A Polícia Federal conseguiu acessar integralmente o conteúdo de ao menos um dos celulares de Daniel Vorcaro, empresário ligado ao Banco Master, durante as apurações da Operação Compliance Zero.
Entre os aparelhos analisados está um iPhone 17 Pro Max, além de outros telefones atribuídos ao investigado.
De acordo com fontes envolvidas na investigação, o material reúne mensagens, áudios, fotos e registros de aplicativos, inclusive diálogos com autoridades que ocupam cargos relevantes.
A PF agora faz a separação do conteúdo ligado a possíveis fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional. Informações sem relação com o inquérito serão descartadas.
Após essa triagem, os dados considerados pertinentes seguirão para a Procuradoria-Geral da República e para o Supremo Tribunal Federal. A conclusão do relatório técnico ainda deve levar algumas semanas, já que os investigadores tentam recuperar arquivos apagados.
Mesmo sem autorização da defesa, a Polícia Federal obteve acesso aos celulares de Vorcaro, de parentes, de ex-sócios e do investidor Nelson Tanure.
Em depoimento, o empresário se recusou a fornecer a senha do próprio aparelho, sob o argumento de risco de vazamento de informações pessoais e de relações privadas.
A extração dos dados
A análise ocorreu em uma área de acesso restrito do Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília. O conteúdo extraído já integra os autos encaminhados à Procuradoria-Geral da República.
O material terá peso na definição dos próximos passos do inquérito, sob relatoria do ministro Dias Toffoli, no STF.
Para acessar os dados, a PF utiliza ferramentas especializadas, como o Cellebrite, de origem israelense, e o GreyKey, desenvolvido nos Estados Unidos. Os sistemas permitem a extração de informações armazenadas em celulares com iOS e Android, mesmo quando os aparelhos permanecem bloqueados.
Negativa para acessar celular
No dia em que Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal sobre a negociação envolvendo o BRB (Banco Regional de Brasília), o advogado Roberto Podval justificou à delegada Janaína Palazzo a negativa em autorizar o acesso ao celular do empresário. Segundo ele, a decisão decorreu da falta de confiança na preservação do sigilo.
Antes da acareação entre Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, Podval afirmou que perguntas feitas durante a oitiva teriam chegado à imprensa cerca de 20 minutos após o encerramento do depoimento.
“As perguntas que foram feitas, e aqui o maior respeito pelas autoridades, mas é bom que se diga, as perguntas que foram feitas hoje aqui pela senhora, que eram perguntas ditas pelo ministro, estavam na imprensa noticiadas quando acabou o ato”, disse Podval.
Ainda conforme a defesa, o episódio teria violado a garantia de sigilo do depoimento, condição apresentada pela autoridade policial ao solicitar acesso ao celular do empresário.
“O Vorcaro nem celular trouxe, que era para não ter o risco de nada. E nós somos surpreendidos 20 minutos depois de acabar a audiência com esse fato. É lamentável e deve ser apurado, porque mexe com coisas importantes, com a vida de todos nós”, afirmou o advogado.
*r7/Foto: Reprodução


