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Desenrola Brasil ajudou a economia, mas efeitos duram pouco, avaliam especialistas

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programa de renegociação de dívidas Desenrola Brasil ajudou a economia nacional ao estimular o consumo, mas seus efeitos são de curta duração. É o que pensam especialistas ouvidos pelo R7.

Segundo o Ministério da Fazenda, a iniciativa foi responsável por solucionar R$ 22,5 bilhões em débitos, entre julho e novembro. Para a educadora financeira Aline Soaper, o resultado é “excelente”.

Essa soma inclui os valores renegociados diretamente com os bancos, na primeira fase do programa (Faixa 2), e os acordos feitos diretamente pelo site da iniciativa, lançado no dia 9 do mês passado.

Ana Cláudia Arruda, da Cofecon (Conselho Federal de Economia), lembra que há espaço para novas renegociações. Isso porque, somente em uma dessas etapas, o total de débitos chegava a R$ 50 bilhões.

Na segunda-feira (20), a nova etapa do programa passou a valer para saldos negativos de até R$ 20 mil.

A ideia do Desenrola é ajudar os endividados. Sem valores a pagar, essas pessoas têm mais condições de consumir, e, assim, estimular a economia do país

“O Desenrola é um bom programa, no sentido de ele trazer mais dinheiro para economia, de as pessoas poderem voltar a ter créditos, voltar a poder consumir, voltar a ter dignidade, seus nomes ficarem limpos”, pensa o educador financeiro Rogério Araújo.

Ele lembra que os R$ 22,5 bilhões renegociados acabam movimentando um volume financeiro maior na economia. Isso porque os consumidores passam a poder tomar crédito e fazer contratos de aluguel, por exemplo, o que movimenta os mercados.

Ana Cláudia Arruda ressalta que cerca de 70 milhões de pessoas estão endividadas no país.

“São 70 milhões de brasileiros que estão sem acesso a crédito, sem pedir empréstimo, sem poder alugar imóveis. Estão impossibilitados, portanto, de movimentar a economia e desse se planejarem, planejarem suas próprias vidas e as vidas das suas famílias”, opina ela.

Entre julho e outubro, o índice de famílias endividadas caiu dois pontos percentuais. Ele foi de 78,1% para 76,9. Os dados são da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

Curto prazo e atrasos

Já Aline Soaper pontua que o efeito do Desenrola é de curta duração:

“Ele incentiva o consumidor a tomar mais crédito, mas sem capacidade de pagamento, pela baixa renda da maioria da população brasileira, esse grupo retorna ao endividamento logo após a negociação da dívida anterior.”

Com o programa, o Ministério da Fazenda prometeu oferecer um programa de educação financeira aos consumidores atendidos. Na prática, foram disponibilidades vídeos de até três minutos, além de conteúdos escritos, no portal da pasta.

Soaper critica o “incentivo ao consumo” do Desenrola. Ela acredita que “educação nunca foi prioridade”.

“O que deveria acontecer é realmente a contratação de profissionais capacitados para ajudar essas famílias a fazer o gerenciamento financeiro pessoal para que eles consigam realmente sair do ciclo do endividamento. Sem um planejamento financeiro adequado, a negociação de dívidas é apenas uma forma de prorrogar as dívidas e manter as pessoas no ciclo eterno de pagar juros às financeiras”, opina a educadora financeira.

O Ministério da Fazenda não deu retorno sobre o curso de finanças pessoais, em um primeiro questionamento feito pela reportagem. Depois, perguntado mais uma vez sobre quantas pessoas foram atendidas, a pasta se limitou a enviar o site com os vídeos citados anteriormente.

Além disso, Aline Soaper critica os atrasos no calendário de implementação do Desenrola. A plataforma, que é onde ocorre a renegociação da Faixa 2, estava programada para ir ao ar em setembro.

Em outubro, o ministro da Comunicação, Paulo Pimenta, anunciou a abertura do site. A página só chegou a funcionar de fato horas depois.

“Além dos problemas técnicos, o atraso também acontece pela adaptação das empresas financeiras às regras do programa. Muitas foram reformuladas antes da implementação”, afirma Aline Soaper.

Já para Rogério Araújo, não houve “falha de comunicação”. Esses atrasos “têm muito mais a ver com o orçamento, com a condição do governo em si”, segundo ele.

Idealizado pelo time da Fazenda

O Desenrola Brasil foi projetado pela equipe econômica de Fernando Haddad, ministro da Fazenda do governo do presidente Lula da Silva.

As renegociações estão previstas para acontecerem até o dia 31 de dezembro. Para participar, consulte o https://desenrola.gov.br/.

*R7/FOTO:EDU GARCIA/R7 – 05.08.2022

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