O dólar operava em forte baixa, nesta quarta-feira (8/4), em um dia de alívio para os mercados globais em função do cessar-fogo temporário no conflito entre Estados Unidos e Irã, o que vem fazendo os preços internacionais do petróleo desabarem.
No cenário doméstico, o destaque é a participação do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, em sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado Federal. Ele deve falar sobre o caso envolvendo o Banco Master.
Ainda no Brasil, os investidores repercutem os dados de uma nova pesquisa eleitoral, divulgada nesta manhã, que mostra um empate técnico em um eventual segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Palácio do Planalto.
Dólar
- Às 13h09, o dólar caía 1,23%, a R$ 5,09.
- Mais cedo, às 11h10, a moeda norte-americana recuava 1,27% e era negociada a R$ 5,089.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,109. A mínima é de R$ 5,065.
- Na véspera, o dólar terminou a sessão em alta de 0,17%, cotado a R$ 5,154.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula queda de 0,46% em abril e de 6,08% frente ao real em 2026.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava em forte alta no pregão, batendo o recorde histórico intradiário.
- Às 13h10, o Ibovespa avançava 1,96%, aos 191,9 mil pontos.
- Na máxima do pregão até aqui, o índice cravou 193.759,02 pontos, novo recorde histórico.
- No dia anterior, o indicador fechou o pregão em leve alta de 0,05%, aos 188,2 mil pontos, praticamente estável.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 0,42% no mês e de 16,84% no ano.
Cessar-fogo gera alívio nos mercados
Na noite dessa terça-feira (7/4), o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a suspensão de bombardeios e ataques contra o Irã por um período de duas semanas, após conversas com autoridades do Paquistão.
Segundo Trump, a decisão foi tomada após conversas com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e o chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, que pediram a suspensão das ações militares imediatamente.
O cessar-fogo, classificado pelo presidente dos EUA como bilateral, está condicionado à reabertura “completa, imediata e segura” do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.
“Concordo em suspender os bombardeios e ataques ao Irã por um período de duas semanas. Este será um cessar-fogo bilateral”, afirmou Trump, acrescentando que os Estados Unidos já teriam atingido os objetivos militares e que um acordo definitivo estaria próximo.
O Estreito de Ormuz é canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.
De acordo com o republicano, Washington recebeu uma proposta de dez pontos do Irã, considerada uma “base viável” para um acordo mais amplo. “Recebemos uma proposta de 10 pontos do Irã e acreditamos que ela constitui uma base viável para a negociação”, escreveu o presidente dos EUA.
O Irã afirmou, por sua vez, por meio do Conselho Supremo de Segurança Nacional, que os EUA sofreram uma “derrota inegável, histórica e esmagadora” no contexto do conflito recente entre os dois países e aliados no Oriente Médio.
A declaração, divulgada em tom celebratório e ideológico, sustenta que Teerã teria alcançado vantagem estratégica após semanas de confrontos, além de consolidar apoio interno e entre grupos alinhados ao chamado “eixo da resistência”.
O comunicado também afirmou que ações militares e diplomáticas combinadas teriam forçado Washington a considerar um cessar-fogo e negociações em termos favoráveis ao Irã.
No comunicado, o Irã reforça que qualquer avanço rumo ao cessar-fogo depende da interrupção total dos ataques contra seu território. Segundo o texto, as forças iranianas suspenderiam operações “defensivas” caso houvesse cessação das ofensivas externas, sinalizando uma abertura condicionada à trégua.
“Eles sonhavam em dividir o querido Irã, saquear seu petróleo e riquezas e, por fim, mergulhar e abandonar os iranianos em meio ao caos, à instabilidade e à insegurança por muitos anos”, diz a nota.
O acordo de cessar-fogo temporário inclui também o Líbano, que acabou sendo alvo de ataques durante o conflito. A informação foi dada pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que mediou as negociações.
Em comunicado nas redes sociais, o premiê declarou que as partes concordaram com uma trégua imediata “em todos os lugares”, incluindo o território libanês e outras frentes do conflito. A medida ocorre em meio à escalada regional que envolve também aliados e grupos armados na região.
“Com a maior humildade, tenho o prazer de anunciar que a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos da América, juntamente com seus aliados, concordaram com um cessar-fogo imediato em todos os lugares, incluindo o Líbano e outros, com efeito imediato”, escreveu.
Sharif celebrou o entendimento e agradeceu às lideranças de ambos os países, destacando o que chamou de postura “sábia” e construtiva para avançar rumo à paz.
Nas redes sociais, Trump disse que o país poderá ajudar o Irã a lidar com o aumento do tráfego no Estreito de Ormuz após o acordo de cessar-fogo. Em publicação na madrugada desta quarta, o líder norte-americano falou em um “grande dia para a paz mundial” e afirmou que ficará “por perto” para garantir que tudo corra bem.
