Há mais de meio século consolidada como símbolo da integração sul-americana na região amazônica, a Operação BRACOLPER 2025 reúne novamente as Marinhas do Brasil, Colômbia e Peru em uma série de exercícios navais e fluviais no coração da Amazônia. Neste ano, as ações operacionais e cerimoniais se intensificaram com treinamentos conjuntos de assalto ribeirinho, patrulha coordenada e desfiles militares em Letícia (COL) e Iquitos (PER), reforçando laços de confiança e prontidão entre os países.
Exercícios táticos fluviais e inovação operacional trinacional
As águas do Rio Amazonas, maior rio do mundo em volume, serviram como campo de provas para uma série de exercícios combinados entre os meios navais e aeronavais do Brasil, Colômbia e Peru. A Marinha do Brasil destacou os navios “Raposo Tavares”, “Rondônia” e o navio-hospital “Oswaldo Cruz”, além de um destacamento de Fuzileiros Navais e um helicóptero do Esquadrão HU-91.
Entre as manobras realizadas, destacou-se o assalto fluvial, que simula o desembarque de tropas em áreas estratégicas com apoio de aeronaves e embarcações. Também foram praticadas ações como leap frog/light line, para reabastecimento entre navios em movimento, atracação sob ameaça assimétrica, que exige máxima coordenação em ambiente hostil, e exercícios de comunicação táctica, incluindo o uso do idioma espanhol para garantir fluidez entre as forças.
As operações reforçaram a interoperabilidade entre os três países e evidenciaram a importância do adestramento conjunto para responder a ameaças na vasta região amazônica.
Integração cultural e diplomática entre Brasil, Colômbia e Peru
Além da dimensão militar, a BRACOLPER também possui um forte caráter diplomático e simbólico, representando o compromisso dos três países com a amizade e a defesa conjunta da Amazônia. As datas nacionais da Colômbia (20/07) e do Peru (28/07) foram celebradas com Desfiles Militares e Desfiles Navais integrados nas cidades de Letícia e Iquitos, com a participação de destacamentos navais brasileiros.
Esses eventos não apenas fortalecem a presença das Forças Armadas nas fronteiras ribeirinhas, mas também promovem a cultura de integração regional, valorizando os laços históricos e sociais que unem as populações da tríplice fronteira.
A participação brasileira foi marcada por respeito, profissionalismo e camaradagem, destacando a diplomacia da Defesa como um vetor importante para a paz e a cooperação sul-americana.
Presença estratégica e defesa da soberania na Amazônia
A região amazônica representa um dos territórios mais estratégicos para os países envolvidos, não apenas por sua riqueza ambiental e biodiversidade, mas também por ser vulnerável a atividades ilícitas como tráfico de drogas, extração ilegal de recursos e ações de grupos armados.
A BRACOLPER, nesse contexto, funciona como instrumento de presença e dissuasão, ampliando a capacidade de resposta das Marinhas frente a ameaças transfronteiriças. O Vice-Almirante João Alberto de Araujo Lampert, Comandante do 9º Distrito Naval, destacou a importância da operação como parte do esforço contínuo para defender, proteger e desenvolver as Amazônias de cada nação.
Neste ano, será implementada pela primeira vez uma patrulha naval trinacional coordenada, entre as fases 2 e 3 da operação, marcando um novo patamar de integração operacional. Essa ação histórica reforça a soberania brasileira na Amazônia, ao mesmo tempo, em que fortalece os mecanismos de cooperação multinacional no continente.
*Fonte: Defesa em Foco/Foto: Agência Marinha


