Quem é o fazendeiro foragido da Justiça acusado de fornecer cocaína ao PCC

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A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) negou, nessa segunda-feira (24/8), um habeas corpus a Yul Neyder Morales Sanchez, o “Crespo”, colombiano condenado no Brasil a sete anos de prisão por associação para o tráfico internacional de drogas. O imigrante e fazendeiro, foragido da Justiça brasileira, é suspeito de fornecer cocaína para o Primeiro Comando da Capital (PCC). A defesa nega as acusações.

No voto que negou o habeas corpus, a ministra Carmen Lúcia reforçou a descrição de Crespo feita pelo ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça (STJ): “Yul Neyder é estrangeiro, grande produtor e fornecedor de cocaína para narcotraficantes brasileiros e estrangeiros, movimentando expressiva quantidade da droga, o que denota que são pessoas com personalidades e condutas sociais voltadas a pratica de graves ilícitos, primordialmente, o tráfico transnacional de cocaína”.

Na mira da PF e da Interpol

Yul entrou na mira da PF após os investigadores interceptarem comunicações entre integrantes da Célula Porto, grupo responsável por escoar drogas para a Europa pelo Porto de Santos, na Baixada Santista, com integrantes do PCC. O principal elo do colombiano com a facção paulista é um homem identificado como Ademir e conhecido como “Farias”.

A partir da interceptação, a PF descobriu que Yul e o pai dele, Cristobal Morales Velasquez, o “Papi Supremo”, são produtores e fornecedores de cocaína vinda da Bolívia. Os dois têm uma fazenda de produção e refino da droga no país vizinho, e agiam como fornecedores de grande porte para múltiplos grupos criminosos, no Brasil e no exterior.

Em 27 de março de 2014, a PF flagrou uma entrega do grupo próximo a uma lanchonete da rede McDonald’s em Santos, no litoral paulista.

Ele foi detido em setembro daquele ano na Colômbia graças a um alerta vermelho da Interpol, mas acabou solto depois após o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) lhe conceder um habeas corpus. A justificativa foi o excesso de prazo na instrução criminal, já que o Ministério Público Federal (MPF) ainda não havia apresentado denúncia contra o narcotraficante. Yul nunca mais foi capturado pela Justiça.

Em março deste ano, a 5ª Vara Federal de Santos ordenou a expedição de novo mandado de prisão contra o colombiano e determinou a reinclusão do nome dele na Difusão Vermelha da Interpol. O juízo também reforçou o interesse na extradição do foragido “por meio das vias diplomáticas”.

Fazendeiro da coca

As investigações brasileiras em torno de Crespo colocam o fazendeiro como uma peça no topo da cadeia do narcotráfico. Segundo o apurado, junto do pai, Yul opera uma infraestrutura de produção própria, além de uma complexa rede de exportação marítima de cocaína com destino à Europa, especialmente à Antuérpia, na Bélgica.

Os investigadores apontam que pai e filho produzem a droga em larga escala. Em 27 de fevereiro de 2014, Yul chegou a enviar fotos da fazenda que tem na Bolívia ao traficante brasileiro Anderson Lacerda Pereira, o “Dido”, líder de uma quadrilha especializada no envio de drogas para fora do país por meio do Porto de Santos.

Yul e o pai atuariam de maneira autônoma e abasteceriam diferentes quadrilhas de narcotraficantes no Brasil simultaneamente. Após a cocaína entrar em território nacional, ela era inserida e camuflada dentro de contêineres cargueiros para burlar as fiscalizações alfandegárias. Os contêineres eram embarcados em navios da companhia marítima internacional Grimaldi Lines.

As negociações envolviam altos valores financeiros. Em um diálogo interceptado pela Polícia Federal (PF) em março de 2014, Dido disse a Yul que compradores estrangeiros, um deles identificado como “Sr. de Espanha”, haviam pago mais de 251 mil euros por uma das remessas da droga. O montante totalizava R$ 778,1 mil na época.

Defesa nega acusações

O advogado Felipe Kirchner Bello, que representa Yul, argumenta que o processo condenatório possui “graves problemas jurídicos e probatórios”. “A condenação ainda é objeto de discussão judicial e [há] ilegalidades que entendemos terem ocorrido ao longo do processo”, disse, em nota.

A defesa argumenta que “a imputação contra o Yul foi construída essencialmente a partir de interceptações telemáticas e da atribuição a ele de determinados codinomes, sem reconhecimento formal, perícia de voz, correlação técnica de linhas telefônicas, aparelhos, cadastros ou dados biométricos que estabeleçam de maneira segura essa identificação”.

Kirchner alega ainda que os elementos utilizados na condenação se referem a um episódio específico, “sem demonstração de reiteração, continuidade ou integração duradoura a uma organização”.

Fonte: Metrópoles/Foto: Otavio Augusto/Metrópoles

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