O dólar operava em leve alta, na manhã desta segunda-feira (5/1), na primeira sessão do mercado financeiro após os ataques militares dos Estados Unidos contra a Venezuela, na madrugada do último sábado (3/1).
As atenções dos investidores estão voltadas para os desdobramentos políticos e econômicos da invasão norte-americana no território venezuelano, que levou à captura do ditador Nicolás Maduro – que foi levado aos EUA, onde será julgado.
O mercado também observa com atenção o andamento dos preços internacionais do petróleo, que podem ser fortemente atingidos com a crise venezuelana. O país sul-americano detém a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com capacidade estimada em cerca de 303 bilhões de barris, segundo dados da Energy Information Administration (EIA), órgão oficial de estatísticas energéticas dos EUA. A produção, no entanto, despencou nas últimas décadas.
Dólar
- Às 10h07, a moeda norte-americana avançava 0,47% e era negociada a R$ 5,45.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,451. A mínima é de R$ 5,423.
- Na sessão da última sexta-feira (2/1), a primeira do ano, o dólar fechou em forte queda de 1,18%, cotado a R$ 5,42.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula ganhos de 1,18% em 2026.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), abriu o primeiro pregão da semana perto da estabilidade, em leve baixa.
- Às 10h10, o indicador recuava 0,09%, aos 160,3 mil pontos.
- No pregão anterior, o Ibovespa fechou em queda de 0,36%, aos 160,5 mil pontos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula perdas de 0,36% no ano.
Conselho de Segurança discute crise na Venezuela
O Conselho de Segurança das Organização das Nações Unidas (ONU) se reúne na manhã desta segunda-feira (5/1), em Nova York, para discutir a operação dos EUA que capturou Maduro e sua esposa, Cilia Flores.
O pedido de reunião foi apresentado pela Colômbia, governada por Gustavo Petro, que tem acumulado embates com o presidente norte-americano, Donald Trump. O Brasil participará do encontro, mas não terá direito a voto.
Conforme apurou o Metrópoles, o Brasil será representado pelo embaixador Sérgio Danese, que solicitará a palavra durante a sessão, embora o país não seja membro permanente do conselho. Segundo interlocutores do Itamaraty, não haverá mudança na posição brasileira em relação à ação dos EUA contra a Venezuela.
Pelas regras da ONU, além dos membros permanentes do conselho – China, França, Rússia, Reino Unido e EUA –, a Somália, que preside o colegiado em janeiro, tem direito a voto. A Colômbia é a representante da América do Sul no atual período.
A reunião ocorre após um encontro extraordinário da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Na ocasião, o chanceler venezuelano Yván Gil classificou a operação que capturou Maduro como “criminosa” e pediu aos países-membros que exijam a libertação do chavista.
Anteriormente, o Brasil divulgou nota conjunta com México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha, na qual fez ponderações sobre a ação dos EUA e defendeu solução pacífica para a região “sem ingerências externas”. No entanto, a reunião terminou sem acordo.
Na madrugada do último sábado (3/1), militares dos EUA realizaram ataque contra Caracas, que resultaram na captura de Maduro e Flores. Os dois foram levados para Nova York, onde estão presos e aguardam julgamento por crimes como narcoterrorismo. Nesta segunda, Maduro será apresentado oficialmente a um juiz federal em Nova York.
Em meio às incertezas sobre o futuro da Venezuela, Donald Trump ameaçou, nesse domingo (4/1), a atual comandante do país, Delcy Rodríguez, e afirmou que a vice de Maduro poderá pagar um “preço alto” se não colaborar com os planos dos EUA.
“Se ela não fizer o que é certo, pagará um preço muito alto, provavelmente maior do que Maduro”, declarou o presidente dos EUA entrevista ao jornal The Atlantic.
No sábado (3/1), Trump sinalizou que as forças dos EUA, estacionadas na América Latina e Caribe, estão prontas para uma possível segunda onda de ataques contra a Venezuela, “caso seja necessário”.
Os planos dos EUA para o país ainda não estão claros. Trump, no entanto, já afirmou que Washington pretende governar a Venezuela durante um período de transição e intervir diretamente no setor petrolífero.
Segundo o presidente dos EUA, a operação militar teve como alvo a estrutura do regime chavista e resultou na captura de Maduro. Ele classificou a ação como uma “operação brilhante” e afirmou que a capacidade militar da Venezuela foi neutralizada.
