A China registrou em 2024 um nível recorde de exportações, o que lhe garantiu um superávit também recorde de US$ 990 bilhões, informou a mídia estatal nesta segunda-feira. O maior saldo comercial anterior havia sido registrado em 2022 (US$ 838 bilhões).
A divulgação de números do comércio exterior ocorre uma semana antes da chegada do republicano Donald Trump à Casa Branca. O presidente eleito americano ameaçou impor tarifas sobre os produtos do gigante asiático, o que pode afetar suas exportações. Durante seu primeiro mandato, Trump já havia iniciado uma guerra comercial com os chineses.
As vendas ao exterior representam um dos poucos pontos positivos no desempenho da segunda maior economia do mundo, que cresce lentamente, prejudicada pelo fraco consumo interno e por uma grave crise no endividado setor imobiliário.
Superávit imbatível
Segundo análise o jornal americano The New York Times, quando ajustado pela inflação, o superávit comercial da China no ano passado excedeu em muito qualquer outro no mundo no século passado, mesmo as de potências exportadoras como Alemanha, Japão ou Estados Unidos.
As fábricas chinesas estão dominando a produção global em uma escala não experimentada por nenhum país desde os Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial.
O crescimento chinês, ainda segundo o NYT, atraiu críticas de uma lista cada vez maior de parceiros comerciais. Países industrializados e em desenvolvimento elevaram tarifas de produtos importados da China para conter as compras desses produtos.
As exportações chinesas, de carros a painéis solares, têm estimulado a economia do país. Criaram milhões de empregos, não apenas para os trabalhadores das fábricas, cujos salários ajustados pela inflação quase dobraram na última década, mas também para engenheiros, designers e cientistas de pesquisa de alto rendimento.
Ao mesmo tempo, as importações chinesas de produtos industriais desaceleraram acentuadamente. O país tem incentivado o parque industrial nacional nas últimas duas décadas, principalmente com sua política “Made in China 2025”, para a qual Pequim prometeu US$ 300 bilhões com o intuito de promover a indústria de ponta.
A política tem dado resultado: a China passou importadora de carros para se tornar o maior exportador de veículos do mundo, superando Japão, Coreia do Sul, México e Alemanha. Uma empresa estatal chinesa começou a fabricar aviões comerciais de corredor único, na tentativa de substituir os jatos Airbus e Boeing algum dia, e as empresas chinesas já produzem quase todos os painéis solares do mundo.
Fonte: O Globo/Foto: NYT


