Alckmin critica juros e diz que metade da dívida do país é “selicada”

Publicado em

O presidente em exercício da República, Geraldo Alckmin (PSB), disse nesta quinta-feira (22/6) que “não há nada pior” para a “questão fiscal” do que uma Selic “desnecessariamente elevada”.

Em conversas com jornalistas, Alckmin criticou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano – patamar em vigor desde agosto de 2022.

Segundo Alckmin, cada ponto percentual da taxa Selic custa R$ 38 bilhões. Ele citou o impacto fiscal que a manutenção da taxa provoca, uma vez que, de acordo com ele, “metade da dívida pública brasileira é ‘selicada’”.

“Essa manutenção da taxa Selic não prejudica apenas a atividade econômica na medida em que inibe investimento, dificulta o comércio, prejudica a indústria, o setor do agro. Mas ela também tem outro impacto, que é do ponto de vista fiscal, porque quase metade da dívida pública brasileira é ‘selicada’”, afirmou.

As decisões do Copom de manter a Selic em 13,75% têm sido alvo frequente de críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de ministros do governo.

Nos últimos meses, o governo tem pressionado o Banco Central a reduzir a taxa de juros. A avaliação é que o atual patamar da Selic inibe o crescimento da economia, como defendeu Alckmin nesta quinta. “O problema não é ter ido em 13,75%, mas é mantê-la por tanto tempo”, disse o presidente em exercício.

Mais cedo, o presidente Lula disse que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, “joga contra a economia brasileira” ao comentar a manutenção da taxa Selic.

“Não se trata de o governo brigar com o Banco Central. Quem está brigando com o Banco Central é a sociedade brasileira. É irracional o que está acontecendo no Brasil, você ter uma taxa de 13,75% com uma inflação de 5%”, disse o presidente durante agenda na Europa.

Copom pede “paciência” e “serenidade”

No comunicado sobre a decisão, o Copom disse que a política de manter a taxa em 13,75% vem surtindo os efeitos desejados de segurar a inflação e afirmou que o momento é de “paciência” e “serenidade”.

“O comitê avalia que a conjuntura demanda paciência e serenidade na condução da política monetária e relembra que os passos futuros da política monetária dependerão da evolução da dinâmica inflacionária”, afirma a nota.

Foto:Vinicius Schmidt/Metropoles

*Metrópoles

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Assine Grátis!

Popular

Relacionandos
Artigos

Entenda as funções de dirigentes da Amazonprev em esquema milionário envolvendo o Banco Master

Os três dirigentes da Amazonprev investigados por suspeitas de...

Festa em boate no Chile tem 3 mortos e um ferido após mais de 70 tiros

Um tiroteio deixou três mortos e um ferido durante...

Mendonça autoriza que visitas da defesa a Vorcaro não sejam gravadas

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou, nesta...

Cristian Ribera conquista prata histórica para o Brasil nas Paralimpíadas de Inverno

O dia 10 de março de 2026 está gravado...