O dólar operava em baixa nesta terça-feira (23/9), em um dia movimentado para o mercado financeiro, que repercute a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
No cenário doméstico, os investidores também avaliam declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), em entrevista em São Paulo nesta manhã, e a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) referente à última reunião do colegiado, na semana passada.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), renovou sua máxima histórica durante o pregão, batendo os 147 mil pontos.
Dólar
- Às 14h40, o dólar caía 0,97%, a R$ 5,286.
- Mais cedo, às 13h10, a moeda norte-americana recuava 0,83% e era negociado a R$ 5,294.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,346. A mínima é de R$ 5,277.
- Na véspera, o dólar terminou a sessão em alta de 0,33%, cotado a R$ 5,33.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 1,55% em setembro e de 13,63% em 2025 frente ao real.
Ibovespa
- O Ibovespa, por sua vez, operava em alta no pregão e chegou a bater novo recorde histórico.
- Às 14h43, o Ibovespa avançava 1,07%, aos 146,6 mil pontos.
- Mais cedo, o índice renovou sucessivamente sua máxima histórica, até chegar aos 147.178,47 pontos.
- No dia anterior, o indicador fechou o pregão em queda de 0,52%, aos 145,1 mil pontos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula ganhos de 2,61% no mês e de 20,65% no ano.
Lula e Trump na ONU
Em meio a uma nova escalada nas tensões diplomáticas entre os governos do Brasil e dos EUA, os presidentes Lula e Donald Trump fizeram discursos na Assembleia-Geral da ONU nesta terça-feira.
A fala de Lula ocorreu um dia após o governo Trump anunciar uma nova rodada de sanções a autoridades brasileiras na esteira da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Trata-se da primeira visita do petista aos EUA desde o tarifaço imposto por Trump. Lula e o republicano podem ficar frente a frente durante a abertura do evento. Tradicionalmente, o presidente brasileiro é o primeiro chefe de Estado a discursar. Em seguida, é a vez do titular da Casa Branca.
Trump, disse, durante seu discurso, que falou com Lula, que se abraçaram e irão se encontrar “na semana que vem para” discutir as tarifas impostas ao Brasil. Eles se cruzaram na saída de Lula do plenário.
O discurso do petista foi carregado de críticas ao que chamou de “ataques sem precedentes” contra as instituições brasileiras, um dia depois do governo Trump ampliar as sanções contra o Brasil em retaliação contra a condenação de Jair Bolsonaro (PL).
Em aceno, e em meio a risadas, Trump disse que gosta de Lula e que “só faz negócios com gente que ele gosta”.
“Eu estava aqui, eu encontrei com o líder do Brasil ao entrar aqui. Eu falei pra ele e nós nos abraçamos e as pessoas falando: ‘dá para acreditar nisso?’. Nós concordamos que nós vamos nos encontrar na próxima semana. Não temos muito tempo para falar, mas aqui foi tipo 20 segundo, mas nós conversamos”, afirmou.
Trump seguiu: “Ele parece um homem muito agradável e eu gosto dele. E ele gosta de mim. E eu gosto de fazer negócios com pessoas que eu gosto. Quando eu não gosto de uma pessoa, eu não gosto, mas tivemos ali esses 30 segundos ali, foi uma coisa muito rápida, mas foi uma química excelente. Isso foi um bom sinal”, disse Trump, já no final de seu discurso.
Nessa segunda-feira (22/9), o governo Trump anunciou sanções contra Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com base na Lei Magnitsky. A punição também se estendeu a um instituto vinculado à família do magistrado, o Lex Instituto de Estudos Jurídicos.
A medida afeta sancionados no campo econômico e incluem o congelamento de bens e contas bancárias em solo norte-americano ou em instituições financeiras ligadas ao país. Em julho, o ministro havia sido incluído no rol de sancionados na mesma lei.
As restrições à esposa do ministro foram anunciadas dias após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo STF. A Primeira Turma da Corte sentenciou o ex-chefe do Planalto a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado.
