7 pontos sobre a nova pesquisa Quaest, que mostra empate entre Lula e Flávio Bolsonaro no 2º turno

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A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (11), indica um empate inédito entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em eventual segundo turno e, na avaliação de Felipe Nunes, diretor da Quaest, reforça um cenário de polarização cristalizada a seis meses da eleição.

O levantamento também aponta piora na avaliação do governo e na percepção sobre a economia.

A consultoria Quaest testou cenários de 1º e 2º turno com oito pré-candidatos: Lula, Flávio, Ratinho Júnior (PSD), Ronaldo Caiado (PSD), Eduardo Leite (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Aldo Rebelo (DC).

No cenários de 1º turno, o presidente lidera em dois cenários e empata tecnicamente com o senador do PL em outros cinco. Os percentuais de intenção de voto de Lula variam entre 36% e 39%. Os de Flávio vão de 30% a 35%.

O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 6 e 9 de março.

A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

Veja 7 pontos sobre a pesquisa:

 

Lula e Flávio empatados

Pela primeira vez na série histórica da Quaest, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem numericamente empatados no cenário de 2º turno. Ambos têm 41% das intenções de voto, e a vantagem do presidente foi diminuindo gradualmente.

A diferença era de dez pontos em dezembro, passou para sete em janeiro, cinco em fevereiro e, agora, não existe mais. Na pesquisa anterior, de fevereiro, Lula tinha 43% e Flávio, 38%. Veja os números:

  • Lula: 41% (eram 43% em fevereiro e 45% em janeiro);
  • Flávio Bolsonaro: 41% (eram 38% em fevereiro e janeiro);
  • Indecisos: 2% (eram 2% em fevereiro e janeiro);
  • Branco/nulo/não vai votar: 16% (eram 17% em fevereiro 15% em janeiro).
  • Quaest: Intenção de voto, 2º turno, Lula x Flávio Bolsonaro — Foto: Arte/g1
  • Exceto no cenário com Flávio, em que há empate, Lula aparece à frente nos demais.

    Disputa pelo voto independente

     

    Também pela primeira vez, Flávio aparece numericamente à frente de Lula entre os eleitores que se consideram independentes. Nesse segmento, Flavio tem 32% das intenções de voto no 2º turno, e Lula tem 27%. Outros 36% responderam que preferem não votar, e 5% estão indecisos.

    Na pesquisa anterior, Lula tinha 31% nesse grupo, contra 26% de Flávio. Os eleitores independentes correspondem a 32% do total, conforme os números da Quaest.

    ❗Importante: como se trata de um recorte do eleitorado, a margem de erro é maior do que dos dados gerais nesse caso.

    Lula chega a 95% entre os eleitores lulistas, enquanto Flávio registra 96% entre os bolsonaristas.

    2º turno - Lula x Flávio Bolsonaro (eleitores independentes) — Foto: Arte/g1

    Calcificação da disputa entre Lula e Flávio

     

    Pelo quarto mês consecutivo, a pesquisa mostra a calcificação política no Brasil, segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest.

    Lula tem entre 36% e 39% das intenções de voto nos diferentes cenários de 1º turno testados, e Flávio Bolsonaro tem entre 30% e 35%. Ratinho tem 7%; Caiado, 4%; Zema e Leite têm 3% cada.

    “O empate entre os dois principais competidores a 6 meses da eleição reforça a tese”, afirma Nunes.

    De dezembro a março, em um dos cenários testados, Lula oscilou de 39% para 36% (-3 pontos), enquanto Flávio avançou de 23% para 33% (+10). Já Ratinho Jr. recuou de 13% para 7% (-6). Renan e Aldo permaneceram com 2%.

    Nunes aponta que o avanço gradual de Flávio é observado desde que ele foi anunciado como pré-candidato pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em dezembro.

    “Flávio tem conseguido monopolizar o eleitor bolsonarista, tem crescido no eleitor de direita e melhorado seu desempenho no eleitor independente”, diz.

    Piora na avaliação de Lula

     

    A pesquisa mostra ainda uma piora na avaliação do governo Lula. Segundo o levantamento, 51% desaprovam o trabalho do presidente e 44% aprovam.

    • Desaprova: 51% (eram 49% em fevereiro e 49% em janeiro);
    • Aprova: 44% (eram 45% em fevereiro e 47% em janeiro);
    • Não sabem/não responderam: 5% (eram 6% em fevereiro e 4% em janeiro).

