Início Esportes Análise: como a Sauber saiu do último lugar para ser a surpresa...

Análise: como a Sauber saiu do último lugar para ser a surpresa da F1?

0

Há exatamente um ano, na véspera do GP da Holanda de F1, Gabriel Bortoleto, então piloto da F2, teve sua primeira reunião com a Sauber em busca de uma vaga em 2025. Naquela altura, o time era o último colocado no Mundial de Construtores e tinha como pilotos Valtteri Bottas e Guanyu Zhou.

A reformulação completa começou também em agosto de 2024 com a chegada do italiano Mattia Binotto para liderar “o projeto Audi”, já que a montadora alemã assumirá a Sauber a partir de 2026.

Mas porque a Sauber teve uma melhora tão grande neste ano na F1? É claro que a explicação envolve muitos fatores, mas o principal é justamente a mudança de mentalidade do time. Com a chegada da Audi, o time tem a garantia de orçamento para sonhos maiores na categoria. E isso ajuda a mudar a mentalidade da equipe, que passa a pensar como um time grande – e não apenas sobreviver.

Com a experiência de liderar um time como a Ferrari e mexendo em pontos estruturais já para 2025, Binotto conseguiu fazer da Sauber a grata surpresa deste ano, subindo para a sexta colocação no Mundial de Construtores e tendo uma ascensão meteórica desde que trouxe os upgrades do carro no GP da Espanha.

Da prova em Barcelona, em maio, a Sauber colocou de forma consecutiva pelo menos um de seus carros nos pontos. Bortoleto conseguiu também se classificar três vezes para o Q3, mostrando a franca evolução do time.

O mais claro impacto disso foi a troca da dupla de pilotos de 2024 para 2025. Bottas não parecia motivado o suficiente para desenvolver um carro que andava nas últimas colocações e Zhou, por mais que trouxesse bons patrocinadores, já estava em seu terceiro ano na categoria e sem brilhar como uma promessa de futuro talento na F1.

A aposta em trazer Hulkenberg, com mais de 200 GPs na F1 como Bottas, mas muito mais motivado, já que sequer havia conquistado um pódio até 2024, se mostrou acertada. E a composição de um piloto experiente com um jovem talento é sempre a melhor aposta para um time que quer crescer, já que o novato chegará com muita velocidade e pressionará o experiente a ter sua melhor performance.

Foi o que Gabriel Bortoleto fez logo em seu primeiro GP da F1, classificando o carro da Sauber para o Q2 e ficando na frente de Hulkenberg. O próprio alemão credita a evolução do time como um todo por ter no brasileiro um companheiro de equipe muito competitivo.

Binotto acertou na escolha dos pilotos, mas não parou por aí. Ele seguiu trazendo pessoas chaves para o desenvolvimento da Sauber – o movimento mais evidente foi a chegada de Jonathan Wheatley, que saiu da Red Bull para iniciar o trabalho de chefe de equipe na Sauber a partir do GP do Bahrein.

Não por acaso, nesta prova, Bortoleto fez após a corrida um desabafo, dizendo que sem upgrades no carro o time não teria o que fazer na temporada 2025 a não ser andar lá atrás. Era visível seu desapontamento com o andar da temporada até ali.

Mas é claro que, enquanto isso, a Sauber já trabalhava em novidades de um pacote aerodinâmico que trouxe uma pequena revolução foi no GP da Espanha. A equipe seguiu trazendo mais inovações no carro – algo que um time pequeno não faria, já que estaria apenas focado no carro de 2026, que trará uma enorme mudança em termos de regulamento e, portanto, exigirá muito investimento.

Estas novidades não são “dinheiro jogado fora”: além de ajudar a trazer mais pontos e maior orçamento no final do ano (quanto mais alto o ranking do time nos Construtores, maior distribuição de dinheiro por parte da F1), a área onde os upgrades estão sendo implementados já são também pensados em trazer benefícios para o projeto de 2026, como me garantiu um integrante da equipe. Muitos destes conceitos já são pensados também para áreas do carro do ano que vem.

Por isso, as próximas 10 corridas mostram que a Sauber ainda pode surpreender – e não estacionar o seu desenvolvimento. É verdade que saltar da última colocação para o sexto é uma coisa, subir agora para incomodar as cinco equipes principais já é outra história. Mas o GP da Hungria mostrou que Bortoleto, mesmo sendo um novato, já tem moral na equipe para pedir mudanças no carro a ponto de torná-lo competitivo da sexta-feira para o sábado, após um péssimo dia de treinos em Budapeste.

Este tipo de mentalidade de equipe grande gera em todo time um entusiasmo para executar o trabalho perfeito em todas as áreas. Os pit stops da Sauber, por exemplo, também tiveram melhora grande de 2024 para agora. É certo que a fase final do calendário trará pistas onde Bortoleto não teve experiência prévia, mas ele já mostrou que sua rápida adaptação a uma novidade é uma de suas qualidades.

“De onde a gente começou para onde a gente está, é outro mundo”, disse Bortoleto para o ge em sua passagem de férias no Brasil nesta semana. E não tem como discordar dele: a Sauber agora está no mundo de quem sonha alto – e é este tipo de mentalidade que costuma prosperar na F1.
Fonte: Globo Esporte/Foto: Bradley Collyer/PA Images via Getty Images

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Sair da versão mobile