De acordo com o jornal The New York Times, o número de mortos durante os ataques à Venezuela dobrou em 24 horas e chegou a 80. A contagem anterior, divulgada pelo próprio veículo, apontava 40 vítimas entre militares e civis após os bombardeios.
O dado atualizado foi repassado por um alto funcionário venezuelano, sob condição de anonimato. A fonte afirmou ainda que o total de mortos pode aumentar nas próximas horas à medida que novas informações forem confirmadas.
Trump agora ameaça a Colômbia
Menos de 48 horas após o ataque militar contra a Venezuela, o presidente dos EUA, Donald Trump, revelou que a Colômbia pode ser o próximo alvo de uma operação norte-americana.
Em entrevista a bordo do avião presidencial Air Force One, na noite de domingo, o presidente dos EUA disse que a Colômbia está “muito doente” e comentou sobre possibilidades de operações militares no México e em Cuba.
“A Colômbia também está muito doente, governada por um homem doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la para os EUA, e ele não vai continuar fazendo isso por muito tempo”, afirmou Trump.
Jornalistas, então, questionaram o republicano se a resposta significava que uma operação militar poderia ser realizada contra a Colômbia. Trump respondeu: “Para mim, parece ótimo”.
O presidente colombiano, Gustavo Petro, é um dos principais alvos de Trump no continente. O republicano já chegou a afirmar que o líder da Colômbia é um “traficante produtor de cocaína” e que deveria ser preso.
O que esperar do petróleo
Além da instabilidade política no continente, uma das maiores preocupações do mercado financeiro em relação à crise na Venezuela envolve os seus efeitos sobre o petróleo.
No domingo, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) informou que manterá a produção mundial da commodity estável, seguindo compromisso firmado pela entidade em novembro de 2025.
A informação foi divulgada depois de reunião entre oito membros da Opep+, que produzem cerca de metade do petróleo mundial. O encontro aconteceu após a queda de quase 20% nos preços do petróleo em 2025, o maior baque anual desde 2020.
Para especialistas do setor, tal queda no preço reflete um excesso de oferta mundial da commodity. Os oito países que participaram da reunião (Arábia Saudita, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Cazaquistão, Kuwait, Iraque, Argélia e Omã) aumentaram as metas de produção de petróleo em cerca de 2,9 milhões de barris por dia, de abril a dezembro de 2025, o que equivale a quase 3% da demanda mundial de petróleo.
Em novembro, porém, os mesmos países concordaram em suspender os aumentos de produção em janeiro, fevereiro e março. O anúncio de domingo, portanto, confirma essa decisão. A breve reunião on-line não discutiu a questão da Venezuela, segundo afirmou um delegado da Opep+. Um novo encontro do grupo deve ocorrer em 1º de fevereiro.
A Opep é uma organização que reúne produtores de petróleo, fundada em 1960. Seus membros, como Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Venezuela, controlam quase toda a produção mundial da commodity, influenciando diretamente os preços da energia. A Opep+ é uma ampliação do grupo, que incorpora outros grandes produtores, como a Rússia e o Brasil, membro observador desde 2025.
Em entrevista ao Metrópoles, no fim de semana, Adriano Pires, especialista no setor de energia e infraestrutura, disse não acreditar em uma elevação nos preços do petróleo como consequência da ação norte-americana. Isso porque a produção da Venezuela no contexto global não é expressiva e já havia um excesso de oferta do produto no mundo.
Foi por isso que os preços do petróleo registraram perda de quase 20% no ano passado, o que representou a maior queda anual desde 2020. Recuos nesse nível ocorreram tanto nos contratos futuros do barril tipo Brent, a referência para o mercado mundial, como no West Texas Intermediate (WTI), que baliza o mercado norte-americano.
“No curto prazo, acredito que o preço do petróleo pode até diminuir no mercado internacional, como resultado da ação dos EUA na Venezuela”, diz Pires. “Ela pode criar uma expectativa de que a produção mundial deve aumentar com o fortalecimento do setor no país, depois da eventual chegada das gigantes norte-americanas à Venezuela.”
Para o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Ardenghy, no entanto, o risco de elevação do preço da commodity é mais do que significativo. Na verdade, ele considera que a alta é uma “aposta certeira” no mercado internacional já a partir desta segunda-feira.
Ardenghy acredita que essa volatilidade é impulsionada pela incerteza política e pelas possíveis reações de aliados estratégicos da Venezuela e membros da Opep, como Rússia e Irã, além de uma eventual redução na oferta global.
Fonte: Metrópoles/Foto: Douglas Sacha/Getty Images


