O dólar operava em baixa, nesta quinta-feira (15/1), em um dia no qual o mercado financeiro segue monitorando os desdobramentos das novas investigações da Polícia Federal (PF) sobre as supostas fraudes no Banco Master.
No cenário doméstico, os investidores repercutem ainda a sanção do Orçamento de 2026 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com vetos ao pagamento de parte das emendas parlamentares, e os dados das vendas do comércio varejista em novembro do ano passado, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No exterior, o foco continua sendo o embate entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), Jerome Powell.
Dólar
- Às 10h15, a moeda norte-americana recuava 0,36% e era negociada a R$ 5,382.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,392. A mínima é de R$ 5,379.
- Na véspera, o dólar terminou a sessão em alta de 0,49% frente ao real, cotado a R$ 5,402.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 1,58% frente ao real em 2026.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), abriu o pregão em alta.
- Às 10h18, o indicador avançava 0,24%, aos 165,5 mil pontos, já renovando sua máxima histórica.
- No dia anterior, o Ibovespa subiu 1,96%, aos 165.145,98 pontos, a nova máxima de fechamento de todos os tempos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 2,52% no ano.
Banco Central determina liquidação da Reag
Um dia após a segunda fase da Operação Compliance Zero, que teve como alvo central o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o Banco Central (BC) determinou, nesta quinta-feira, a liquidação extrajudicial da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., cuja atual denominação é CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., com sede em São Paulo.
O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, foi um dos alvos da Compliance Zero na quarta-feira (14/1), e a Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de busca e apreensão, em endereços ligados a ele, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). A operação também atingiu o empresário Nelson Tanure, conhecido por investir em empresas em dificuldades financeiras.
Segundo nota do BC, a decretação da liquidação extrajudicial da Reag é motivada por “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN)”.
Conforme o BC, a Reag se enquadra no segmento S4 para fins de critérios de regulação prudencial. A instituição representa 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
No comunicado, o BC acrescenta que vai continuar realizando trabalho de apuração de responsabilidades e adianta que o resultado do levantamento de informações pode ter como consequência outras sanções.
“O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição”, diz trecho do comunicado.
Segundo a apuração da PF, a Reag aparece nas investigações por administrar fundos que teriam sido usados para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master.
A suspeita é de que estruturas financeiras tenham sido utilizadas para simular operações de crédito, criar lastro fictício e dar aparência de solidez a ativos que não correspondiam à realidade contábil.
Fontes ligadas à investigação apontam que parte dos indícios contra o núcleo financeiro surgiu a partir da análise de movimentações consideradas atípicas em fundos sob gestão da Reag.
Entre os pontos que chamaram a atenção dos investigadores, estão operações de curtíssimo prazo com rentabilidades extraordinárias, incompatíveis com padrões normais do mercado financeiro.
A Reag Investimentos já foi considerada o empreendimento de maior sucesso instalado no maior centro financeiro do país, a Faria Lima, em São Paulo. Em apenas cinco anos, de 2020 até 2025, o patrimônio sob a gestão da Reag se multiplicou por quase 14 vezes: foi de R$ 25 bilhões para R$ 341 bilhões.
Lula sanciona Orçamento e veta emendas
O presidente Lula sancionou, nessa quarta-feira, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026. Como mostrou o Metrópoles, o petista vetou R$ 400 milhões do volume previsto para o pagamento de emendas parlamentares. Outros R$ 11 bilhões serão remanejados para outros fins ou bloqueados.
A decisão foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU). O texto do Orçamento, aprovado em 19 de dezembro pelo Congresso Nacional, prevê um total de R$ 61 bilhões em verbas indicadas por deputados e senadores. O número representa um aumento de 25% no valor autorizado em 2025, que foi de R$ 48 bilhões.
Com a recusa de cerca de R$ 11,4 bilhões pelo titular do Planalto, o valor destinado às emendas parlamentares ficará em torno de R$ 50 bilhões.
Na semana passada, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, já havia indicado que Lula vetaria o aumento. Segundo o auxiliar, o montante supera o limite acordado entre Executivo e Legislativo, com aval do STF, que fixou um teto de crescimento das despesas com emendas de até 2,5% acima da inflação.
