do Estado (GDE)

Trem de Aragua

Estado Maior Central (EMC)

Ex-Farc Acácio Medina

Os pesquisadores afirmam que, em três anos de mapeamento, se observa um processo de consolidação do Comando Vermelho e de “estabilização da influência” do PCC, com forte atuação em Coari (AM), no Médio Solimões, e em Estados como Roraima. As demais facções teriam atuação mais localizada.

A metodologia do estudo sobre facções consiste em análise de documentos, entrevistas com agentes de segurança pública, líderes de comunidades tradicionais e moradores de municípios de interesse. Também são usadas informações jornalísticas, divulgações de operações policiais das forças de segurança e pesquisas de campo in loco. A pesquisa foi realizada de novembro de 2024 a setembro de 2025.

Fonte: Amazonas Atual/Foto: Arquivo/PC-AM

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