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Análise: vitória em Austin mostra porque Kimi Antonelli merece o título de campeão da F1

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O piloto Kimi Antonelli é o mais novo campeão mundial de F1. É claro que a frieza dos números ainda não fechou o campeonato, mas as próximas cinco etapas serão apenas um protocolo para colocar o nome do jovem italiano de apenas 20 anos nos livros de história do esporte.

Com uma vitória impressionante no GP dos Estados Unidos, disputado neste domingo, no Circuito das Américas, em Austin, Antonelli abriu 123 pontos de vantagem sobre George Russell e 124 sobre Lewis Hamilton. Com 5 corridas, restam apenas 125 em jogo.

Então, o italiano só precisa de um nono lugar em qualquer uma destas provas ou, o que é ainda mais improvável, Russell e Hamilton precisam vencer absolutamente todas as provas até o final do ano – se Verstappen vence o GP do México, por exemplo, Kimi é campeão mesmo sem estar no top-10.

Então, quando relembrarmos a temporada 2026, não importa o que venha acontecer no México ou mesmo em Interlagos, será a atuação de gala de Kimi em Austin o maior exemplo de como um jovem talento como ele fez seu nome na F1. Em uma pista onde Ferrari e Red Bull apareciam como favoritas, ele fez a pole e dominou a corrida praticamente de ponta a ponta – só na primeira volta, abriu mais de 2 segundos de vantagem, se aproveitando da briga das Ferraris e Verstappen pelo segundo lugar.

Na entrevista oficial da FIA após a corrida, perguntei a Antonelli como ele classificava a vitória aqui em Austin, em especial na comparação com a de Monza, quando ele teve que largar no final do grid por conta da troca de motor.

A vitória da Itália foi especial, mas nos Estados Unidos teve maior grandeza, respondeu o piloto da Mercedes. Basta olhar que George Russell, seu companheiro de equipe, ficou apenas na oitava colocação.

O britânico também explicou que Antonelli se adaptou melhor aos novos upgrades e a esta nova dirigibilidade dos carros de F1 no novo regulamento de 2026, que privilegiam um estilo parecido com o do italiano desde o kart, de entrar forte na curva e frear o mais dentro possível. Mas isso é a F1: o piloto que melhor se adapta (e de forma mais rápida) ao carro da maior categoria do automobilismo é quem merece o título de campeão.

E foi esta rápida capacidade de adaptação que faz de Antonelli o grande nome da F1 em 2026. Em um primeiro momento, parecia que o Russell teria essa vantagem por ter mais experiência, começando os testes de pré-temporada mostrando mais potencial e vencendo o GP de abertura na Austrália.

Mas logo o Kimi Antonelli deu a volta por cima e reagiu em um momento em que a Mercedes tinha com sobras o carro dominante do grid. No meio do ano, quando Ferrari e McLaren, e agora nos últimos GPs, Red Bull equilibraram o jogo, o italiano já garantiu uma ótima margem no campeonato.

Talvez por isso ele tenha valorizado tanto a conquista de hoje. Não há mais consenso se a Mercedes tem o melhor carro do grid. A própria Ferrari mostrou boa força em ritmo de prova com Charles Leclerc, que venceu a batalha com Verstappen pelo segundo lugar – foi a melhor briga da corrida, que teve até Lando Norris em um momento arriscando uma estratégia diferente com a McLaren.

Antonelli também admitiu que chegou aos EUA pressionado – era seu primeiro match point. No papel ainda faltam dois pontos, é verdade, mas ele sabe que agora o sonho de ser campeão mundial de F1 é apenas uma questão de dias.

Com um regulamento tendo poucas mudanças significativas para 2027, será interessante ver se Kimi consegue inaugurar uma era de domínio como outros fenômenos que vieram antes dele, caso de Verstappen. Pelo que fez em Austin, Antonelli mostrou que está pronto para isso.

Para o Brasil, o saldo foi positivo com a evolução de Gabriel Bortoleto, que fez a maior escalada do dia saindo de 21º lugar (já que Lance Stroll largou dos boxes) para 13º. É verdade que a corrida agressiva do brasileiro, com boas ultrapassagens sobre carros do pelotão da Audi, como Williams, Aston Martin, Haas e Alpine, não rendeu pontos, mas mostrou que a deficiência de motor que o brasileiro sofreu nas últimas corridas ficou para trás.

A corrida em Austin teve poucos abandonos e as quatro equipes grandes monopolizaram a zona de pontuação. A boa notícia é que México e Interlagos tendem a favorecer ainda mais o conjunto da Audi e Bortoleto tem tudo para voltar aos pontos neste GP.

Fonte: Globo Esporte/Foto: IMAGN IMAGES via Reuters/Jerome Miron

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