Carro zero com desconto: governo vai renovar programa e liberar mais R$ 300 milhões

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O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) confirmou que promoverá uma nova rodada de crédito para o programa do governo que barateia o carro zero.

De acordo com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o valor que o governo vai liberar para essa prorrogação do programa será de R$ 300 milhões.

O número de carros vendidos ainda não foi consolidado pela área técnica do ministério, mas o governo decidiu continuar a alimentar o setor automotivo. A primeira rodada do programa injetou R$ 500 milhões para promover descontos de R$ 2 mil a R$ 8 mil em veículos novos.

Apesar de reduzir os preços, a ação foi limitada para compensar a falta de escoamento de produção das montadoras.

Um vídeo feito na manhã desta quarta-feira (28) pelo Globocop, da TV Globo, causou repercussão ao registrar o pátio da montadora Volkswagen, em São Bernardo do Campo, com milhares de veículos à espera de serem vendidos.

O acúmulo de estoque fez a montadora promover mais uma parada de produção em suas fábricas por conta de uma “estagnação do mercado”. Em outras palavras, a empresa continua sentindo a falta de demanda por veículos novos, que causou paralisações das principais montadoras do país no início do ano.

O fenômeno é :

  • os aumentos da taxa básica de juros, a Selic, feitos pelo Banco Central desde 2021, começaram a trazer consequências mais fortes para a economia.
  • uma delas é, justamente, a redução do consumo por meio da dificuldade de concessão de crédito.
  • o encarecimento do crédito junto com a redução do poder de compra da população reduziu o potencial de financiamento e, por consequência, a demanda por carros novos.

As estimativas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) são de que o programa do governo, em sua primeira versão, traria descontos para 110 mil a 120 mil carros neste ano.

A título de comparação, a produção prevista pela associação para 2023 é da ordem de 2,4 milhões de novos veículos, sendo mais de 2 milhões para o mercado interno. Ou seja: o dinheiro despejado pelo governo só trará diferencial de preço para pouco mais de 5% dos novos veículos.

Questionada, a Anfavea não comentou o assunto.

A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), que contabiliza o emplacamento de carros novos no Brasil, também não divulgou números antes de sua coletiva de imprensa, no próximo dia 4.

Preços-base não vão mudar

Mesmo com os pátios lotados, os preços não serão reduzidos, na visão de analistas ouvidos em março.

O excedente de produção, em tese, deveria criar novas condições para a comercialização de veículos — a famosa lei da oferta e demanda da economia —, mas analistas dizem que as montadoras precisam retomar as perdas por conta do momento que viveram durante a pandemia de Covid.

Com custo de produção em alta devido aos entraves logísticos e falta de matéria-prima durante os últimos anos, as empresas precisam recuperar o “dinheiro perdido”. Ainda que as cadeias logísticas tenham melhorado em 2022, houve a guerra na Ucrânia que trouxe novos impactos em preços de commodities necessárias para a indústria.

É o caso de metais usados em semicondutores, peças responsáveis pela condução das correntes elétricas. São chips indispensáveis para a montagem de automóveis e eletroeletrônicos — que também tiveram aumento de demanda durante a pandemia.

Além disso, o mercado está em momento de alta competitividade, já que as montadoras correm contra o relógio em busca de desenvolver veículos que funcionem com novas matrizes energéticas, por exemplo. A eletrificação da linha demanda investimentos em pesquisa e eficiência, para que o produto final tenha preço competitivo dentro do mercado.

Foto:Reprodução/TV Globo

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