O dólar operava em baixa, nesta quarta-feira (11/2), em um dia no qual o mercado financeiro repercute as declarações do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, que participa de uma conferência promovida pelo BTG Pactual, em São Paulo.
Ainda no cenário doméstico, os investidores aguardam a divulgação dos resultados financeiros do Banco do Brasil, que fecha a temporada de balanços dos maiores bancos do país, no quarto trimestre do ano passado.
O principal destaque do dia, no entanto, é internacional. O mercado monitora os dados oficiais de emprego fora do setor agrícola nos Estados Unidos em janeiro deste ano – o chamado “payroll”, divulgado pelo Departamento do Trabalho.
Dólar
- Às 9h13, a moeda norte-americana recuava 0,32% e era negociada a R$ 5,179.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,189. A mínima é de R$ 5,175.
- Na véspera, o dólar terminou a sessão em leve alta de 0,16%, cotado a R$ 5,196.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 0,98% no mês e de 5,32% frente ao real no ano.
Ibovespa
- As negociações do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), começam às 10 horas.
- No dia anterior, o indicador fechou o pregão em queda de 0,17%, aos 185,9 mil pontos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 2,52% em fevereiro e de 15,39% em 2025.
Galípolo em São Paulo
Nesta quarta-feira, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, participa de uma conferência promovida pelo BTG Pactual, em São Paulo – que contou com a participação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), na véspera.
Na última segunda-feira (9/2), ao participar de outro evento na capital paulista, o chefe da autoridade monetária disse que a autonomia financeira do BC poderia reforçar a capacidade de supervisão sobre o mercado da instituição. A afirmação foi feita durante comentário sobre o caso envolvendo o Banco Master.
“Temos um aumento no número das instituições que estão sob supervisão do Banco Central e outras que não estão, em meio à redução significativa de pessoas e recursos”, afirmou Galípolo. “Tenho falado de maneira reiterada sobre a necessidade de dar um salto, fazer um catching up (uma ‘atualização’) no que estamos atrasados, de autonomia financeira e orçamentária.”
Ao longo de sua exposição no evento, Galípolo relatou a sequência de fatos que marcaram a atuação do BC no caso Master, eximindo os diretores do órgão de qualquer responsabilidade ou atraso nas decisões. Esse processo culminou em 18 de novembro de 2025, quando o BC determinou a liquidação extrajudicial e instaurou o Regime de Administração Especial Temporária (RAET) no Master.
Galípolo observou que um dos problemas identificados em comentários sobre a operação do Master eram as captações de CDBs emitidos com percentual acima da taxa do CDI. “Mas, como se sabe, não há nenhum tipo de regra que vede essas captações a uma taxa como aquela”, disse. “Então, aquilo não configuraria, como muita gente achou que poderia configurar, um objeto para fazer qualquer coisa como liquidar o banco.”
O presidente do BC disse que, no fim de 2024, a instituição começou a passar por “problemas de credibilidade, de dificuldades de fazer captação em plataforma”. “Isso impõe restrições de liquidez”, afirmou. “Ainda em novembro (de 2024), a diretoria de Fiscalização do BC chama o banco para um termo de comparecimento, dando um cartão amarelo, e dá seis meses, não quatro, para que o banco apresentasse as devidas correções do ponto de vista de liquidez, governança e patrimônio”, mencionou.
Em janeiro, segundo Galípolo, o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, que assumiu o cargo em 2023, começa a “levantar dúvidas sobre algumas negociações de carteira”. “O que soou estranho era a formação de novas carteiras, num cenário de problemas de liquidez”, disse. Em fevereiro, um grupo específico foi criado para fazer análise dessas mesmas carteiras.
Na sequência, em março, acrescentou Galípolo, esse grupo apresentou uma primeira versão desses estudos para o diretor de fiscalização do BC. “Não foram encontradas evidências que corroborassem a existência da carteira”, afirmou. “Naquele momento, o Ailton (o diretor de Fiscalização) traz para mim justamente esse problema, dizendo que isso justificaria a gente fazer uma notícia de fatos. Naquele momento, chega também a possibilidade de aquisição do Master pelo BRB.”
