De um lado, Vini Jr, Raphinha, Casemiro e Matheus Cunha. Do outro, Kylian Mbappé, Dembélé, Olise e Tchouaméni, só ó para citar algumas estrelas. Sem contar que, na beira do campo, estarão nada menos que Didier Deschamps e Carlo Ancelotti. Apesar de todos estes nomes capazes de lotar qualquer estádio, o maior valor do amistoso Brasil x França, às 17h (de Brasília), em Boston, é outro. Ao menos para os brasileiros. É o jogo que dirá em que nível se encontra o trabalho realizado pelo italiano até aqui.
Dado o prazo apertado (apenas 10 meses no cargo), Ancelotti precisou acelerar etapas. Avançou o suficiente para dar à seleção uma identidade, algo que ela não teve na maior parte do conturbado ciclo para 2026. Mas a verdade é que seu trabalho ainda não foi testado contra adversários que costumam frequentar as fases mais agudas da Copa do Mundo.
E, mesmo nessa elite do futebol, poucos rivais representam um teste tão difícil quanto a França. Se, coletivamente, a atual vice-campeã do mundo encontra outras equipes à sua altura, em termos de quantidade de talentos individuais ela não vê ninguém ao seu lado.
Enfrentar um ataque com Mbappé, Doué, o atual melhor do mundo, Dembelé, e o forte candidato à próxima Bola de Ouro Michael Olise — municiados por Tchouaméni e Rabiot — será a prova de fogo para o sistema de jogo com quatro atacantes implementado por Ancelotti assim que assumiu. A estratégia só foi usada contra seleções que não representavam uma grande ameaça ao sistema defensivo brasileiro, como Paraguai, Chile e Coreia do Sul. Na frente, tudo funcionou bem. Mas só agora o equilíbrio entre ataque e defesa será de fato avaliado.
— Tenho pensado no melhor modelo de jogo para a equipe, considerando as características dos jogadores. O modelo que queremos é com quatro na frente. Será um teste muito importante, mas queremos jogar fluido, controlando o jogo e tentando fazer bem as duas coisas. A equipe precisa de equilíbrio, defender bem e jogar com a bola. Os quatro da frente têm qualidades para mostrar — afirmou Carletto, já antecipando os perigos que esperam pelo Brasil:
— O aspecto mais perigoso é a velocidade na França. É importante ter equilíbrio. Estamos focados na nossa qualidade, que é muita. O Brasil também pode contra-atacar, ter a posse de bola e se defender muito bem.
O teste só não será melhor porque os desfalques levarão o Brasil a jogar com uma linha defensiva reserva. Do meio para trás, Casemiro é o único titular.
Alisson, Alex Sandro e Gabriel Magalhães foram cortados por lesão; com dor, Marquinhos será preparado para o jogo contra a Croácia, na terça; Bruno Guimarães, contundido, sequer foi convocado. Na lateral-direita, Ancelotti deu a entender que deve utilizar um zagueiro improvisadona Copa. Éder Militão, testado na função contra o Senegal, também se recupera de um problema médico.
Para se ter uma ideia do tamanho do desafio, o quarteto de atacantes da França soma 83 gols por seus clubes e pela seleção na temporada. Mais da metade deles (43) foram marcados por Mbappé, companheiro de Vini no Real Madrid e ex-comandado do próprio Ancelotti.
— Mbappé marcou muitos gols no ano passado. Agora é um rival. Temos que defender bem contra ele. É um jogador muito rápido, com qualidade, efetivo na finalização — comentou o técnico.
Quem deve travar um duelo particular com o centroavante francês é Léo Pereira, confirmado entre os titulares. Outro confronto a se observar será entre Wesley e Doué, pela direita. Bem cotado para estar entre os 26 da Copa, o lateral brasileiro tem atuado mais na esquerda pela Roma e nunca teve a fase defensiva como seu ponto forte.
Outro que também está com um pé na Copa e será testado defensivamente é Douglas Santos. O lateral do Zenit terá que dar conta dos avanços de Dembelé e de Olise, que se revezam pelo corredor.
Seja a nível coletivo ou individual, o amistoso dará uma ideia do estágio em que a seleção se encontra. E o quanto falta avançar até a Copa.
Brasil x França – amistoso
- Local: Boston, nos Estados Unidos
- Horário: 17h (de Brasília)
- Árbitro: Guido Gonzalez Jr (EUA)
- Transmissão: TV Globo, Sportv e GE TV (YouTube)
Prováveis escalações:
Brasil
Ederson, Wesley, Ibañez (Bremer), Leo Pereira e Douglas Santos; Casemiro e Andrey Santos; Martinelli, Raphinha, Matheus Cunha e Vini Jr.
França
Maignan, Gusto, Upamecano, Konaté e Digne; Tchouaméni e Rabiot; Dembélé, Olise e Doué; Mbappé.
Fonte: O Globo/Foto: Rafael Ribeiro/CBF