Segundo o governo Trump, as sanções têm como objetivo minar “uma rede de apoio financeiro” ao magistrado. A Casa Branca também revogou o visto do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, e de outras autoridades brasileiras.
Entrevista de Haddad
Outro ponto de atenção do mercado nesta terça-feira é a entrevista concedida pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), ao ICL Notícias.
Na entrevista, o chefe da equipe econômica disse que o governo Trump pratica uma “ingerência” indevida sobre o Brasil com as sanções, atacando a soberania nacional, mas essa atitude não tem nenhuma base econômica ou jurídica que a justifique.
“Eu acredito que isso vai passar. Foi uma ingerência de um país sobre nós, em um assunto que não é nem do Executivo, é da Justiça. A Justiça é que está reagindo a esse tipo de intromissão descabida”, afirmou Haddad.
“Passada essa fase aguda que nós estamos vivendo, que é o julgamento [do ex-presidente Jair Bolsonaro], daqui a pouco sai a publicação da decisão, acredito que isso vai ser superado. Porque não tem nenhuma base política nem econômica. É uma coisa que só pode estar baseada em desinformação”, completou Haddad.
No dia da divulgação da ata da última reunião do Copom, Haddad voltou a defender a queda da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, atualmente em 15% ao ano.
“O [Gabriel] Galípolo [presidente do BC] assumiu agora, em uma crise grande, em dezembro. Eu não estou no lugar dele. Quando você herda um problema, é difícil. Foi uma transição muito complexa, não foi simples. Isso não foi devidamente diagnosticado, na minha opinião. Terá um tempo em que poderemos falar mais à vontade”, disse Haddad.
“Eu entendo que tem espaço para esse juro cair, acredito que nem deveria estar em 15% [ao ano]. Ele [Galípolo] tem os quatro anos de mandato dele e vai entregar um resultado consistente ao Brasil”, afirmou. “Eu não voto no Copom. Mas essa opinião [de que é hora de baixar os juros] boa parte do mercado compartilha.”
Ata do Copom
Nesta manhã, o BC divulgou a ata da última reunião do Copom. No documento, a autoridade monetária reforçou que a Selic deve ficar em 15% por período “bastante prolongado” para alcançar o objetivo de colocar a inflação na meta de 3%, fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Para o colegiado, “o comportamento e a volatilidade de diferentes classes de ativos têm sido afetados, com reflexos nas condições financeiras globais”. Por isso, o cenário exige “particular cautela” por parte de países em desenvolvimento, como o Brasil, em um ambiente “marcado por tensão geopolítica”.
O Copom avaliou que os dados mais recentes da economia indicam uma moderação no ritmo de crescimento, o que traz “maior convicção” de que o cenário previsto pelo BC está se confirmando.
Apesar de fatores que poderiam alterar essa trajetória, como estímulos fiscais e expansão do crédito, os efeitos observados até agora estão alinhados com o que era esperado. Em relação à inflação, a autoridade monetária apontou que as últimas leituras apresentam um quadro mais favorável, embora os níveis ainda estejam acima do que é considerado compatível com a meta estabelecida.
“O Comitê avalia que a reancoragem das expectativas de inflação reduz os custos da desinflação e entende que tal processo exige perseverança, firmeza e serenidade”, diz a ata.
Powell fala nos EUA
No cenário internacional, os investidores repercutem falas do presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), Jerome Powell, que participa de um evento público e pode dar novas indicações a respeito da trajetória da taxa de juros no país.
Em sua última reunião, na semana passada, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed cortou os juros em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 4% e 4,25% ao ano. Foi a primeira redução dos juros neste ano.
Antes da fala de Powell, outros membros do Fed também se pronunciam nesta terça-feira, como Michelle Bowman e Raphael Bostic.
*Metrópoles/Foto: CFOTO/Future Publishing via Getty Images
