Dólar e Bolsa ficam estáveis com indústria no Brasil e emprego nos EUA

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O dólar operava próximo da estabilidade, na manhã desta quinta-feira (8/1), dia em que as atenções dos investidores estão mais voltadas ao cenário externo, com novos dados sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos, além da divulgação do resultado da balança comercial norte-americana no mês de outubro de 2025.

No âmbito doméstico, o principal destaque da agenda econômica é a divulgação dos números sobre a produção industrial do Brasil em novembro do ano passado, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Por fim, os investidores continuam monitorando a situação na Venezuela após a deposição do ditador Nicolás Maduro pelos EUA.

Se, nos dois primeiros dias da semana, o mercado parecia ter diminuído sua preocupação com a instabilidade no país sul-americano e vinha adotando uma postura mais otimista em relação ao possível crescimento do mercado de petróleo, o clima mudou na última quarta-feira (7/1) diante de nova escalada nas tensões geopolíticas envolvendo EUA, Venezuela e Rússia – o que levou a uma forte queda nos preços do barril de petróleo.


Dólar

  • Às 11h10, o dólar caía 0,16%, a R$ 5,394, praticamente estável.
  • Mais cedo, às 10h16, a moeda norte-americana recuava 0,12% e era negociada a R$ 5,38.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,395. A mínima é de R$ 5,375.
  • Na véspera, o dólar fechou em leve alta de 0,12%, cotado a R$ 5,386, perto da estabilidade.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 1,87% frente ao real em 2026.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), também operava estável no início do pregão.
  • Às 11h13, o indicador avançava 0,13%, aos 162,1 mil pontos, perto da estabilidade.
  • No dia anterior, o Ibovespa encerrou o pregão em baixa de 1,03%, aos 161,9 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula ganhos de 0,55% no ano.

Indústria brasileira anda de lado

No cenário nacional, os investidores repercutem os novos dados do IBGE sobre o desempenho do setor industrial brasileiro em novembro do ano passado.

De acordo com o levantamento divulgado nesta quinta-feira, a produção industrial do país mostrou variação nula (0%) frente a outubro, na série livre de influências sazonais. Em relação a novembro de 2024, houve recuo de 1,2%. O acumulado no ano foi de 0,6% e o dos últimos 12 meses até novembro chegou a 0,7%.

O IBGE destacou que a produção industrial está 2,4% acima do patamar pré-pandemia (em fevereiro de 2020). No entanto, encontra-se 14,8% abaixo do nível recorde de maio de 2011.

Em novembro de 2025, as taxas ficaram negativas em duas das quatro grandes categorias econômicas. As duas com recuo foram: bens de consumo duráveis (2,5%) e bens intermediários (0,6%). Os avanços aconteceram em bens de capital (0,7%) e bens de consumo semiduráveis e não duráveis (0,6%).

Quando levados em conta os 25 ramos industriais pesquisados, 15 deles apresentaram queda.

Para o gerente da pesquisa, André Macedo, “a queda observada neste mês foi influenciada pela menor produção de óleos brutos de petróleo, gás natural e minérios de ferro”. “Vale destacar que essa retração eliminou parte do avanço de 3,5% verificado em outubro, quando interrompeu dois meses consecutivos de queda na produção”, afirma.

A Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE produz indicadores de curto prazo desde a década de 1970, relativos ao comportamento do produto real das indústrias extrativa e de transformação. Em março de 2023, o índice passou por uma reformulação e teve início a divulgação da nova série de índices mensais da produção industrial do país.

Atenção ao mercado de trabalho dos EUA

Assim como já havia ocorrido ontem, o mercado financeiro acompanha com atenção mais dados relativos ao emprego nos EUA.

Os principais destaques desta quinta são os números sobre os pedidos por seguro-desemprego no país. A estimativa média dos analistas é a de que tenham sido registrados 213 mil solicitações de auxílio, ante 199 mil do levantamento anterior.

Na véspera, os mais relevantes observados pelo mercado foram os números das folhas de pagamento do setor privado de dezembro, revelados pelo ADP Research Institute, em parceria com o Stanford Digital Economy Lab.

O país registrou a abertura de 41 mil vagas de emprego no setor privado em dezembro do ano passado, de acordo com o relatório do ADP. O resultado do mês passado veio abaixo das estimativas do mercado. O consenso Refinitiv projetava a criação de 49 mil vagas.

Em novembro, os EUA haviam fechado 29 mil vagas no setor privado (dado revisado).

Também eram esperados com grande expectativa os números do relatório “Job Openings and Labor Turnover Survey” (Jolts). Em novembro de 2025, houve um recuo de cerca de 300 mil vagas de trabalho em aberto em relação a outubro, para 7,146 milhões. Foi a maior queda desde junho do ano passado.

O resultado ficou abaixo das estimativas do mercado, que eram de cerca de 7,61 milhões de vagas em aberto.

As vagas em aberto são as posições disponíveis dentro das empresas que os empregadores buscam preencher por meio de contratações. Para participar do relatório Jolts, os empregadores recebem um formulário no qual informam o número de vagas em aberto na empresa no último dia útil do mês, além do número de contratações e demissões no período.

Em tese, portanto, o aumento na quantidade de vagas em aberto indica que as empresas pretendem acelerar suas contratações. A redução, por sua vez, indica que as companhias querem apertar o cinto e pisar no freio.

O desempenho do mercado de trabalho norte-americano é um dos indicadores considerados pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) para definir a taxa básica de juros do país.

Na última reunião do Fed, em dezembro, o corte nos juros foi de 0,25 ponto percentual, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado. Agora, os juros estão no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano.

Foi a terceira redução consecutiva na taxa de juros pelo BC dos EUA. Na reunião anterior do Fed, em setembro, o corte também havia sido de 0,25 ponto percentual.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros, o primeiro de 2026, está marcado para os dias 27 e 28 de janeiro.

Na sexta-feira (9/1), os investidores aguardam ainda a divulgação do relatório oficial de emprego, o chamado “payroll”.

Ainda nesta quinta-feira, outro dado esperado pelos investidores é o dos resultados da balança comercial dos EUA. As projeções indicam um déficit de US$ 58,9 bilhões.

Fonte: Metrópoles/Foto: SimpleImages/Getty Images

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