O GP do Canadá é apenas a quinta etapa do Mundial de F1, mas inicia uma maratona de sete corridas em dez finais de semana, o que torna a prova deste domingo particularmente importante para as equipes que buscam reação no campeonato.
Este é o caso de Gabriel Bortoleto e sua equipe, a Audi. Depois de um ótimo começo na Austrália, onde marcou pontos na estreia, com o nono lugar em Melbourne, o time não conseguiu terminar nenhuma outra prova na zona de pontuação.
A velocidade e o ritmo de prova do brasileiro e de Nico Hulkenberg não são problemas até aqui: os dois andam sempre próximos do top-10, com boas chances de marcar pontos na maioria das corridas. O problema é a confiabilidade, e nesta quinta-feira em Montreal foi a primeira vez que tanto o brasileiro quanto o alemão abriram o jogo sobre esta questão.
Com a ressalva de que o projeto Audi está em seu início, e que seria mais do que natural encontrar este tipo de situação nos primeiros GPs de 2026, Bortoleto e Hulkenberg explicam que a maior dificuldade tem sido justamente no ponto mais complicado do novo regulamento: a unidade de potência.
Desde o início do ano, a gente tem comentado como o desafio da Audi, de desenvolver o motor a combustão e o elétrico totalmente do zero, é bem maior do que a de outra estreante, a Cadillac, que, embora não tenha comprado uma estrutura anterior de time (como a Audi fez com a Sauber), usa câmbio e motores Ferrari. A Chevrolet só deve fabricar sua própria unidade de potência a partir de 2028.
Outro esperado problema para a Audi é que ela só fornece motores para o seu próprio time, enquanto a Mercedes recebe dados de sua equipe e outras três clientes, com McLaren, Williams e Alpine ajudando no desenvolvimento deste projeto. A comparação mais justa da situação da Audi seria com a Honda da Aston Martin – ainda que a fábrica japonesa já estivesse ligada a Red Bull nos anos anteriores.
Se compararmos a performance de Bortoleto e Hulkenberg com Alonso e Stroll, vemos o tamanho do progresso da equipe Audi em seu primeiro ano. E isso se deve também ao ótimo chassi R26, que certamente é um dos mais competitivos do grid. Segundo fontes ouvidas pelo ge.globo aqui em Montreal, o carro da Audi tem desempenho em curvas de média e alta velocidade comparável a dos carros de ponta, como a McLaren.
Isso quer dizer que no GP do Canadá Bortoleto pode brigar por pontos e um lugar no top-10, ainda que seja uma pista que exige muito da unidade de potência.
Em Mônaco, a situação tenderia a melhorar, mas o motor da Audi ainda sofre com a arrancada em curvas de baixa velocidade, sobretudo em primeira marcha. Talvez Budapeste possa ser o verdadeiro veredicto para saber o quão bom é o chassi da equipe alemã – isso, claro, contando que o time e seus rivais estarão trazendo muitas atualizações até lá.
Bortoleto está certo em pedir paciência para a torcida brasileira. Seu projeto de longo prazo com a Audi é muito mais promissor do que um piloto com contrato com um time pequeno ou médio, como era a Sauber. Mattia Binotto, CEO da Audi na F1, tem plena confiança no talento e potencial do brasileiro, com seu comprometimento sendo sempre elogiado – o brasileiro costuma sempre ser o primeiro a chegar e o último a sair do paddock.
O esforço e trabalho intenso costumam ser recompensados na F1 – mas nem sempre na velocidade que os torcedores e, por que não, os acionistas esperam. O GP do Canadá marca o início de uma maratona de sete corridas em dez finais de semana e é a oportunidade ideal para que a Audi mostre que, com uma melhor confiabilidade, pode se firmar na briga contra Alpine, Haas, Williams e Racing Bulls como a melhor do pelotão intermediário.
Fonte: Globo Esporte/Foto: Clive Mason/Getty Images via AFP
