No dia 25 de fevereiro, a publicitária Larissa Carvalho, 22, estava tentando passar seu café com mais agilidade, coando a bebida direto no copo Stanley. O que ela não esperava era ver como se fosse uma explosão do líquido no recipiente, espirrando água quente pelo seu braço, gerando queimaduras de segundo grau. A marca diz que aguarda o contato de Carvalho.
“Coloquei água em uma leiteira no fogão e esperei ferver. Então, peguei um copo Stanley, menor do que os comuns, e coloquei o típico coador brasileiro em cima e comecei a colocar a água”, relata.
Carvalho conta que, no começo, o café estava sendo coado normalmente. Até que, no meio do processo, aconteceu como se fosse uma explosão. “Voou o coador, o café, e a água quente na minha mão. Assim que ela encostou no meu braço, empurrou a pele para trás e começou uma dor insuportável”, lembra.
A publicitária teve queimaduras de segundo grau. Segundo a dermatologista Daniella Cury, especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, essa lesão atinge a epiderme e parte da derme, formando bolhas. Não chega a atingir músculos e ossos, como a de terceiro grau.
A queimadura de segundo grau pode ser manejada em casa colocando imediatamente o membro queimado em água gelada para interromper o calor na pele. “Em seguida, deve-se cobrir a área com curativo úmido: compressa ou gaze estéril embebido em soro fisiológico. Depois que a queimadura secar, pode iniciar o uso de pomadas e hidratantes cicatrizantes”, orienta a dermatologista.
Ainda que o manejo desse tipo de queimadura possa ser realizado em casa, isso muda caso a extensão da área queimada seja grande, como no caso de Carvalho. Ela precisou recorrer ao pronto-socorro para receber o atendimento adequado.
“A dor da queimadura é insuportável. Começou a baixar minha pressão, me dar tontura e eu ficava tentando sentar reta no carro para não desmaiar de dor”, lembra. Assim que chegou no hospital, a publicitária foi levada imediatamente para receber medicamento para amenizar o forte incômodo que estava sentindo.
“Me deram dipirona na veia enquanto o médico não vinha falar comigo. Depois, fizeram um curativo com sulfadiazina de prata. Em seguida, o especialista me passou tramal e a dor passou por completo”, conta. Carvalho foi liberada para casa com a prescrição de paracetamol com fosfato de codeína de 6/6h caso tivesse dor.
Dia seguinte: mudanças no tratamento
Além da medicação, a publicitária deveria continuar aplicando a pomada de sulfadiazina de prata e trocar o curativo diariamente. Só que, no dia seguinte, ela decidiu consultar o sogro, que é médico, e ele mudou o tratamento para queimadura.
“Ele colocou um curativo não aderente, chamado Adaptic, que só vai desgrudando conforme a pele vai cicatrizando. Além disso, fui espirrando um antibiótico por cima dele e trocando a proteção que fica ao redor dele todos os dias da primeira semana”, relata.
De acordo com Cury, pomadas à base de sulfadiazina de prata, combinadas com antibióticos e curativos não aderentes são o tratamento ouro contra queimaduras de pele. “Ajuda a cicatrizar, evita infecção secundária e diminui a dor, pois o curativo oclusivo evita a exposição das terminações nervosas”, completa.
Depois de uma semana do acidente, o sogro suspendeu o uso do antibiótico e orientou Carvalho a começar a passar vaselina no local da queimadura para hidratá-la. A publicitária ainda tem preferido fazer um curativo por cima do Adaptic para que a vaselina não engordure tudo e a região queimada não entre em contato com o sol.
A publicitária ainda se encontra nessa fase do tratamento, aguardando a cicatrização completa da derme para que possa começar a intervenção para que a pele não fique manchada.
“A pele tem que estar totalmente cicatrizada. Quando ela ainda está cor de rosa, devemos apenas hidratar e usar filtro solar. Depois, podemos entrar com cremes clareadores, ácidos, e lasers para cicatriz”, explica Cury.
A especialista diz que leva cerca de 3 meses para a derme se recuperar completamente e, assim, o paciente poder começar a tratar manchas.
O que diz a marca Stanley
Procurada por Marie Claire, a assessoria de imprensa da marca Stanley informou que “a marca se coloca à disposição da consumidora e informa que teve conhecimento do relato pelas redes sociais. No entanto, ainda não foi contatada pela cliente para que seja possível apurar os detalhes, mas está totalmente aberta a ouvi-la através de sua Central de Atendimento, disponível pelo telefone 0800 021 32 78”.
Carvalho, por sua vez, não culpa a marca pelo ocorrido. Inclusive, ela decidiu esclarecer isso até mesmo no TikTok, depois de ser vítima de uma enxurrada de comentários maldosos nas redes sociais.
“Existem copos específicos da marca para passar café. Eles têm um furinho. O que eu acredito que aconteceu no meu caso foi que, ao colocar a água no copo, ela foi preenchendo até não ter mais espaço, o que criou pressão e explodiu. O copo Stanley não tem culpa, mas fica o alerta para as pessoas não fazerem o que fiz”, orienta.
Fonte: Revista Marie Claire/Foto: Arquivo pessoal