     

    “O pior resultado de aprovação desde julho de 2025, antes do tarifaço de Trump”, afirma Nunes. O índice de desaprovação estava em 49% desde dezembro e agora volta aos patamares registrados em julho e agosto de 2025, mas ainda está abaixo do pico registrado em maio (57%).

    Quaest: aprovação do governo Lula em março de 2026 — Foto: Arte/g1

    A diferença entre desaprovação e aprovação vem aumentando desde o fim do ano passado. Era de um ponto em dezembro, dois em janeiro, quatro em fevereiro e sete agora.

    Segundo o diretor da Quaest, há três fatores para essa mudança: noticiário mais negativo, piora na percepção da economia e pouco efeito da isenção do Imposto de Renda. “No último mês não houve mudança significativa no percentual dos brasileiros que dizem ter sido beneficiados pela nova tabela do IR. O indicador oscilou de 30% para 31%”.

    Pessimismo econômico

     

    Segundo a pesquisa, 48% dos brasileiros afirmam que a economia piorou nos últimos 12 meses, enquanto 24% viram melhora. Em fevereiro, a percepção negativa era de 43%. Os índices não são tão ruins quanto eram em março do ano passado, mas a tendência é negativa desde dezembro.

    Confira os números:

    • Piorou: 48% (eram 43% em fevereiro e 43% em janeiro);
    • Melhorou: 24% (eram 24% em fevereiro e 24% em janeiro);
    • Ficou do mesmo jeito: 26% (eram 30% em fevereiro e 29% em janeiro);
    • Não sabem/não responderam: 2% (eram 3% em fevereiro e 4% em janeiro).

     

    Além disso, a expectativa de melhora futura também vem caindo gradualmente. A Quaest perguntou para os entrevistados se a economia nos próximos 12 meses deve melhorar, piorar ou ficar do mesmo jeito. Veja as respostas:

    • Melhorar: 41% (eram 43% em fevereiro e 48% em janeiro);
    • Piorar: 34% (eram 29% em fevereiro e 28% em janeiro);
    • Ficar do mesmo jeito: 21% (eram 24% em fevereiro e 21% em janeiro);
    • Não sabem/não responderam: 4% (eram 4% em fevereiro e 3% em janeiro).
    • Quaest - Expectativa da economia para os próximos 12 anos. — Foto: Arte/g1
    • Preocupação com a corrupção

       

      A pesquisa mostra que a corrupção aparece na 2ª posição entre as maiores preocupações dos brasileiros, ficando atrás só da violência e ultrapassando os problemas sociais. Outros temas citados incluem problemas sociais, saúde, economia e educação. Esse movimento ocorre em maio a novos desdobramentos do escândalo do Banco Master e das investigações sobre fraudes no INSS, tema de uma CPI no Congresso.

      Veja os números:

      • Violência: 27% (eram 27% em fevereiro)
      • Corrupção: 20% (eram 17% em fevereiro)
      • Problemas sociais: 18% (eram 20% em fevereiro)
      • Saúde: 13% (eram 13% em fevereiro)
      • Economia: 10% (eram 12% em fevereiro)
      • Educação: 6% (eram 6% em fevereiro)
      • Quaest: violência é a principal preocupação no país em março de 2026. — Foto: Editoria de Arte/g1
      • Medo de Lula ou de Bolsonaro?

         

        Na batalha de rejeições, pela primeira vez o temor pela continuidade do presidente supera numericamente o medo do retorno da família Bolsonaro. Segundo Felipe Nunes, Lula sempre levou vantagem nesse indicador, ainda que pequena.

        A pergunta feita aos entrevistados foi: “O que te dá mais medo hoje: mais um governo Lula ou a família Bolsonaro voltar ao poder?”

        Veja os números:

        • Mais um governo de Lula: 43%
        • Volta da família Bolsonaro ao poder: 42%
        • Tenho medo dos dois: 7%
        • Não sabem/não responderam: 5%
        • Não tenho medo de nenhum dos dois: 3%

         

        Lula passou a ter o seu pior desempenho de potencial de voto na série histórica (41%) e a maior rejeição entre os possíveis candidatos (56%), aponta Felipe Nunes. A rejeição ao Flávio também é alta (55%). “Chama atenção a mudança ao longo do tempo. Em dezembro de 2025, Lula tinha bem mais potencial e menos rejeição. Agora, os dois tem percentuais parecidos”, afirma o diretor da Quaest

        *G1/Foto:  Esa Alexander/Reuters e Evaristo SA/AFP

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