Dólar desaba e Bolsa bate recorde com IPCA-15 e “superquarta” no radar

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O dólar operava em forte queda, nesta terça-feira (27/1), na véspera da decisão dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos sobre a taxa básica de juros nos dois países.

Os investidores também repercutem a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a “prévia” da inflação oficial brasileira, referente ao mês de janeiro de 2026. O resultado veio ligeiramente abaixo da média das estimativas do mercado.


Dólar

  • Às 14h44, o dólar caía 1,22%, a R$ 5,216.
  • Mais cedo, às 12h51, a moeda norte-americana recuava 1,01% e era negociada a R$ 5,227.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,278. A mínima é de R$ 5,207.
  • Na véspera, o dólar encerrou a sessão em leve baixa de 0,13% frente ao real, cotado a R$ 5,279, perto da estabilidade.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 3,81% em 2026.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), seguia operando em forte alta no pregão e voltou a renovar seu recorde histórico.
  • Às 14h48, o indicador avançava 2,25%, aos 182,7 mil pontos.
  • Na pontuação máxima do pregão até o momento, o Ibovespa cravou 183.359,56 pontos, novo recorde histórico intradiário (durante o pregão).
  • No dia anterior, o Ibovespa fechou em queda de 0,08%, aos 178,7 mil pontos, praticamente estável.

Prévia da inflação fica em 0,2% em janeiro, diz IBGE

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação, indica que os preços de bens e serviços subiram 0,2% em janeiro.

No acumulado de 12 meses, a prévia da inflação tem alta de 4,5%, acima dos 4,41% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em relação a dezembro de 2025, quando o índice registrou alta de 0,25%, houve uma queda de 0,05 ponto percentual.

O resultado veio ligeiramente abaixo da média das projeções dos analistas do mercado, que esperavam 0,22% (na base mensal) e 4,52% (anual).

Do total de nove grupos pesquisados, sete tiveram altas que variaram de 0,05% (educação) a 0,81% (saúde e cuidados pessoais). As únicas retrações vieram de habitação (-0,26%) e transportes (-0,13%).

O maior impacto positivo veio do grupo de saúde e cuidados pessoais, que avançou 0,81% no período, com destaque para a elevação nos preços de artigos de higiene pessoal, que tiveram elevação de 1,38% e plano de saúde, que subiu 0,49%.

Também impactou na aceleração da inflação o grupo de comunicação, cujos preços tiveram alta de 0,73%. O item aparelho telefônico puxou a elevação, com variação de 2,57% no mês.

Os preços do grupo alimentação e bebidas, que representa o maior peso no cálculo da inflação, tiveram aceleração de dezembro para janeiro. O indicador foi de 0,13% para 0,31% no período.

O IPCA-15 difere do IPCA, que mede a inflação oficial do país, na abrangência geográfica e no período de coleta, que começa no dia 16 do mês anterior. Por essa razão, ele funciona como uma prévia do IPCA.

O indicador coleta dados sobre as famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos. Ele abrange: Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador, Curitiba, Brasília e Goiânia. A próxima divulgação será no dia 27 de fevereiro.

Véspera da “superquarta”

O mercado financeiro continua à espera da decisão dos bancos centrais do Brasil e dos EUA sobre a taxa de juros. “Superquarta” é o termo usado para o dia em que coincidem as divulgações das taxas básicas de juros nos dois países.

É o caso desta quarta-feira, data na qual tanto o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), quanto o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), anunciam o resultado de suas reuniões, que começaram na terça-feira (9/12).

A taxa básica de juros é o principal instrumento do Banco Central (BC) para controlar a inflação. A Selic é utilizada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia.

Quando o Copom aumenta os juros, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

Ao reduzir a Selic, por outro lado, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

No Brasil, a ampla maioria dos analistas do mercado espera a manutenção da Selic no patamar atual, de 15% ao ano – trata-se da mais elevada taxa de juros em quase duas décadas no país.

O foco das atenções ficará voltado para o teor do comunicado do Copom, que pode indicar “pistas” sobre as próximas reuniões. Há grande expectativa em torno do corte de juros a partir de março.

Já nos EUA, atualmente, a taxa de juros está no intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano (após redução de 0,25 ponto percentual nas três últimas reuniões do Fed), e a maioria dos analistas do mercado aposta na interrupção do ciclo de cortes.

De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de manutenção dos juros no patamar atual é de 97,2%. Apenas 2,8% dos investidores apostam em uma nova redução de 0,25 ponto percentual.

O mercado também espera, para os próximos dias, o possível anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre quem sucederá o atual chefe do Fed, Jerome Powell, cujo mandato se encerra em maio. Trump, que é desafeto de Powell, disse que pode fazer esse anúncio ainda nesta semana.

Fonte: Metrópoles/Foto: Yevgen Romanenko/Getty Images

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