50% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA (Estados Unidos), setores estratégicos e o governo intensificam esforços para tentar negociar um cenário mais favorável às empresas nacionais.
Especialistas, no entanto, alertam para os impactos diretos em duas áreas cruciais: a tributária e a financeira. Segundo Cláudio Carneiro, mestre e doutor em direito tributário e professor convidado da FGV-SP (Fundação Getulio Vargas), exportar para os Estados Unidos ficou mais caro — e será preciso traçar estratégias.
“Sem uma reação adequada por parte das empresas, sob o ponto de vista individual, e não apenas esperando uma resposta do governo, corre-se o risco de perder um dos principais mercados do mundo, tanto em termos de tamanho quanto de relevância internacional”, afirma.
Carneiro ressalta que os setores mais afetados são aqueles ligados a produtos com médio e alto grau de industrialização — especialmente os itens tradicionais da pauta exportadora brasileira.
“É mais um obstáculo para as empresas, muitas das quais já operam no limite da margem de lucro. Nessas condições, a exportação pode se tornar inviável”, pontua.
Impactos
Tributário
Segundo o especialista, o impacto tributário é imediato e envolve o aumento da carga de impostos para a entrada dos produtos brasileiros no território norte-americano. Isso afeta tanto as exportações diretas quanto as empresas brasileiras que vendem para suas filiais nos Estados Unidos.
Financeiro
Do ponto de vista financeiro, o maior problema é o custo final do produto. Isso pode gerar perda de competitividade no mercado norte-americano devido ao aumento de preço.
“Esse cenário pode levar à queda nas vendas dos produtos brasileiros nos EUA, resultando em prejuízos financeiros para as empresas — e, em casos mais drásticos, até mesmo na falência”, explica Carneiro.
Ele acrescenta que os impactos podem se estender aos trabalhadores e aos estados brasileiros que concentram cadeias produtivas voltadas para exportação.
Revisão de contratos
Além disso, o professor explica que a revisão de contratos no mercado internacional é um processo bastante complexo, especialmente no que diz respeito à definição de quem deve arcar com os custos adicionais gerados pelas novas tarifas.
“Nós estamos falando de mercado internacional, não de uma cadeia produtiva interna. E repassar esse custo ao longo da cadeia pode tornar a operação inviável. Então temos um problema sério”, pontua.
Questionar a taxação
Carneiro destaca que é possível recorrer contra as tarifas em organismos internacionais, como a OMC (Organização Mundial do Comércio), e também nas instâncias jurídicas internas dos EUA.
No entanto, segundo ele, o grande desafio é que as próprias empresas teriam de protagonizar essa reação — uma estratégia que pode gerar conflitos.


