O dólar operava perto da estabilidade, na manhã desta terça-feira (28/4), dia em que o mercado financeiro volta suas atenções para o noticiário político-econômico interno, além da temporada de balanços corporativos e dos desdobramentos da negociação entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.
No Brasil, os investidores repercutem os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a “prévia da inflação” no país, referentes ao mês de abril. O mercado também reage aos números de uma nova pesquisa eleitoral sobre a corrida pela Presidência da República.
Na área corporativa, o maior destaque do dia é a divulgação dos resultados financeiros da Vale no primeiro trimestre deste ano, prevista para após o fechamento do mercado.
Dólar
- Às 10h54, o dólar subia 0,13%, a R$ 4,988, praticamente estável.
- Mais cedo, às 10h08, a moeda norte-americana avançava 0,09% e era negociada a R$ 4,987.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,009. A mínima é de R$ 4,981.
- Na véspera, o dólar terminou a sessão em baixa de 0,31%, cotado a R$ 4,982.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 3,79% no mês e de 9,23% em 2026 frente ao real.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava em queda no pregão.
- Às 10h56, o Ibovespa recuava 0,79%, aos 188 mil pontos.
- No dia anterior, o indicador fechou o pregão em queda de 0,61%, aos 189,5 mil pontos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula ganhos de 1,13% no mês e de 17,66% no ano.
“Prévia da inflação” no Brasil
Nesta terça-feira, o principal destaque da agenda econômica doméstica é a divulgação do resultado do IPCA-15, a “prévia da inflação”, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em abril, o indicador ficou em 0,89%, na base de comparação mensal, acelerando em relação ao mês anterior (0,44% em março). Já no acumulado de 12 meses até abril, o IPCA-15 foi de 4,37%, ante 3,9% de março.
Apesar da aceleração em relação ao mês anterior, o IPCA-15 de abril veio abaixo das estimativas do mercado, que apontavam índices de 1% (mensal) e 4,48% (anual).
O IPCA-15 difere do IPCA, que mede a inflação oficial do país, na abrangência geográfica e no período de coleta, que começa no dia 16 do mês anterior. Por essa razão, ele funciona como uma prévia do IPCA.
O indicador coleta dados sobre as famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador, Curitiba, Brasília e Goiânia.
A aceleração registrada em abril joga pressão sobre o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que começa a se reunir nesta terça para decidir a nova taxa básica de juros (Selic) da economia brasileira. Atualmente, a Selic está em 14,75% ao ano, após redução de 0,25 ponto percentual na última reunião do órgão.
De acordo com a maioria dos analistas do mercado, o Copom deve promover mais um corte de 0,25 ponto percentual nos juros básicos, levando a taxa para 14,5% ao ano. A decisão será anunciada na quarta-feira (29/4).
A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.
Lula diminui distância para Flávio Bolsonaro no 2º turno
Outro ponto de atenção para os mercados é a divulgação de uma nova pesquisa eleitoral sobre a corrida presidencial de 2026. Segundo levantamento do AtlasIntel, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se recuperou e está a apenas 0,3 ponto percentual do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em eventual disputa de segundo turno entre os dois. O levantamento indica que Lula tem 47,5% das intenções de voto, e Flávio Bolsonaro, 47,8%.
Na rodada anterior da AtlasIntel, no fim de março, a distância entre os dois era de 1 ponto percentual – ainda dentro da margem de erro. Flávio Bolsonaro aparecia com 47,6% das intenções de voto, e Lula, com 46,6%.
A pesquisa Atlas entrevistou 5.008 pessoas de forma virtual, por meio do método de recrutamento digital aleatório (Atlas RDR). A margem de erro é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. As entrevistas foram feitas desde a última quarta-feira (22/4) até segunda-feira (27/4).
A pesquisa AtlasIntel também mostrou que a rejeição ao governo Lula aumentou em abril, na comparação com março. Atualmente, 51,3% dos brasileiros consideram o governo ruim ou péssimo, ante 50% no mês passado. Ao mesmo tempo, o percentual de entrevistados que consideram o governo ótimo ou bom também subiu, de 41% para 42%.
Vale divulga resultados
A Vale, uma das maiores empresas de mineração do mundo e líder global na produção de minério de ferro e níquel, divulga nesta terça-feira, após o fechamento do mercado, seus resultados financeiros do primeiro trimestre de 2026.
Parte dos analistas do mercado espera que a companhia reporte um lucro líquido de US$ 2,9 bilhões no período, com alta de 105% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficaria em US$ 4,1 bilhões.
EUA e Irã negociam fim da guerra
Assim como vem acontecendo nas últimas semanas, os desdobramentos da guerra entre EUA e Irã no Oriente Médio continua ditando o ritmo do mercado. O presidente dos EUA, Donald Trump, está avaliando a nova proposta do Irã para uma solução diplomática à guerra, segundo informou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, nesa segunda-feira (27/4).
A proposta iraniana inclui a reabertura do Estreito de Ormuz, com a condição do adiamento de um consenso sobre a questão nuclear do país persa. Uma das principais exigências dos EUA para negociar é que o Irã abandone o enriquecimento de urânio – etapa essencial para a produção de armas nucleares.
Pelo lado iraniano, autoridades afirmam que o país não almeja ter armamentos nucleares e enriquece urânio para fins médicos e energéticos.
Em meio às conversas, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã continua proibindo a passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz, e a Marinha dos EUA segue impondo um bloqueio naval no Mar Arábico contra embarcações com destino ou origem em portos iranianos.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, entregou uma lista com pontos considerados inegociáveis pelo governo iraniano durante uma visita ao Paquistão, segundo a agência estatal iraniana.
A agência destacou, no entanto, que a troca de mensagens não integra diretamente as negociações entre Irã e EUA, mas tem o objetivo de esclarecer a posição iraniana sobre o cenário regional e seus pontos considerados inegociáveis. Outros detalhes não foram divulgados.
Putin se alinha ao Irã
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, se reuniu, nessa segunda-feira, em São Petersburgo, com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi. Durante o encontro, Putin afirmou esperar que o povo iraniano supere o que classificou como um “período difícil” e que a paz seja restabelecida em breve.
“De nossa parte, faremos tudo o que servir aos seus interesses e aos interesses de todos os povos da região para garantir que a paz seja alcançada o mais rápido possível”, disse Putin a Aragchi, segundo a mídia estatal russa.
Moscou tem se colocado como possível mediador para reduzir as tensões no Oriente Médio após os ataques realizados por EUA e Israel contra o Irã, ações que o governo russo condenou. A Rússia também já ofereceu armazenar o urânio enriquecido iraniano como forma de aliviar o impasse, proposta que não foi aceita pelos americanos.
No encontro, Putin revelou que recebeu uma mensagem do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, e fez um agradecimento. “Gostaria de pedir que transmita meus mais sinceros agradecimentos por isso e confirme que a Rússia, assim como o Irã, pretende continuar nosso relacionamento estratégico”, disse Putin.
As relações entre Rússia e Irã vêm se estreitando. No ano passado, os dois países firmaram um acordo de parceria estratégica com duração de 20 anos. Além disso, os russos estão construindo novas unidades nucleares em Bushehr, onde fica a única usina nuclear iraniana.
Em paralelo, o Irã forneceu drones do tipo Shahed para uso da Rússia na guerra contra a Ucrânia, reforçando a cooperação militar entre os dois países.
Fonte: Metrópoles/Foto: Artem Priakhin/SOPA Images/LightRocket via Getty Images
