Dólar cai a R$ 4,86, após inflação abaixo do esperado nos EUA; Ibovespa atinge maior nível em mais de dois anos

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O dólar opera em baixa nesta terça-feira (14), repercutindo a divulgação da inflação de outubro nos Estados Unidos, que teve variação nula.

O resultado era bastante aguardado pelos investidores porque pode dar sinais mais claros sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) em relação ao futuro dos juros no país.

No cenário doméstico, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o volume de serviços em setembro. Naquele mês, o setor no Brasil caiu 0,3%.

Já o Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, a B3, opera em forte alta, puxada por Vale.

Dólar

Às 16h38, o dólar caía 0,94%, cotado a R$ 4,8619. Na mínima do dia, chegou aos R$ 4,8481.

No dia anterior, a moeda norte-americana fechou em baixa de 0,14%, depois de oscilar bastante durante o dia, vendida a R$ 4,9078. Com o resultado, passou a acumular quedas de:

  • 0,14% na semana;
  • 2,63% no mês;
  • 7,01% no ano.

Ibovespa

No mesmo horário, o Ibovespa subia 2,33%, aos 123.213 pontos, alcançando o maior patamar desde agosto de 2021.

No mesmo horário, as ações da Vale, empresa com maior peso na composição do índice, subiam mais de 3,5%, puxadas pela valorização do minério de ferro no exterior e impulsionando o bom desempenho da bolsa.

Na véspera, o índice fechou com leve queda de 0,13%, aos 120.410 pontos. Com o resultado, passou a acumular:

  • recuo de 0,13% na semana;
  • alta de 6,42% no mês;
  • avanço de 9,73% no ano.

O que está mexendo com os mercados?

O grande destaque do dia é a divulgação da inflação dos Estados Unidos, que teve variação nula em outubro, desacelerando em relação à alta de 0,4% em setembro e abaixo das expectativas de alta de 0,1% do mercado.

Especialistas explicam que esse dado é muito aguardado porque deve servir como um direcionador para as próximas tomadas de decisão do Fed.

Em sua última reunião, na semana passada, o Fed optou por manter as taxas de juros entre 5,25% e 5,50% ao ano. No entanto, o presidente da instituição, Jerome Powell, já destacou que novas altas nos juros podem ser necessárias para trazer a inflação de volta à meta, de 2% em 12 meses, e disse que um ciclo de queda nas taxas ainda está longe.

Segundo o banco norte-americano Goldman Sachs, o Fed só deve começar a cortar os juros no quarto trimestre de 2024. Até lá, os títulos públicos dos Estados Unidos, considerados os mais seguros do mundo, continuam chamando a atenção dos investidores por suas altas rentabilidades, o que leva a uma migração do capital estrangeiro para o país — beneficiando o dólar ante outras moedas.

As ações europeias fecharam em alta e tocaram o maior nível em um mês nesta terça-feira. O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em alta de 1,34%, a 452,60 pontos. As ações imobiliárias, que são mais sensíveis aos juros saltaram 7% e atingiram seu patamar mais alto desde março.

No Brasil, o destaque fica com os números do setor de serviços, que caiu 0,3% em setembro, informou o IBGE nesta manhã. As expectativas eram de uma alta de 0,4%.

Também está no radar dos investidores uma temporada de balanços corporativos do terceiro trimestre. Um dos principais destaques foi a Caixa Econômica Federal, que teve lucro líquido recorrente de R$ 3,2 bilhões no terceiro trimestre, alta de 16,5% sobre o resultado obtido no mesmo período do ano passado.

A margem financeira somou R$ 14,5 bilhões no período, avanço anual de 15,7%, com a carteira de crédito total avançando 11,7%, para R$ 1,09 trilhão.

Além disso, repercutiu no mercado a informação de que o Magazine Luiza identificou incorreções em lançamentos contábeis de bonificações a fornecedores, o que levou a reapresentação de demonstrações financeiras da companhia.

A varejista afirmou que as incorreções foram identificadas no âmbito de apurações internas, junto a TozziniFreire Advogados e à PwC, após denúncia anônima mais ampla, e que não se confirmou, em março deste ano.

A varejista afirmou que as incorreções decorrem das chamadas notas de débito — documento utilizado para o reconhecimento contábil das receitas de bonificações a fornecedores.

A empresa disse que algumas notas de débitos foram emitidas pela companhia e assinadas por fornecedores “sem observar com precisão as obrigações de desempenho — as quais variam de acordo com as especificidades de cada negociação — em momento específico no tempo.”

Em função disso, o Magazine Luiza afirmou que realizou a correção dos lançamentos contábeis correspondentes, refletidos nas demonstrações financeiras do terceiro trimestre divulgadas nesta segunda-feira.

A medida reflete, de acordo com a empresa, uma redução acumulada no patrimônio líquido de 829,5 milhões de reais sobre o valor do fim de junho deste ano, líquido de impostos e sem impacto no fluxo de caixa.

A varejista registrou lucro líquido de R$ 331,2 milhões no terceiro trimestre, revertendo prejuízo de R$ 190,9 milhões no mesmo período do ano anterior, informou a empresa nesta segunda-feira (13).

Na versão ajustada, que desconsidera eventos não recorrentes, a varejista teve prejuízo líquido de R$ 143,4 milhões. Analistas, em média, esperavam prejuízo líquido de R$ 154,1 milhões, com base em dados da LSEG.

*g1 / Foto: bearfotos/Freepik

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