Prefeito de Manaus defende ex-chefe de gabinete e contesta investigação sobre ‘núcleo político’ do CV no AM

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O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante-AM), criticou nesta segunda-feira (23) a Operação Erga Omnes, que prendeu sua ex-chefe de gabinete, Anabela Cardoso Freitas. Segundo a Polícia Civil, a ação investiga o “núcleo político” do Comando Vermelho (CV) no estado. A declaração ocorreu durante a coletiva em que Almeida anunciou a pré-candidatura ao Governo do Amazonas.

A Polícia Civil informou que o grupo contava com pessoas que ocupavam cargos ou tinham influência em órgãos públicos para facilitar a atuação da facção. Na sexta-feira (20), foram cumpridos 14 mandados de prisão, sendo oito no Amazonas.

Entre os presos estão Anabela, ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus, função que exerceu entre 2021 e 2023.

“Que operação é essa que não prendeu um traficante, não apreendeu um carro, um quilo de droga?! Essa operação é tão autêntica quanto uma nota de 300”, afirmou.

Almeida disse que a operação tenta prejudicar sua imagem. “O que está em andamento é uma operação para me sujar. Não tem nada a ver com tráfico de drogas. Vou provar a minha inocência”, declarou. O prefeito não é alvo nem investigado na Operação Erga Omnes.

Sobre Anabela, o prefeito disse acreditar na inocência dela e que a investigada, que atualmente integra a Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus, continua sendo uma pessoa de confiança.

“Ela é da minha confiança e vai continuar trabalhando comigo”, disse. O prefeito também declarou que, se for necessário, ajudará a custear a defesa da ex-assessora.

 

Segundo a investigação, Anabela teria movimentado cerca de R$ 1,5 milhão para a facção por meio de empresas de fachada. Questionado pela Rede Amazônica sobre o valor, David afirmou que a movimentação é compatível com a renda de Anabela nos últimos anos, considerando o salário como servidora pública e a pensão que recebe como viúva de um ex-deputado. “Tudo é mentira que nós vamos dissecar uma a uma”, afirmou.

Anabela, que também é servidora concursada da Polícia Civil desde 2011, segue presa no 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), em carceragem da Polícia Civil. O Estatuto do Policial Civil do Amazonas prevê que agentes da corporação tenham o direito de recolhimento em unidade privativa da instituição enquanto o processo não tiver sentença definitiva.

O que diz a defesa

 

Em entrevista à Rede Amazônica nesta segunda (23), a defesa da ex-chefe de gabinete afirmou que a prisão foi precipitada e baseada em acusações que considera “equivocadas”. O advogado negou qualquer envolvimento de Anabela com os investigados. E informou ainda que a cliente não conhece o suposto líder da organização criminosa e que não recebeu valores dele.

Segundo a defesa, até a publicação desta reportagem, não houve acesso ao inquérito policial, o que classificou como irregular. O advogado também afirmou que os valores citados na investigação podem ser comprovados e que o patrimônio de Anabela é compatível com a renda dela como servidora pública. Ele informou ainda que vai pedir acesso aos autos e solicitar a liberdade da cliente.

Presos na operação

 

Ao todo, oito pessoas foram presas no Amazonas e seis fora do estado. Confira quem são os detidos no AM:

  1. Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas. A polícia aponta que ele recebia pagamentos para fornecer informações sigilosas de processos em segredo de Justiça, o que teria beneficiado o grupo criminoso.
  2. Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas. Relatórios de inteligência financeira indicam transações milionárias ligadas ao esquema;
  3. Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil que integra a Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e foi chefe de gabinete do prefeito David Almeida. A investigação diz que ela teria movimentado cerca de R$ 1,5 milhão em favor da facção por meio de empresas de fachada;
  4. Alcir Queiroga Teixeira Júnior – investigado por participação no esquema financeiro que movimentava valores suspeitos para a organização criminosa;
  5. Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar de vereador, apontado pela polícia como parte da rede de influência do grupo;
  6. Osimar Vieira Nascimento – policial militar preso sob suspeita de envolvimento com as atividades do núcleo político investigado;
  7. Bruno Renato Gatinho Araújo – preso no Amazonas e incluído na lista de investigados pela operação.
  8. Ronilson Xisto Jordão – preso em Itacoatiara por suposta participação no esquema.

 

g1 tenta contato com a defesa dos presos na operação, mas não obtivemos retorno até a última atualização desta reportagem.

Lucila Costa Meireles, presa fora do Amazonas, também é apontada como integrante do núcleo político. Ela já exerceu cargos de assessoria parlamentar, inclusive na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas e na Câmara Municipal de Manaus.

Segundo a polícia, Lucila se apresentava como advogada sem ter registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e atuava como lobista do grupo. Mensagens analisadas indicam que ela e outra suspeita teriam pago propina a um servidor do Judiciário para obter e repassar informações de processos que tramitavam em segredo de Justiça.

Como era o esquema

 

Segundo a polícia, a organização criminosa movimentou cerca de R$ 70 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 9 milhões por ano desde 2018, e atuava em conjunto com traficantes do Amazonas e de outros estados.

As investigações apontam que os suspeitos facilitavam a contratação de empresas de fachada nos setores de transporte e logística. Na prática, essas empresas seriam usadas para comprar drogas na Colômbia e enviá-las a Manaus. Da capital amazonense, os entorpecentes seriam distribuídos para outras unidades da federação.

Os investigados devem responder por organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e violação de sigilo funcional.

*g1/Am/Foto:  Rede Amazônica

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