Por Gabrielle Moura – Jornalista
O jornalista Neuton Correa voltou ao centro das atenções e não por um bom motivo. Depois de fazer uma matéria em seu site de notícias criticando o vídeo da pré-candidata ao governo do Amazonas, Maria do Carmo, que parabenizou a ação policial no Rio de Janeiro, Correia parece ter esquecido do próprio histórico de declarações polêmicas e, para muitos, indefensáveis.
É no mínimo irônico que alguém que já foi lembrado por ter feito comentários comemorativos sobre o atentado de 11 de setembro, uma das maiores tragédias da história recente, se sinta à vontade para apontar o dedo contra quem elogia o trabalho das forças de segurança brasileiras. A memória da internet não perdoa, e até hoje Neuton Correa ainda não teve a hombridade de vir a público pedir desculpas por ter tratado com leviandade um ato terrorista que matou milhares de inocentes.
Criticar uma pessoa por reconhecer o esforço de policiais que arriscam a vida em operações é um direito dele, mas é impossível de ignorar a tamanha contradição do senhor jornalista que parece não ter aprendido nada com a vida: quem aplaudiu a morte de inocentes não pode se colocar como autoridade moral sobre temas que envolvem justiça, segurança e humanidade.
A postura de Correia revela um problema cada vez mais comum entre figuras públicas: a seletividade moral. Quando convém, falam em “valores” e “vida humana”, mas quando se trata de rever os próprios erros, o silêncio impera. O jornalista, que gosta de cobrar coerência de políticos e comentaristas, parece não aplicar o mesmo rigor a si mesmo.
Enquanto Maria do Carmo segue com seu discurso voltado à valorização das forças de segurança, Neuton Correa perde mais uma oportunidade de mostrar que aprendeu com o passado. E, até que venha a público reconhecer seus equívocos, faltará a ele legitimidade para se colocar como referência ética em qualquer debate.
Gabrielle Moura é jornalista, assessora de comunicação, especialista em jornalismo político e comentarista política no programa Boa Noite, Amazônia.




