O delegado Ricardo Cunha, da DEHS (Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros), afirmou que Guilherme Guimarães da Silva, de 23 anos, suspeito de atropelar e matar o jovem Wilker Pinto Neves, de 25 anos, “assumiu o risco da morte” ao dirigir em alta velocidade.
“É um crime que a gente considera como homicídio praticado na condução de veículo de forma dolosa (intenção de matar). É o dolo eventual… Ele assumiu o risco dessa morte. Não esboçou qualquer tipo de reação no momento em que atropelou a vítima”, afirmou Cunha, em entrevista coletiva nesta quinta-feira (29).
O caso ocorreu na madrugada do dia 18 de maio, na Avenida Joaquim Nabuco, no Centro de Manaus. Na ocasião, o suspeito fugiu do local sem prestar socorro. Wilker morreu na hora.
Guilherme foi preso na quarta-feira (29) em uma casa no bairro Petrópolis, na zona sul de Manaus. No local, a polícia também apreendeu o carro envolvido no acidente, modelo Siena, cor prata. Segundo o delegado, o veículo estava com placa adulterada.
“As câmeras de estabelecimentos comerciais ajudaram substancialmente as investigações. A gente identificou esse veículo e o condutor — também outro jovem, que estava conduzindo o veículo naquele dia. As investigações também localizam o paradeiro desse veículo. Ele já estava com uma placa adulterada”, disse Cunha.
De acordo com o delegado, Guilherme confessou que dirigia o veículo e contou que havia bebido naquela noite e madrugada, mas nega que estivesse em alta velocidade. Para Cunha, as imagens de câmeras de segurança contradizem a versão do suspeito.
“Ele confessa o crime, confessa que estava na condução do veículo, nega, porém, que estava em alta velocidade. Mas, obviamente, isso não nos convence. As imagens são muito claras”, disse Cunha.
“É uma pista de velocidade máxima de 40 quilômetros por hora. Ele estava muito acima dessa velocidade. Ele admite que havia bebido naquele dia. Era 3 horas da manhã e ele estava bebendo desde as 11 da noite do dia anterior”, completou Cunha.
De acordo com o delegado, Guilherme disse que fugiu do local por medo de ser linchado e de ser preso. “Ele alegou que ficou com medo por conta da população querer de alguma forma lesioná-lo, ficou com medo de ser preso e, por essa razão, fugiu”, afirmou Cunha. “A rua não estava movimentada, não tinha tráfego de pessoas. Não nos convenceu também esse argumento”, completou.
Ainda conforme o delegado, naquela noite e madrugada, Wilker comemorava a conquista da casa nova. Ele saiu de casa para comprar bebidas e, no caminho, foi atropelado e morreu.
“Naquele dia, Wilker havia conquistado mais um de seus grandes sonhos, que era a casa própria. Ele estava comemorando com seus familiares essa conquista, junto com seus amigos. Na ocasião, a bebida acabou e ele, prontamente, não queria deixar os convidados irem embora, se prontificou a comprar mais bebidas e se dirigiu a um bar nas proximidades de sua casa”, afirmou Cunha.
Denúncia anônima
De acordo com documentos que o ATUAL teve acesso, a polícia chegou até Guilherme a partir de uma denúncia anônima informando que o veículo envolvido no acidente estava escondido em uma casa no bairro Petrópolis. Os investigadores identificaram que o carro está no nome de outra pessoa.
A testemunha relatou que o carro apareceu no local com a frente e o para-brisa danificados, e que era conduzido por Guilherme, que chegou “aparentemente embriagado”. Ainda segundo a denúncia, o suspeito afirmou que havia “atropelado alguém”.
Câmeras do Cerco Inteligente de Videomonitoramento, o “Paredão”, registraram o veículo transitando por uma rua do bairro Petrópolis. As imagens mostram duas pessoas saindo correndo do carro. O sistema também identificou que, no dia 17, o veículo circulava sem danos, o que, segundo a polícia, reforça que ele foi utilizado no atropelamento.
Os policiais foram ao endereço indicado, prenderam Guilherme e apreenderam o carro. O homem e o veículo foram encaminhados à DEHS (Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros), na zona leste da cidade.
Fonte: Amazonas Atual/Foto: Reprodução
