Na avaliação de economistas, o comunicado divulgado nesta quarta-feira (17/6) pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), menciona pela primeira vez um novo risco para a inflação. No caso, trata-se do risco fiscal.
Rafaela Vitoria, economista-chefe do Banco Inter, observa que o Copom cita que “estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo” enfraquecem os canais de transmissão da política monetária. “Ou seja, os novos estímulos fiscais podem interromper o processo de queda da Selic e poderemos ter juros mais elevados por mais tempo”, diz Rafaela, que acrescenta. “Os próximos passos do Comitê, seja uma pausa ou a continuidade do processo de flexibilização da taxa básica, dependerão da evolução do cenário global, e também do comportamento da demanda e seu efeito na inflação de serviços.”
A inclusão do problema fiscal no rol de riscos inflacionários também foi destacada por outros especialistas em finanças (veja mais sobre esse assunto neste link). “No balanço de riscos, o comunicado acrescenta os estímulos à demanda agregada, leia-se a política fiscal expansionista”, diz Beto Saadia, economista-chefe da Nomos. “Esse é um sinal de que o Copom passou a monitorar o lado fiscal como vetor inflacionário autônomo, não apenas como ruído.”
Saadia observa que o risco climático também apareceu pela primeira vez no comunicado, destacando efeitos sobre a produtividade agrícola e os custos de energia. No documento, o Copom faz uma análise do cenário externo e interno, a partir do qual justificou o corte da Selic de 0,25 ponto percentual, realizado nesta quarta-feira. Com a redução, a taxa básica de juros do país passou de 14,50% para 14,25% ao ano.
Fonte: Metrópoles/Foto: Getty Images
