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Conheça o robô garçom, nova tendência nas ‘padocas’ de São Paulo. Veja em fotos como funciona

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Você chama o garçom, faz o pedido e aguarda. Pouco depois, outro atendente — dessa vez de rodinhas e com um visor luminoso — se aproxima e anuncia: “O seu pedido chegou. Por favor, retire”. Ele agradece, desvia de clientes pelo caminho e volta sozinho para a copa, onde é reabastecido com novos pratos.

Com um mapeamento GPS do salão, sabe exatamente para onde ir e até retornar à base para se recarregar ao fim do turno. No dia seguinte, aparece pontualmente e avisa: “Estou iniciando meu turno”.

Esse é o novo colega de trabalho dos garçons de carne e osso em uma padaria de São Paulo: um robô. Cada vez mais presentes em cafeterias, padarias e restaurantes, eles ajudam a suprir a falta de mão de obra no setor de alimentação.

— Não tem hora extra, não falta, não fica doente e não entrega atestado — diz, sobre seu novo funcionário, o empresário Silas Lacerda, dono de 11 cafeterias no Brás, em São Paulo.

Dificuldade para contratar

A escassez de mão de obra tem levado empresas dos setores de food service e varejo a recorrerem à tecnologia para conseguir dar conta do atendimento nas lojas. Em um contexto de desemprego historicamente baixo, empresários relatam dificuldade não apenas para atrair novos funcionários, mas também para reter aqueles que conseguem contratar, especialmente os mais jovens.

A maioria dispensa o trabalho presencial e a escala de seis dias por semana. Outro problema é a pouca probabilidade de desenvolvimento de carreira, fora a remuneração usualmente baixa.

Lacerda e Luís Ferreira, sócio da padaria Villa Grano, têm apostado em robôs de atendimento e em profissionais com mais de 50 anos para ajudar os funcionários no dia a dia. O primeiro planeja ampliar seu exército de máquinas de apenas um para 20 até o fim de 2026, enquanto o segundo investiu em três robôs de R$ 92 mil cada.

Funcionário ‘humano’ em tarefas complexas

Ferreira conta que seu time de três robôs começou a trabalhar há apenas três meses, como uma solução para aliviar a rotina dos atendentes. Antes, os garçons precisavam limpar mesas, recolher pratos e copos, levar tudo à cozinha, anotar pedidos e trazê-los aos clientes.

Agora, os robôs fazem o transporte de bandejas e utensílios entre o salão e a copa, o que acelera o serviço e permite que os funcionários se concentrem em tarefas mais complexas, como o atendimento direto e a conferência dos pedidos.

As máquinas conseguem, inclusive, levar de uma só vez pedidos de várias mesas. Hoje, são apenas três atendentes por turno para atender até 120 clientes sentados. Essa, diz o empresário, foi a última alternativa.

— Nós tentamos tudo. Temos cesta básica, fornecemos duas alimentações ao dia. Hoje em dia estamos contratando pessoas com mais de cinquenta anos. Se marcamos entrevistas com 50 pessoas, só aparecem cinco.

Segundo ele, há 20 vagas abertas há dois anos. Nesse período, chegaram a contratar funcionários, mas a maioria não permaneceu por mais de dois meses. A falta de equipe obrigou a padaria a reduzir o cardápio:

— O que vendia menos estamos cortando. Algumas coisas estamos comprando de fábrica.

Já Silas Lacerda investiu R$ 70 mil em um robô para o Better Café. A máquina, segundo ele, realiza o trabalho de dois funcionários. Para tentar reter pessoas, o empresário criou um sistema de bônus e passou a implementar a taxa de serviço aos atendentes, o que praticamente dobrou os salários.

Ainda assim, afirma que o maior desafio está na geração mais jovem, que demonstra pouco interesse por funções presenciais e de contato com o público.

— Essa geração é muito imediatista. As redes sociais estão me atrapalhando por oferecer coisas ilusórias. Também são quietos, não se comunicam. O cliente precisa se comunicar.

‘Cinco ou seis procuras por dia’, diz fornecedor

Marcello Oliveira, sócio da fornecedora de robôs Kratus, conta que a empresa tem ampliado o quadro de funcionários para dar conta da demanda crescente por robôs de atendimento e serviço.

— Antes eu precisava ligar para os clientes. Agora eu recebo cinco ou seis procuras por dia.

Segundo ele, as padarias são os principais compradores, mas a empresa também fornece robôs para restaurantes, fábricas, hospitais e até um hotel. Em todos os casos, o motivo apontado pelos clientes é o mesmo: falta de mão de obra.

— Já enxergamos essa tendência dos robôs lá fora. Na Ásia, é muito normal. Trouxemos os robôs, treinamos a equipe e começamos a conversar com alguns segmentos. Não imaginávamos que essa falta de mão de obra era uma dor tão grande.

A Kratus tem recebido pedidos inclusive de fora de São Paulo, mas o empresário prefere priorizar o estado para garantir suporte e orientar os funcionários humanos, que precisam aprender a trabalhar lado a lado com as máquinas. Os robôs custam entre R$ 70 mil e R$ 120 mil, dependendo do modelo e da função.

Já Lucas Assis, CEO da Synkar, outra fabricante de robôs, explica que a solução da empresa é voltada para logística e movimentação interna nos centros de distribuição (CDs).

— Fizemos um piloto no Hospital das Clínicas em Ribeirão Preto e o nosso robô, em cinco dias úteis, economiza mais de dez horas de trabalho dos profissionais. O feedback é que os profissionais conseguem focar no paciente e deixar as tarefas logísticas para as máquinas.

Trabalhador caminhava 20 quilômetros por dia

Ele lembra que a automação tem se tornado essencial em CDs, onde trabalhadores chegam a caminhar até 20 quilômetros por dia.

— Houve um crescimento do e-commerce na pandemia. Isso demanda muito entregadores, separadores… Só que não é um trabalho desejável, tem pouco potencial de carreira. Isso traz uma rotatividade muito grande.

Fonte: O Globo/Foto: Maria Isabel de Oliveira/Agência O Globo

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