‘Brasil tem 55 dos 66 tons de pele que há no mundo’, diz diretora global da L’Oréal

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A engenheira cipriota Ezgi Barcenas ocupa, desde 2024, o cargo de diretora global de responsabilidade corporativa da gigante francesa dos cosméticos L’Oréal,, em Paris, depois de desempenhar o mesmo papel na cervejaria AB InBev. Em visita à sede brasileira da companhia, no Rio, a executiva falou à coluna que enxerga o Brasil como “laboratório de inovação” sustentável graças à diversidade única dos consumidores.

Leia abaixo os principais trechos da conversa:

Qual é a importância do Brasil para a agenda de responsabilidade da L’Oréal?

O Brasil é o quarto maior mercado de beleza do mundo, mas ganha ainda mais importância quando olhamos para a diversidade dos consumidores brasileiros. Nossa equipe mapeou 66 tons de pele em todo o mundo, e 55 deles estão presentes no Brasil. Os oito tipos de cabelo existentes no mundo estão aqui. Se considerarmos a biodiversidade ou os seis diferentes climas existentes aqui, vemos uma diversidade tão ampla que o Brasil acaba funcionando como laboratório e incubadora de inovação.

E o que a sra. veio fazer no Brasil?

Uma das oportunidades desta viagem é conversar com times que entendem profundamente o que a beleza representa na cultura brasileira. Ela está associada à felicidade, à esperança e ao otimismo. Está profundamente enraizada no tecido da sociedade. Podemos aprender com o Brasil e levar essas lições para o restante do mundo.

Dentro da responsabilidade corporativa, quais são os temas mais importantes para vocês?

Acreditamos em “duplo desempenho”, que é entregar resultados financeiros superiores ao mesmo tempo em que geramos impactos sociais e ambientais positivos. A partir daí, trabalhamos sobre quatro pilares: clima, economia circular, natureza e comunidades. Em cada um deles, temos diversas metas e exploramos desde o desenvolvimento de ingredientes de nova geração até novas soluções de embalagem, passando por novas formas de trabalhar com a cadeia de suprimentos.

O que a sra. pode contar de concreto?

Gosto de pensar que estamos entrando em uma era de maior intencionalidade. Um exemplo é o nosso programa global de aceleração de inovação sustentável. Vamos destinar € 100 milhões ao projeto nos próximos cinco anos. Temos uma série de metas de sustentabilidade para atingir até 2030 e somos transparentes quanto às lacunas críticas de soluções para alcançá-las. Publicamos cerca de 70 desafios e abrimos uma chamada para receber inscrições em busca de soluções disruptivas. Isso envia sinais claros de demanda ao mercado. O que queremos fazer é identificar essas soluções, testá-las rapidamente e, em seguida, encontrar maneiras de escalá-las. Na primeira chamada de inscrições, recebemos cerca de 950 propostas. Entre as 13 empresas selecionadas para a primeira turma, uma é brasileira (a produtora de biometano Gás Verde). Isso demonstra que a inovação está em toda parte.

Quais são os principais desafios socioambientais de vocês?

Eu diria que hoje o grande desafio é escalar as inovações. Muitas soluções já existem, mas ainda não podem ser aplicadas em linhas industriais de grande escala ou ainda não têm um custo viável. Para uma empresa do nosso tamanho, isso é determinante. Falando das áreas de sustentabilidade, posso dar o exemplo da água. Em um mundo afetado pelas mudanças climáticas, estamos desenvolvendo uma compreensão muito mais sofisticada sobre o aumento do estresse hídrico. Então, estamos trabalhando com nossos parceiros da cadeia de suprimentos para compreender como eles gerenciam seus recursos hídricos e quais são seus esforços para aumentar a eficiência no uso da água. Também reutilizamos água em nossas próprias operações industriais.

Como isso chega ao consumidor?

Buscamos entender como os hábitos e as necessidades deles podem mudar em um mundo com maior escassez de água. O xampu do futuro será de enxágue rápido, sem enxágue ou haverá alguma outra alternativa que ainda nem imaginamos? Isso exige conhecer os consumidores para entender quais concessões eles estariam dispostos a fazer.

Nos produtos, em quais inovações vocês estão trabalhando para reduzir o impacto?

Fazemos um enorme esforço para aprimorar o desenvolvimento dos produtos levando em consideração seu impacto ambiental, mas o desafio é conciliar a sustentabilidade das embalagens com a desejabilidade. Existe um componente muito importante de educação, conscientização e engajamento do consumidor. Trabalhamos para reduzir a intensidade dos materiais utilizados. Isso pode ocorrer por meio da redução do peso, do desenvolvimento de produtos refil — que normalmente utilizam menos material do que a embalagem original — e da incorporação de uma quantidade cada vez maior de conteúdo reciclado.

Quais são os planos para embalagens refil?

Nos últimos anos, nossa oferta de produtos refil aumentou 3,7 vezes. Levamos muitos anos para desenvolver uma compreensão mais profunda do que isso significa e de como poderíamos ampliar o número de produtos com refil, mantendo a mesma facilidade de uso, conveniência e também o desejo do consumidor de adquiri-los. Como recarregar um frasco de perfume? Mas também é preciso preservar os códigos de luxo. Aprendemos muito e, agora, o próximo passo é trabalhar em parceria com os varejistas. Como apresentar essas soluções tanto nas ações de venda online quanto nas lojas físicas? Como elas aparecem nas prateleiras? Quais mensagens e quais alegações ajudam a aumentar a conscientização dos consumidores e também a mudar seu comportamento de compra?

Fonte: O Globo/Foto: Divulgação/Toysfilms/L’Oréal

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