Doria: “governo precisa entender que os tempos são outros”

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No comando de mais um evento do grupo Lide, que reúne em Lisboa algumas das principais autoridades do país, além de representantes do setor empresarial, o ex-governador de São Paulo, João Doria, alerta o governo para a necessidade de fazer deslanchar imediatamente uma agenda em favor da geração do emprego e do combate à pobreza.

Embora avalie positivamente os esforços do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em ouvir o setor produtivo, alerta para a necessidade de promover a busca de investimentos e parcerias com o setor privado, inclusive por meio de uma plano de privatizações. “É preciso ter a compreensão de que os tempos são outros”, diz Doria, ressaltando que defender a desestatização “não tem nada a ver com esquerda ou direita”.

O ex-governador, que ainda descarta qualquer possibilidade de voltar à política ou mesmo planos de filiação partidária, defende uma regulação mais ágil e eficiente para o controle das fake-news e do mal uso das redes sociais – tema dominante nos debates em Lisboa. Doria evitou comentar questões ligadas ao ex-presidente Bolsonaro. Sobre as cobranças por punição a eventuais crimes praticados pela gestão anterior, que ensejam o movimento “sem anistia”, o ex-governador defendeu o cumprimento da lei, com respeito ao direito de defesa.

“Não é necessário haver uma obsessão pela condenação.  Cumpra-se a lei. E ela deve valer para todos.” E completou: “a obsessão passa a ser entendida como perseguição, que é condenável, vinda da esquerda ou da direita. Ela não é o amparo pacificador”.

O blog entrevistou o ex-governador João Doria, por telefone, direto de Lisboa.

R7 – A regulação do uso das redes sociais foi defendido esta manhã pelo ministro Alexandre de Moraes. Como fazer isso?

Eu acho necessário fazer isso. Não significa nenhum tipo de censura. Apenas uma regulação para, mantendo liberdade de expressão, evitar situações que possam incorrer em crimes contra honra ou crimes de ataque e ameaças morais ou físicas às pessoas e instituições.

Entendo que se construir legislação e regras para isso é perfeitamente possível. Concordo com o ministro Alexandre de Moraes que é preciso ter celeridade na punição de responsáveis.

R7 – Para controle das fake news, o governo federal criou  a Procuradoria de Defesa da Democracia, no âmbito da AGU. A iniciativa é polêmica e vem sendo contestada…

Eu entendo que a medida é necessária, ela é boa, e ela não é coercitiva, não é censora e sim protetora da verdade e da liberdade.

R7 – Uso das redes sociais está ajudando a promover um ataque interno à democracia e as instituições, como mencionou o ministro Alexandre de Moraes?

O mal uso. E é isso que precisa ser condenado. As redes sociais são um mecanismo de mídia importante, democrático e de fácil acesso, mas elas não podem ser utilizadas com o objetivo de denegrir, machucar e intimidar pessoas, instituições ou empresas.

R7 – Como avalia os primeiros dias do novo governo?

Ainda na expectativa. Dado ao 8 de janeiro, o governo acabou centrando muito de sua atenção nos aspectos da criminalização dos que participaram da invasão da sede dos três poderes. Isso, a meu ver, retardou o início de um programa de governo. Eu estimo e desejo que a partir de março o governo posso finalmente governar e deixar que a lei cuide da criminalização e da análise dos fatos que envergonharam o Brasil, com a ocupação e a degradação dos três poderes da República e o afrontamento à Constituição e à Democracia.

R7 – O que acha do desempenho do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, até o momento?

Ele tem tido um boa prática do diálogo que eu aprecio. Ele tem dialogado com setores produtivos em São Paulo e outros estados. Eu entendo que o diálogo ajuda a construir plataformas melhores para os projetos econômicos, para a reforma tributária, para iniciativas que sob a liderança do ministro Haddad poderiam produzir bons resultados para o Brasil.

Dada a circunstância de ser o início de um governo que nem sequer completou 100 dias, eu entendo que os primeiros passos na busca de um diálogo são positivos.

R7 – Como recebeu as primeiras medidas do pacote fiscal anunciado por Haddad?

Não há clareza ainda por parte do Ministro Haddad em relação ao compromisso de corte de gastos. Assim como é preciso ficar claro o compromisso com programas de desestatização, que são manifestamente positivos para a geração de empregos, o crescimento econômico e o reconhecimento por parte de investidores internacionais de que o Brasil compreende a importância do capital investido em serviços públicos e infraestrutura.

É preciso ter compreensão, os tempos são outros. Não estamos mais nas décadas de 80, 90, ou no início do século. Nós tivemos um salto quântico nesta visão desestatizante, que não significa ser de esquerda ou direita. É um passo a ser seguido pelo Brasil se quiser modernidade a um preço de investimento que o Estado não tem.

*R7

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