Uma semana depois da polêmica batida com o companheiro de equipe Pierre Gasly no GP de Mônaco, a Alpine decidiu que não vai renovar o contrato de Esteban Ocon, que termina ao fim deste ano. O francês tentou uma ultrapassagem improvável contra o colega e acabou batendo, tendo seu carro erguido do chão e abandonando com danos no assoalho. Sua parceria com o time durou cinco anos.
– Tivemos grandes momentos juntos, mas também alguns momentos difíceis, e certamente sou grato a todos na equipe por essas lembranças memoráveis. Anunciarei meus planos muito em breve, mas, enquanto isso, meu foco total está em fazer um bom trabalho na pista para esta equipe e ter um restante de temporada bem-sucedido – anunciou o piloto.
Ocon e Gasly são companheiros de equipe desde 2023, quando Fernando Alonso deixou a Alpine e foi para a Aston Martin. A dupla já colidiu algumas vezes, com responsabilidade compartilhada; nos GPs da Austrália e Hungria de 2023, e agora, em Mônaco. O risco de colisões entre eles, que chegaram a ser desafetos antes da parceria na F1, foi alertada pela equipe no momento da contratação de Pierre.
Eliminado no Q2 em Monte Carlo, Ocon largou em 11º, logo atrás de Gasly. Na largada, tentou passar à frente do companheiro de equipe, na curva Portier, na entrada do túnel – área incomum para ultrapassagens. Os dois bateram e o carro do também francês Gasly catapultou o do companheiro.
– O ataque de Esteban excedeu completamente os limites. É exatamente o que não queríamos ver e haverá consequências. Vamos tomar uma decisão difícil. A Portier não é um local para fazer movimentos, não deixando espaço para o companheiro de equipe – disse Bruno Famin, chefe da Alpine, na ocasião.
O gestor também comentou sobre a saída do piloto de sua equipe, nesta segunda-feira:
– Ainda temos 16 corridas para completar em 2024, com um objetivo claro: continuar a trabalhar incansavelmente como uma equipe para obter os melhores resultados na pista. Desejamos a Esteban o melhor para o próximo capítulo de sua carreira.
Além do abandono, Ocon ainda foi punido com a perda de cinco posições no grid de largada da próxima corrida, o GP do Canadá, em 9 de junho. O episódio fez surgir rumores de que ele poderia ser punido com a não-participação na prova.
Neste caso, a Alpine deve acionar seu piloto reserva, Jack Doohan. O australiano de 21 anos já participou de treinos pela equipe francesa, o último deles no GP de Abu Dhabi de 2023, quando foi o 13º mais rápido – o quarto entre os dez novatos naquele TL1.
Nas redes sociais, Ocon pediu desculpas pelo acidente e reconheceu a culpa.
Histórico difícil com colegas
Formado pela Academia de Pilotos da Mercedes, Ocon estreou na F1 em 2016. Após passagens pela Manor e a antiga Force India/Racing Point (atual Aston Martin), ficou um ano fora da categoria e retornou em 2020 com a Renault – que passou a se chamar Alpine a partir de 2021.
Foi com a equipe que o francês conquistou sua primeira vitória da carreira, no caótico GP da Hungria de 2021 após largar em oitavo. Ele conquistou ainda mais dois pódios, no GP de Sakhir de 2020 e no GP de Mônaco de 2023, nos quais foi segundo e terceiro colocado respectivamente.
Ocon, porém, teve um histórico de desentendimentos com seus companheiros de equipe: bateu no GP de Abu Dhabi com o colega da Manor, Pascal Wehrlein, em 2016; nos dois anos seguintes, teve uma série de atritos com Sergio Pérez.
O francês chegou a publicar na internet que o colega tentou matá-lo após a terceira batida entre eles em 2017, no GP da Bélgica. No ano seguinte, a Racing Point os proibiu de disputar na pista após mais colisões.
Depois de um 2020 tranquilo com Ricciardo e um 2021 pacífico com Fernando Alonso, as coisas voltaram a esquentar entre Ocon e seu vizinho de garagem: a dupla protagonizou uma série de batidas que, somadas à falta de confiabilidade do carro, tirou a paciência do bicampeão – e fez Esteban adotar um tom “sincerão”, afirmando ter feito “98% do trabalho sozinho”.
Fonte: Globo Esporte/Foto: Clive Rose/Getty Images
