O processo do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) detalhou como o casal apontado como líder de esquema de fraudes milionárias no Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) agia. A denúncia revela que o servidor Alexandre Macedo da Rosa tinha acessos para modificar o sistema identificado como Getran e passava as credenciais para terceiros.
Já o papel de Shana Rodrigues Macedo na organização, segundo a denúncia, seria disponibilizar a conta bancária para o recebimento de propina, muitas vezes por meio de Pix. A utilização da conta da mulher tinha como objetivo dissimular e ocultar a origem do dinheiro.
A operação que desarticulou o esquema fraudulento foi deflagrada em maio. A investigação, conduzida pela 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte), revelou que a organização criminosa obtinha acesso indevido aos sistemas do Detran-DF e realizava transferências irregulares de veículos.
Ao menos 600 operações teriam sido feitas com o uso da senha de uma servidora em horários nos quais ela não estava trabalhando.
Já foram ingressados quatro pedidos na Justiça, um deles nessa quarta-feira (26/8). Além de Alexandre e Shana, a operação teve como alvo Caio Raffael Furtado e Pedro Cruz Filho.
A coluna Na Mira tenta localizar as defesas dos demais citados na investigação. O espaço permanece aberto para manifestações.
O que consta na denúncia:
- Alexandre Macedo da Rosa é apontado como líder da organização criminosa;
- A acusação afirma que Alexandre tinha conhecimento técnico e facilidade para modificar o sistema Getran, utilizado pelo Detran;
- Ele seria o responsável por inserir ou omitir fraudulentamente dados no sistema;
- Segundo os autos, Alexandre teria cedido suas credenciais de acesso ao Getran aos réus Huggo Luciano Gomes de Lima e Caio Raffael de Jesus Leite Furtado;
- Pedro Cruz Filho, Huggo Luciano e Caio Raffael, de acordo com a denúncia, atuariam no acesso indevido aos sistemas do Detran;
- Os três também são apontados como responsáveis por intermediar pessoas interessadas em alterações fraudulentas no sistema;
- Shana Rodrigues Macedo, Huggo, Caio e Pedro, segundo a acusação, sabiam que Alexandre era funcionário público e atuariam na intermediação das solicitações e no recebimento das vantagens ilícitas relacionadas ao cargo dele;
- A denúncia afirma que os valores obtidos ilicitamente eram repartidos entre os integrantes da organização criminosa;
- Para receber os valores, o grupo teria utilizado a conta bancária de Shana Rodrigues Macedo, com o objetivo de dissimular e ocultar a origem do dinheiro;
- Ainda segundo os autos, durante as intermediações, os denunciados indicavam a chave Pix de Shana para o recebimento dos valores.
- Com base nas provas reunidas no inquérito, a Justiça decretou a prisão preventiva dos investigados, sob o argumento de garantir a ordem pública.
Liberdade negada
Ao todo, já foram impetrados quatro habeas corpus no TJDFT — um deles nesta quarta-feira (26/8) —, além de outro pedido apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
*Metrópoles/Foto: Imagem cedida ao Metrópoles