Conforme o parecer do relator, deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL), dos R$ 61 bilhões previstos, R$ 49,9 bilhões dizem respeito a despesas obrigatórias e discricionárias.
A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), sancionada por Lula no início do mês, estabeleceu um cronograma para a liberação dos recursos. Pelo calendário, o Palácio do Planalto terá de empenhar 65% dos R$ 38 bilhões em emendas obrigatórias — mais de R$ 24 bilhões — até julho, antes do período eleitoral.
O motivo do veto, segundo o governo, está nas verbas do tipo RP2. No jargão orçamentário, esses recursos funcionam como uma “carteira de planejamento” dos ministérios, ou seja, valores reservados para aplicação conforme a avaliação técnica de maior urgência.
O Planalto afirma que parlamentares tentaram “carimbar” essas verbas, indicando destinos específicos, como cidades e hospitais, em recursos que deveriam ter gestão livre para políticas nacionais de saúde e educação.
O governo sustenta que o Congresso desrespeitou a Lei Complementar nº 210/2024, que proíbe o uso de emendas para transformar o RP2 em um tipo de “puxadinho” das próprias emendas parlamentares. Segundo o veto, ao definir a destinação do dinheiro sem autorização dos ministérios da Saúde ou da Educação, o Legislativo violou regras de transparência.
Na avaliação do Planalto, a manobra tenta resgatar a lógica do antigo “orçamento secreto” (extinto RP9), apenas com a mudança do nome da rubrica para RP2.
Varejo tem alta em novembro
Outro dado observado com atenção pelo mercado é o das vendas do comércio varejista referentes a novembro do ano passado. O volume de vendas varejo no país avançou 1% em novembro em relação a outubro de 2025. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do IBGE.
De acordo com o levantamento, em 2025, o varejo acumulou até novembro crescimento de 1,5%. Já no acumulado em 12 meses, a taxa também foi de 1,5%.
Ao todo, o comércio varejista possui oito atividades pesquisadas. Destas, sete tiveram resultados positivos. Os principais destaques positivos são as vendas de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (4,1%); móveis e eletrodomésticos (2,3%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (2,2%). O único resultado negativo ficou por conta de tecidos, vestuário e calçados, com retração de 0,8%.
Iniciada em janeiro de 1995, a pesquisa produz indicadores sobre o comportamento conjuntural do comércio varejista no país. Para calcular a Pesquisa Mensal de Comércio, o IBGE monitora a receita bruta de revenda nas empresas formais, com 20 ou mais trabalhadores, cuja atividade principal é o comércio varejista.
A PMC traz indicadores de faturamento real e nominal, pessoal ocupado e salários e outras remunerações.
Trump descarta demitir Powell, do Fed
No front internacional, os embates entre os presidentes dos EUA, Donald Trump, e do Federal Reserve, Jerome Powell, continuam chamando atenção dos investidores, em meio a uma investigação liderada pelo Departamento de Justiça contra a autoridade monetária norte-americana.
Em declaração à agência Reuters, Trump afirmou não ter planos para demitir Powell. No entanto, o republicano afirmou que ainda é “cedo demais” para definir qual será sua decisão final. “Não tenho planos para isso”, disse.
O presidente norte-americano foi questionado sobre uma possível demissão do presidente do Fed. O mandato de Powell termina em maio deste ano, mas ele não é obrigado a deixar o Conselho. “Neste momento, estamos numa espécie de compasso de espera com ele, e vamos decidir o que fazer. Mas não posso entrar em detalhes. É muito cedo. Muito cedo”, reforçou Trump.
Apesar da declaração, Trump afirmou que considera indicar o ex-governador do Fed Kevin Warsh ou o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, como possíveis substitutos.
Ao longo do último ano, Trump e aliados intensificaram as críticas a Powell por não promover cortes nos juros no ritmo defendido pelo republicano.
Fonte: Metrópoles/Foto: Artem Priakhin/SOPA Images/LightRocket via Getty Images
