Com o julgamento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que definiu a eleição de Douglas Ruas (PL) ao Governo do Rio de Janeiro no primeiro turno, 91% do eleitorado brasileiro terá que ir às urnas no segundo turno para votar apenas para presidente.
São mais de 145 milhões de brasileiros que darão um único voto no domingo, dia 25 de outubro.
Com o resultado do Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral do país, os 13 estados brasileiros com mais eleitores resolveram as disputas para o cargo de governador no primeiro turno. Ao todo, foram 21 estados que já terminaram a votação, um recorde histórico no país.
Especialistas apontam que a ausência de um segundo turno estadual pode aumentar a abstenção, que já foi alta no último domingo (4). O primeiro turno de 2026 registrou 21,07% de ausentes, o maior patamar em eleições gerais de 1998.
“Nós tivemos um recorde de abstenção no primeiro turno, neste século, e vamos entender como vai ser isso no segundo turno. É uma gama muito grande de estados que não terão segundo turno. O eleitor desses estados teria apenas a eleição presidencial. Se a gente já teve um recorde de abstenção, será que essa abstenção aumenta? Acho que é um dos fatores para esse segundo turno”, afirma o analista político Eduardo Bresciani, em entrevista recente ao RECORD News.
Governos estaduais
O Brasil nunca tinha registrado tantas definições em primeiro turno para os governos estaduais. O recorde até então era de 2010, quando 18 governadores foram eleitos. Na ocasião, os oito maiores colégios eleitorais resolveram suas disputas antes do segundo turno.
Naquele ano, 85% do eleitorado — cerca de 116 milhões de brasileiros — teve apenas um voto para dar no segundo turno. Neste ano, só estão em aberto as eleições estaduais no Espírito Santo, no Amazonas, no Rio Grande do Norte, no Distrito Federal, no Tocantins e no Acre.
Abstenção
Coincidentemente, a abstenção recorde de segundo turno no Brasil até o momento também pertence a 2010, com 21,50%. O pleito daquele ano também teve a maior ampliação na ausência entre primeiro e segundo turno, com mais de 3 pontos percentuais — salto de 18,12% para 21,50%.
Como comparação, em 2018, quando 13 governadores foram eleitos no primeiro turno, a abstenção subiu menos de um ponto percentual.
A abstenção está no cálculo das campanhas presidenciais. Lula aposta na redução dessa parcela do eleitorado para conseguir reverter o resultado de primeiro turno, em que ficou mais de 2 milhões de votos atrás de Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, Flávio registrou melhor desempenho em estados onde mais eleitores se abstiveram.
Entre os treze maiores estados que não terão segundo turno para governador, Lula venceu em seis e Flávio Bolsonaro em sete. O tamanho do eleitorado pesa contra Flávio. Ele terá que mobilizar mais de 91 milhões de eleitores de estados em que teve vantagem contra o atual presidente, que terão que sair de casa apenas para votar para presidente.
O senador carioca venceu em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, os três maiores colégios do país. Lula, por sua vez, liderou em estados que somam 40,2 milhões de eleitores, incluindo Bahia, Pernambuco e Ceará.
*R7/Foto: Aurimar Silva/TRE-SP – 04.10.2026