A partir de abril, relatou o presidente do BC, ocorreu uma coordenação do trabalho com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). “Não há nenhuma carta com valor ou coisas desse tipo”, disse. “O que o FGC passou a fazer foi pagar os CDBs que já teria de pagar no caso de uma liquidação.” Para Galípolo, graças ao trabalho coordenado com o FGC foi possível constituir um processo de rejeição da compra do BRB e também do voto de liquidação.
Banco do Brasil fecha temporada de balanços dos “bancões”
Outro destaque do mercado, nesta quarta-feira, é a divulgação do balanço financeiro do Banco do Brasil referente ao último trimestre de 2025. Depois de Bradesco, Santander e Itaú, a instituição é a última entre os chamados “bancões” do país a divulgar seu balanço.
O Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 6,5 bilhões no período entre outubro e dezembro do ano passado. O resultado representou crescimento de 20,6% em relação ao quarto trimestre de 2024.
O Santander, por sua vez, teve lucro líquido gerencial de R$ 4,086 bilhões. Foi o melhor resultado trimestral dos últimos quatro anos, com crescimento de 6% em relação ao quarto trimestre do ano anterior.
Por fim, o Itaú registrou lucro recorrente gerencial de R$ 12,3 bilhões no período. O desempenho do banco entre outubro e dezembro do ano passado representou crescimento de 13,2% em relação ao mesmo período de 2024.
Os três maiores bancos privados do Brasil — Itaú, Bradesco e Santander — fecharam mais de 2,3 mil agências e postos de atendimento durante o ano passado, de acordo com dados divulgados pelas próprias instituições financeiras em seus balanços corporativos.
O líder no ranking de fechamento de agências no ano passado é o Bradesco, que terminou 2025 com 1.356 unidades a menos — o que correspondeu a uma redução de 28,2% em relação a 2024. O banco fechou o ano com 3.450 agências em todo o país.
Em seguida, aparece o Santander, que encerrou 579 unidades (-25,6%) e terminou 2025 com 1.685 agências. O Itaú vem na sequência, com o fechamento de 399 pontos (-13,6%), ficando com 2.529 unidades. Ao todo, os três “bancões” fecharam 2.334 agências no ano passado.
“Payroll” nos EUA
Apesar do intenso noticiário econômico doméstico, o grande foco de atenção dos investidores, nesta quarta, está voltado para os EUA, onde são divulgados os dados oficiais de emprego em janeiro deste ano. Trata-se do “payroll”, um indicador econômico mensal dos EUA que mostra a evolução do emprego no país fora do setor agrícola.
O relatório, divulgado pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), é considerado determinante para as avaliações sobre o desempenho da economia norte-americana.
De acordo com a média das estimativas dos analistas do mercado, os EUA devem registrar a criação de 66 mil vagas de emprego em janeiro – acima dos 50 mil postos criados no mês anterior.
A força do mercado de trabalho nos EUA é um dos componentes considerados pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) para definir a taxa de juros e esfriar a demanda na economia a fim de combater a inflação.
Analistas temem que a aceleração do mercado de trabalho nos EUA leve a um novo aperto da política monetária pelo Fed. Por outro lado, dados fracos de emprego podem alimentar as projeções mais pessimistas de que a economia dos EUA entre em recessão nos próximos meses.
Na última reunião do Fed, no fim de janeiro, os juros foram mantidos no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado. A manutenção da taxa de juros interrompeu sequência de três cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual pelo BC dos EUA.
O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros está marcado para os dias 17 e 18 de março.
A taxa de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. A meta de inflação nos EUA é de 2% ao ano.
Fonte: Metrópoles/Foto: Yevgen Romanenko/Getty Images


