O que muda para quem participa do Legendários após decisão da Igreja Presbiteriana?

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O Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) aprovou, na terça-feira (28), em Manaus, uma resolução que recomenda que pastores, presbíteros, diáconos e membros da denominação não participem do movimento cristão Legendários e outras organizações com características semelhantes.

A decisão foi tomada em resposta a uma consulta feita por uma igreja do Tocantins e afirma que as Escrituras Sagradas são suficientes como única regra de fé e prática, sem necessidade de experiências místicas adicionais.

O movimento Legendários afirmou respeitar a decisão e que segue comprometido com o propósito de fortalecer famílias, desenvolver lideranças e promover ações que gerem impacto positivo nas comunidades.

Mas na prática, o que muda? Confira os principais pontos listados pelo g1 abaixo:

Os membros estão proibidos de participar?

 

Não.

Para pastores, presbíteros e diáconos, o Supremo Concílio fez uma recomendação expressa para que não participem, não promovam e não apoiem o movimento Legendários ou grupos semelhantes.

Já para os demais membros, a resolução não cria uma proibição acompanhada de sanção automática. A orientação é para que as lideranças exerçam vigilância pastoral e instruam os fiéis a permanecerem naquilo que a IPB considera a “sã doutrina”.

Quem já participa precisa sair do movimento?

 

Não há uma determinação de desligamento imediato.

A resolução não obriga os participantes a abandonarem o movimento, mas orienta que os Conselhos das igrejas acompanhem a situação e avaliem a influência do Legendários sobre os membros.

Segundo o documento, uma das preocupações é que o movimento possa criar divisões dentro das igrejas ao estabelecer distinções entre homens que passaram pela chamada “experiência da montanha” e aqueles que não participaram dela.

Por esse motivo, a IPB recomenda que o amadurecimento espiritual dos homens ocorra no ambiente da igreja local, especialmente por meio de seus ministérios, como a União Presbiteriana de Homens (UPH).

O participante pode ser disciplinado?

 

Pode, mas não de forma automática.

O texto aprovado pelo Supremo Concílio não determina punições imediatas para quem integra o movimento.

A orientação é que pastores e Conselhos conduzam cada situação com “amor pastoral e firmeza”, buscando a edificação e a instrução dos membros quando identificarem práticas incompatíveis com os Símbolos de Fé e com a doutrina da Igreja Presbiteriana do Brasil.

Caso a liderança local conclua que há afronta aos princípios da denominação e o fiel não acolha as orientações pastorais, poderão ser adotadas medidas disciplinares previstas na Constituição da IPB, respeitando o devido processo e a análise de cada caso.

Cada igreja decide como aplicar a orientação?

 

Sim.

Embora a resolução tenha sido aprovada em âmbito nacional, a aplicação prática cabe às igrejas locais.

O Supremo Concílio determinou que Conselhos e Presbitérios avaliem cada situação considerando as características de sua comunidade e verifiquem se a atuação do movimento contraria a Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil.

Na prática, a decisão nacional estabelece a diretriz teológica, enquanto a condução pastoral e disciplinar fica sob responsabilidade das lideranças locais.

Por que a Igreja Presbiteriana tomou essa decisão?

 

O parecer teológico aprovado pelo Supremo Concílio aponta que o Legendários adota práticas consideradas incompatíveis com a doutrina reformada e com a forma de organização da IPB.

Entre os principais pontos citados estão:

  • Uso de técnicas de coaching, linguagem motivacional e métodos considerados experienciais;
  • Realização de ritos de pertencimento e manutenção de sigilo sobre parte das atividades;
  • Referência a Jesus Cristo como “Legendário 001”, considerada inadequada pela denominação;
  • Utilização de dinâmicas com isolamento, privação alimentar, exaustão física e forte impacto psicológico;
  • O que a igreja classificou como “mercantilização da fé”, ao transformar a experiência religiosa em um produto ou experiência de consumo coletivo.

 

Para a IPB, essas práticas se afastam da simplicidade do Evangelho e podem enfraquecer a centralidade das Escrituras, além de provocar divisões nas igrejas locais.

*G1/Am/Foto: Fábio Tito/g1

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