Integrantes de uma célula do Comando Vermelho (CV) que monitorava embarcações das forças de segurança nos rios do Amazonas trabalhavam em sistema de “escala” e recebiam cerca de R$ 100 por plantão. A informação foi divulgada pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) nesta quinta-feira (27), durante a Operação Visão Noturna, que prendeu seis suspeitos e cumpriu 12 mandados de busca e apreensão.
Segundo o Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), o grupo acompanhava a movimentação de embarcações das polícias Civil e Militar em áreas da Região Metropolitana de Manaus para repassar informações a traficantes e facilitar o transporte de drogas.
De acordo com o diretor do DRCO, delegado Mário Telles, os suspeitos atuavam em esquema de plantão e eram remunerados para monitorar as ações das forças de segurança durante a noite.
As investigações apontam que o grupo utilizava câmeras instaladas com vista para o Rio Negro, na região do Educandos, na Zona Sul de Manaus, além de aplicativos de mensagens para compartilhar informações sobre a movimentação policial.
“Então, eles eram integrantes desse grupo de mensagens e conseguimos apurar hoje ainda, no cumprimento dos mandatos, que eles faziam uma espécie de escala, eles eram remunerados, acredito que era no valor de R$ 100 por noite, para passar a noite, claro, monitorando as ações das forças de segurança”, disse Mário Telles.
Grupo enviava alertas para mudar rotas de embarcações com drogas
Segundo a investigação, os suspeitos monitoravam a movimentação das forças de segurança em locais como a orla de Manaus, o Furo do Paracuúba e áreas dos municípios de Iranduba e Manacapuru.
Quando identificavam embarcações da Polícia Civil ou da Polícia Militar, eles repassavam as informações em tempo real por meio de um grupo de mensagens chamado “Visão Noturna”.
De acordo com a polícia, os avisos permitiam que traficantes alterassem as rotas de embarcações carregadas com drogas para evitar fiscalizações e abordagens durante o trajeto da região de fronteira até Manaus.
Além do monitoramento, os investigados também davam suporte logístico ao transporte de grandes carregamentos de drogas destinados a abastecer a facção criminosa na capital.
Investigação começou após apreensão de drogas
A operação é resultado de uma investigação iniciada após a apreensão de cerca de 4,5 toneladas de drogas em uma balsa, em fevereiro deste ano, na região de Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus.
A partir da apreensão, a polícia identificou a atuação da célula e descobriu que os integrantes recebiam ordens de líderes do Comando Vermelho, muitos deles foragidos do Amazonas.
As diligências continuam para identificar outros possíveis integrantes e esclarecer como funcionava a estrutura usada pelo grupo para monitorar as forças de segurança e apoiar o transporte de drogas.
A operação contou com o apoio de equipes do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), Departamento de Repressão a Furtos e Roubos (DERFD), Departamento de Polícia Fluvial (Deflu), Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) e Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).
*G1/AM/Foto: Divulgação PF



