Medida aprovada no Congresso Nacional pode zerar imposto do etanol

Publicado em

O Projeto de Lei Complementar (PLP) dos combustíveis, aprovado no Congresso Nacional na semana passada para garantir o amortecimento de preços devido à alta do petróleo, prevê a isenção do etanol, caso a tributação da gasolina diminua 30%, garantindo a competitividade.

“Redução de 30% ou mais da tributação federal da gasolina em relação àquela praticada antes do conflito a que se refere o caput resultará, obrigatoriamente, na redução a zero das respectivas alíquotas de etanol, sem prejuízo do dispositivo no parágrafo anterior”, afirma o texto.

 

Além dessa trava prevista na matéria, o texto ainda estabelece subvenção de R$ 1,2 bilhão para produtores de etanol, com o objetivo de garantir que o combustível seja mais competitivo que a gasolina. Também foi incluída no texto a possibilidade de compensação tributária na ordem de R$ 750 milhões em saldos credores com a Receita Federal de Pis/Cofins.

Ao todo, o governo deve desembolsar R$ 1,9 bilhão com benefícios ao setor de etanol retroativos à época em que a gasolina foi subsidiada e o biocombustível não.

Além disso, o texto também afirma que, para manter o diferencial de preços entre os combustíveis, o governo deve dar um subsídio ao etanol enquanto a medida estiver vigente para a gasolina.

“O Governo Federal deverá conceder subvenção aos produtores de biocombustíveis, inclusive para as cooperativas de produtores, destinados ao consumo final se a redução da tributação do respectivo combustível fóssil resultar em descumprimento do diferencial absoluto estabelecido”, prevê a medida.

Entenda o PLP dos combustíveis

O projeto foi originalmente desenhado para mitigar os efeitos da alta internacional do petróleo sobre os preços dos combustíveis no Brasil, com a possibilidade de redução de tributos federais compensado pela arrecadação extraordinária dos royalties de petróleo.

Durante a tramitação, porém, o texto passou a concentrar outras iniciativas e acabou se transformando em um pacote mais amplo, incluindo incentivos a setores específicos e autorização para novas despesas.

O primeiro “jabuti”, como é chamado a inserção de matérias estranhas ao texto original de um projeto, foi justamente o benefício para o setor de etanol.

Com a intensificação da guerra no Oriente Médio e a alta dos preços iminente, o governo decretou uma Medida Provisória (MP) autorizando o uso das receitas na subvenção dos combustíveis, sem dar andamento no texto que foi encaminhado ao Congresso.

A medida ficou parada por alguns meses e outros jabutis foram anexados. Em meados de julho, no entanto, a equipe econômica enxergou uma oportunidade de fazer um ajuste fiscal, com travas de despesas para 2027 e decidiu articular o andamento do projeto.

“O objetivo desse projeto de lei complementar é estabelecer regras para renúncias de receitas destinadas a mitigar os impactos econômicos causados pelo choque no mercado internacional de energia decorrente do conflito no Oriente Médio e conceder benefícios tributários relacionados à política nacional de minerais críticos e estratégicos, ao programa de desenvolvimento da indústria de fertilizantes e à realização da Copa Feminina”, afirmou a relatora da medida, senadora Teresa Leitão (PT-PE).

 


Principais pontos da medida

  • O projeto autoriza reduzir ou zerar impostos federais sobre diesel, gasolina, etanol e querosene de aviação para conter a alta de preços.
  • A perda de arrecadação será bancada com ganhos extras da exploração de petróleo e gás, no entanto, o texto incorporou incentivos a diversos setores, como fertilizantes, minerais críticos, agronegócio e indústria de defesa.
  • A medida prevê subvenções e uso de créditos tributários para produtores do biocombustível.
  • O texto inclui despesas extras, como recursos para Defesa e outras áreas, além de medidas fora do arcabouço no curto prazo.
  • O governo inseriu travas para limitar o crescimento de gastos obrigatórios e abrir espaço fiscal a partir de 2027.

Preços dos combustíveis

O governo anunciou uma série de medidas para conter a alta dos combustíveis, em decorrência da crise no Oriente Médio, principalmente para diesel e gasolina.

O objetivo, além de amortizar o choque e segurar os preços, é reduzir os efeitos da alta na inflação, já que o principal meio de transporte no país é o rodoviário e qualquer alteração nos preços de diesel afeta toda a cadeia.

Uma disparada da inflação seria particularmente ruim para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em ano eleitoral, momento de mostrar para a população tudo que foi feito durante o mandato.

Apesar da preocupação do governo, a equipe econômica afirma que os subsídios são reavaliados mensalmente, de acordo com o decorrer da guerra, e devem acabar tão logo o cenário externo se normalizar e a oferta de petróleo estiver estável.

Fonte: Metrópoles/Foto: Kebec Nogueira/Metrópoles @kebecfotografo

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Assine Grátis!

Popular

Relacionandos
Artigos

Mendonça manda Lula remover vídeos com pedidos explícitos de voto em convenção

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE),...

Peixes do ES apresentam anomalias após o desastre de Mariana, revela estudo

Pesquisadores identificaram no litoral do Espírito Santo a maior...

Estreito de Ormuz ficará fechado até acordo ser cumprido, diz Irã

O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf,...

Centrão avalia peso do Congresso em distância de Flávio e pontes com Lula

O movimento de partidos do Centrão para manter distância formal da...