Na sequência, Trump disse que o Irã poderá iniciar sua reconstrução. “Estaremos carregando suprimentos de todos os tipos e apenas “ficando por perto” para garantir que tudo corra bem. Estou confiante de que correrá. Assim como estamos vivenciando nos EUA, esta pode ser a Era de Ouro do Oriente Médio”, destacou.
Ataques continuam em algumas regiões
Apesar do cessar-fogo de duas semanas anunciado por EUA e Irã, ataques no Oriente Médio continuaram a ser registrados na madrugada desta quarta-feira. O acordo não especificou que horas os ataques deveriam ser suspensos e, com isso, países do Golfo continuaram a relatar a interceptação de mísseis iranianos.
Em Israel, três garotos sofreram ferimentos leves devido a uma munição de fragmentação iraniana que atingiu a cidade de Tel Sheva, no sul do país. Por outro lado, um porta-voz militar israelense disse à CNN que Israel continua realizando ataques aéreos no Irã. O Líbano também continua a ser bombardeado por Israel. Um ataque aéreo israelense, inclusive, atingiu uma ambulância na cidade de Qlaileh, perto da cidade costeira de Tiro.
No início da madrugada, contudo, Israel publicou um comunicado em que diz concordar em parar os ataques. No entanto, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que o acordo não se estende ao Líbano.
“Israel apoia a decisão do presidente Trump de suspender os ataques contra o Irã por duas semanas, condicionada à abertura imediata do Estreito de Ormuz pelo Irã e à cessação de todos os ataques contra os EUA, Israel e países da região”, disse em comunicado. “O cessar-fogo de duas semanas não inclui o Líbano”, acrescentou.
Análise
Segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã motiva busca “por ativos de risco após semanas de volatilidade intensa e aliviando a taxa de câmbio com a desmontagem de parte das posições de proteção do mercado”.
“A queda do petróleo afasta parte do temor de inflação persistente, aliviando os juros futuros. O preço do ouro também apresenta retomada, com o aumento da atratividade relativa na comparação com ‘treasuries’, e a expectativa de retorno do fluxo advindo de bancos centrais (menos pressionados pelo fluxo interrompido de petróleo)”, explica.
“Importante notar que o cessar-fogo não necessariamente significa o fim das incertezas, e o tom dos líderes políticos envolvidos no conflito continua indicando tensões significativas. Aproveitar oportunidades não significa descuidar da parcela de proteção do portfólio e a diversificação de classes, teses, moedas e geografias permanece fundamental”, completa Zogbi.
Galípolo vai ao Senado para falar sobre o Master
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, vai depor, como convidado, nesta quarta-feira (8/4) na CPI do Crime Organizado, no Senado. A intenção é que Galípolo fale sobre a atuação da entidade em relação ao Banco Master e seu então dono, Daniel Vorcaro.
O ex-presidente do BC Roberto Campos Neto também foi convidado, mas não sinalizou se irá. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) é o autor do requerimento de convocação de Campos Neto. No documento, o senador afirma que o economista é “testemunha qualificada, em razão da grande experiência e conhecimento amealhados durante o período em que exerceu a presidência do Banco Central”.
Já no documento de convocação de Galípolo, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) explica que a oitiva não se dirige à atividade técnica do Banco Central, mas sim “à necessidade de assegurar transparência institucional e afastar quaisquer dúvidas sobre eventual interferência política ou econômica indevida em processos de fiscalização e controle do sistema financeiro”.
“O Sr. Gabriel Galípolo (…) esteve presente em reunião realizada em novembro de 2024 (…) com a participação (…) de Daniel Vorcaro, investigado no escândalo do Banco Master”, diz o requerimento da CPI.
Nova pesquisa mostra empate entre Flávio e Lula
Uma pesquisa do Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 45,8% das intenções de voto em eventual segundo turno na disputa pela Presidência da República contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que aparece com 45,5%. O cenário configura empate técnico entre ambos os pré-candidatos – dentro da margem de erro, que é de 2,5 pontos percentuais.
Em um outro cenário, contra o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), Lula aparece com 45% das intenções de voto, enquanto o adversário tem 40%. Votos brancos, nulos e indecisos totalizam 16%. Em disputa com Romeu Zema (Novo), Lula registra 44,7%, contra 38,7% do ex-governador de Minas Gerais.
Ainda na corrida pelo Planalto contra Renan Santos (Missão), fundador do MBL, o presidente Lula tem 45%, enquanto o adversário tem 26,4%. Já votos os votos brancos, nulos e indecisos somam 26,4%. Já contra Aldo Rebelo (DC), o petista aparece com 46%, ante 22,6% do ex-ministro.
A pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ouviu 1,5 mil pessoas em todo o país, entre os dias 3 e 7 de abril de 2026. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Fonte: Metrópoles/Foto: Witthaya Prasongsin/Getty Images
