Os imóveis particulares desocupados na cidade de São Paulo representam 12 vezes o total de pessoas em situação de rua na capital. Os dados são do Censo 2022 divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística): são 588.978 domicílios sem moradores na capital paulista, enquanto há 48.261pessoas vivendo nas ruas.
O número estimado de quem está em situação de rua é de um levantamento feito pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (POLOS-UFMG), com dados do CadÚnico.
De acordo com o estudo, que levou em consideração apenas as pessoas que estavam registradas no Cadastro Único do governo federal, o município de São Paulo concentra 25% de moradores de rua de todo o Brasil.
A Prefeitura de São Paulo, comandada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), afirmou que “tem ampliado os instrumentos de atendimento para reduzir o déficit habitacional na capital e atender o maior número de famílias” (leia a íntegra da nota ao fim da reportagem).
Presidente da Comissão Nacional de Direito Urbanístico da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Daniela Libório avalia como complexo o tema da população de rua, pois há diversos grupos dentro da temática: além de dependentes químicos, há população LGBTQIA+ e vítimas de violência doméstica.
“No estudo do IBGE vemos que a população mais vulnerável economicamente está aumentando. Pessoas em situação de rua, que é uma parcela complexa, e o poder público lida [com a situação] de forma rasa. Temos pessoas que ficam perambulando pelas ruas e os que efetivamente estão em estado de pobreza”, diz a advogada.
A especialista usa como exemplo o fato de que há famílias inteiras em vulnerabilidade, morando sob viadutos e trabalhadores de carteira assinada que vivem longe do Centro. “Em função de perder 4 a 5 horas do dia no transporte, sem falar no valor, eles moram na rua e voltam para casa no fim de semana. Temos leituras rasas quando se traz a dinâmica da cidade”, afirma.
A quantidade de domicílios sem moradores na cidade de São Paulo mais do que dobrou em 12 anos, entre 2010 e 2022, conforme dados divulgados pelo Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) divulgados nesta semana.
O estudo indica que havia 588.978 casas ou apartamentos considerados vagos no ano passado, número que era de 290.317 em 2010 — o que representa um crescimento de 103%. O IBGE define como domicílio vago aquele que não tinha morador na data do recenseamento (mesmo que tenha sido ocupado posteriormente).
A capital paulista possui 4.983.471 imóveis particulares, de acordo com o Censo 2022. As unidades vagas representam 11,8% do total. O mapeamento divide os tipos de domicílios particulares em permanentes ocupados e não ocupados. Ainda separa em ocupados com entrevistas feitas e não feitas pelos recenseadores.
*G1 / *Foto: Foto: Priscila Nolasco/Futura Press/Estadão Conteúdo
