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Dólar opera em alta e vai a R$ 5,60 após vitória de Lula; queda do Ibovespa aciona ‘circuit breaker’

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O dólar opera em alta nesta segunda-feira (26), com um avanço de 12,06% perto das 10h20, cotado a R$ 5,5953. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,6048.

Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve as negociações interrompidas já no início do pregão, por 30 minutos, com o chamado “circuit breaker”. Isso significa que já nos primeiros minutos da sessão, o índice caía mais de 10%.

Circuit breaker é um mecanismo utilizado pela bolsa para interromper temporariamente as negociações quando o mercado de ações registra quedas muito bruscas. O objetivo é dar tempo para que os investidores reavaliem suas decisões e reduzir o risco de movimentos desordenados de compra e venda. Após a interrupção, os negócios são retomados.

O resultado do 2º turno das eleições presidenciais é o principal destaque da sessão. Com a reeleição de Lula (PT), a expectativa é que os investidores reavaliem suas projeções para os juros, o câmbio e as contas públicas. O Boletim Focus e novos dados econômicos também ficam no radar. Entenda por que as eleições mexem tanto com o dólar e a bolsa.

A vitória de Lula (PT) muda o cenário esperado pelo mercado. Como a maioria das pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontava vantagem de Bolsonaro no 2º turno, a reeleição do petista surpreendeu parte dos investidores, que agora avaliam os possíveis efeitos do novo mandato sobre juros, câmbio, Bolsa e contas públicas. Veja as maiores altas e baixas do Ibovespa e do dólar na história.

  • Os juros futuros, que mostram as expectativas do mercado para as taxas de juros nos próximos meses e anos, registravam forte alta nos contratos mais longos.

Na agenda econômica, o Boletim Focus fica no centro das atenções. O documento, que reúne as projeções do mercado para a economia brasileira, ainda não incorporou uma reação do mercado à vitória de Lula no domingo (25), uma vez que as expectativas foram coletadas até sexta-feira. Dados de confiança do investidor e investimento estrangeiro direto também ficam no radar.

No exterior, investidores continuam a acompanhar os preços do petróleo, em meio aos esforços diplomáticos para aliviar a guerra entre os Estados Unidos e o Irã. Ainda assim, preocupações sobre possíveis novas interrupções no fornecimento da commodity continuam a pairar no mercado.

  • Em meio ao noticiário, o barril do Brent, referência internacional, caía 1,40% perto das 7h40, cotado a US$ 115,09. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, tinha perdas de 1,95%, a US$ 101,26 o barril.

Ainda no cenário internacional, reuniões de juros de vários bancos centrais ficam na mira. A principal expectativa dos investidores é pela decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), prevista para quarta-feira, e que pode trazer mais uma alta de juros no país. Para o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BoJ), a projeção do mercado é de manutenção das taxas.

Dólar

  • Acumulado da semana: -1,57%;
  • Acumulado do mês: -3,50%;
  • Acumulado do ano: -9,03%.

Ibovespa

  • Acumulado da semana: -0,17%
  • Acumulado do mês: +10,06%;
  • Acumulado do ano: +27,28%.

Vitória de Lula muda projeções do mercado

A vitória do presidente Lula (PT) para um quarto mandato traz uma forte pressão de baixa nos ativos locais nesta segunda-feira (26).

Lula venceu a disputa pelo Planalto com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL), considerando quase 100% das urnas apuradas.

Como a maioria das pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontava vantagem de Bolsonaro no 2º turno, a reeleição do petista surpreendeu parte dos investidores, que agora avaliam os possíveis efeitos do novo mandato sobre juros, câmbio, Bolsa e contas públicas.

A expectativa do mercado é que a B3 ative os mecanismos de interrupção de negociações logo cedo.

“O principal foco dos investidores será a condução da política fiscal no quarto mandato de Lula. A trajetória da dívida pública, o controle das despesas e a credibilidade das metas fiscais serão determinantes para a confiança dos agentes econômicos”, disse Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.

Ainda assim, especialistas destacam que o governo pode tentar ganhar de volta a confiança do mercado.

“Em paralelo, a equipe econômica sinaliza uma PEC com revisão de gastos obrigatórios e busca do centro da meta fiscal”, afirmou Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM.

Pelas regras da B3, o circuit breaker é acionado quando o Ibovespa cai mais de 10% em relação ao valor de fechamento anterior, com interrupção da negociação por 30 minutos. Após reabertura, se a queda atingir 15%, o mecanismo é novamente acionado, com interrupção por uma hora. Uma terceira paralisação ocorre no caso de queda de 20%.

  • Ações brasileiras caem no exterior

A vitória de Lula também já se reflete nas ações brasileiras negociadas no exterior. O EWZ, principal fundo que acompanha os papéis brasileiros, negociado em Nova York, caía 26,16% antes da abertura dos mercados nesta segunda-feira (26).

Na véspera, o fundo de índice já havia recuado mais de 19%.

  • Risco de disputa na Justiça

Alguns profissionais também acreditam que a vitória do petista não será o único fator para a volatilidade nos mercados financeiro. Isso porque a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação das 17h às 19h, em função de problemas no deslocamento de eleitores em várias cidades, deve gerar questionamentos na Justiça.

Em pronunciamento após a derrota, Flávio não reconheceu o resultado e disse que pedirá anulação do pleito.

“Não dá para descartar discussões sobre uma eventual judicialização do resultado ou outros desdobramentos políticos. Esse ambiente de incerteza tende a impactar os preços dos ativos”, avaliou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.

Quando foi a última vez que o circuit breaker foi acionado?

A última vez que a B3 precisou ativar o mecanismo de interrupção de negócios do Ibovespa, conhecido como “circuit breaker”, foi durante a pandemia de Covid-19, em 2020. Naquele momento, o índice chegou a cair mais de 14% em um dia, em meio à preocupação com os desdobramentos do coronavírus e a deterioração dos mercados financeiros globais.

Essa, no entanto, não foi a única vez que a B3 acionou esse mecanismo. Entre os episódios marcantes em que o circuit breaker foi acionado, estão:

  • 1997 – Crise asiática: queda de 10,19% no Ibovespa.
  • 1999 – Desvalorização do real: Ibovespa caiu 10,29% no dia.
  • 2008 – Crise do subprime nos EUA: houve seis interrupções em menos de um mês.
  • 2020 – Pandemia de covid-19: o circuit breaker foi acionado seis vezes em março, algo inédito na história da bolsa brasileira.

Alguns outros momentos de forte queda do Ibovespa foram:

  • 24/04/2020: -5,45% após saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça;
  • 28/10/2020: -4,25%, com aumento dos casos de Covid-19 e proximidade das eleições nos EUA;
  • 22/02/2021: -4,87% após intervenção do governo de Jair Bolsonaro na Petrobras;
  • 05/12/2025: -4,31% após pré-candidatura de Flávio Bolsonaro para as eleições de 2026.

Bolsas Globais

Na Ásia, os mercados fecharam mistos nesta segunda-feira, conforme investidores adotavam uma postura mais cautelosa diante de uma semana movimentada, marcada por importantes reuniões de bancos centrais.

O SSEC, Índice de Xangai, teve alta de 0,19%, enquanto o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, caiu 0,04%. No Japão, o Nikkei recuou 0,80% e o Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 1,46%. O Hang Seng, de Hong Kong, teve ganhos de 0,51%.

* Com informações da agência de notícias Reuters.

Fonte: G1/Foto: Jornal Nacional/Reprodução

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