Um americano que atuava como voluntário na etapa de natação do Ironman Texas, nos Estados Unidos, descreveu os momentos de tensão após a triatleta brasileira Mara Flávia Araújo desaparecer na água durante a prova realizada no último sábado (18).
A esportista, de 38 anos, foi declarada morta após uma operação de busca que contou com mergulhadores e um barco equipado com sonar no lago Woodlands.
Relato foi publicado nas redes sociais
Em uma publicação no Facebook, Shawn McDonald afirmou que decidiu compartilhar o que presenciou para que a família da atleta soubesse que várias pessoas se mobilizaram para tentar salvá-la.
Segundo ele, o objetivo era mostrar que “pessoas que não a conheciam deram tudo de si para salvá-la”.
McDonald contou que estava na região da prova com a filha Mila, de 12 anos, para acompanhar a competição e apoiar um amigo que participava do evento.
Os dois estavam em uma prancha de stand-up paddle posicionada ao longo do percurso da natação, ajudando atletas que precisassem de apoio durante a travessia.
“Após a largada, remamos ao lado dos nadadores, oferecendo ajuda — ou uma prancha — a quem precisasse descansar um pouco. Então ouvimos um apito”, relatou.
O voluntário disse que percebeu um grupo em um caiaque sinalizando emergência.
“Um grupo de voluntários mais jovens em um caiaque do outro lado do campo estava hasteando uma bandeira, soprando um apito e gritando por socorro. Dezenas de atletas estavam entre nós e eles. Eu podia ver nadadores agarrados ao caiaque. Ouvi dizerem que ela [Mara] havia afundado”, contou.
Ele pediu que a filha entregasse o remo e seguiu rapidamente até o local indicado. Ao chegar, ouviu o mesmo relato de diferentes pessoas que estavam nas proximidades.
“Todos disseram a mesma coisa: ela afundou. Bem aqui. Bem abaixo de nós. O pânico e o medo em seus rostos não me abandonarão por muito tempo”, disse.
Voluntário descreve buscas na água
Segundo McDonald, um dos atletas próximos ao ponto do desaparecimento parecia em choque após presenciar o momento em que Mara submergiu. Em seguida, o voluntário mergulhou repetidas vezes para tentar localizar a triatleta.
“Mergulhei imediatamente e comecei a procurar. Outro jovem voluntário, possivelmente um salva-vidas, começou a mergulhar comigo. Depois de cerca de um minuto debaixo d’água, senti o corpo dela com o pé. Subi à superfície, respirei o que me pareceu a respiração mais profunda que já dei e voltei a mergulhar”.
No entanto, quando o voluntário retornou ao ponto onde acreditava que a triatleta estava, ele já não conseguiu mais encontrá-la.
“Ela havia sumido. Não sei como descrever o que senti. Tentei de novo. E de novo. E de novo. Eu simplesmente sabia que a sentiria novamente e que conseguiria agarrá-la e puxá-la para cima. Perdi a conta de quantas vezes mergulhei na hora seguinte”, relatou.
McDonald afirmou que continuou participando das buscas enquanto uma embarcação equipada com sonar chegava para auxiliar na operação.
“Nunca me passou pela cabeça que ela já tivesse falecido há muito tempo. Continuei procurando como se fosse puxá-la para cima viva. Olhando para trás, provavelmente estava correndo mais riscos do que deveria. Mas eu não conseguia parar”, afirmou.
Depois, segundo o voluntário, mergulhadores profissionais pediram que saísse da água para que a operação seguisse com as equipes especializadas. O corpo da triatleta foi recuperado pouco depois das 9h (horário local).
Na publicação, McDonald também pediu desculpas à família da brasileira por não ter conseguido salvá-la.
“O nome dela era Mara e ela era do Brasil. Ela era o mundo inteiro de alguém. Para a família dela: fizemos tudo o que podíamos. Sinto muito, de verdade, que não tenha sido o suficiente. Ela ficará comigo. Que ela descanse em paz. Estarei orando por todos vocês e, por favor, façam o mesmo por nós”, escreveu.
*R7/Esportes/Foto: Reprodução/redes sociais/@maraflavia




