Entenda o que se sabe e o que falta esclarecer sobre o caso da mulher que teve mão amputada após o parto

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Gleice Kelly da Silva, de 24 anos, até hoje não sabe o que aconteceu na noite de 10 de outubro de 2022, quando, após uma complicação em seu parto, ela recebeu um acesso venoso na mão, que passou a inchar e a ficar roxa. O procedimento terminou com a necessidade da amputação do membro.

Hospital da Mulher Intermédica de Jacarepaguá não deu informações sobre a complicação, deixando a mãe de três filhos angustiada e tendo que se adaptar a uma nova vida. Veja abaixo o que se sabe e o que falta esclarecer sobre esse caso.

Veja abaixo o que se sabe sobre o caso:

1- O que a amputação tem a ver com o parto?

A amputação não tem relação direta com o parto, mas com uma complicação que aconteceu após o procedimento. Gleice teve uma hemorragia por inversão uterina e recebeu um acesso na mão esquerda para receber medicação na veia. Esse acesso teria dado algum tipo de complicação — não explicada pelo hospital — que levou o membro a ficar inchado e roxo e ser amputado seis dias depois, no dia 16 de outubro.

2- Por que aconteceu a retirada da mão?

Após a complicação na mão, e a tentativa de salvar o membro sem sucesso, os médicos optaram pela amputação, já que o problema começava a afetar também o braço esquerdo. Gleice perdeu a mão esquerda e o punho.

3- Quando aconteceu?

O parto e a complicação pós-parto — que levou a colocação do acesso na mão — ocorreu no dia 10 de outubro de 2022. A amputação aconteceu seis dias depois, quando não havia mais como salvar a mão.

4 – A quantos procedimentos a jovem foi submetida?

Sem contar o parto, que já era algo previsto, Gleice Kelly precisou passar por três procedimentos:

  • colocação e retirada de um balão intra-uterino para conter a hemorragia;
  • amputação da mão;
  • curetagam por sucção 45 dias após o parto após novo sangramento.

5 – Por que o caso está sendo revelado só agora?

Como lidou com muitas complicações — amputação, nova hemorragia após 45 dias do parto — e ainda tinha um bebê recém-nascido para cuidar, só agora Gleice e sua família puderam procurar uma advogada para ajudá-los.

6- Houve alguma coisa com o bebê?

Não. Levi nasceu de parto normal, saudável, e teve alta médica dois dias depois de nascido, no dia 12 de outubro. Mas o menino só foi conhecer sua mãe 17 depois de seu nascimento, quando Gleice teve alta já com a mão amputada.

7 – O que o hospital diz?

O hospital não explicou o que houve com o acesso venoso que levou à amputação de Gleice, nem liberou o prontuário completo dela. Após a divulgação do caso, o Hospital da Mulher Intermédica de Jacarepaguá divulgou apenas que se solidarizava com Gleice e que lamentava o ocorrido.

8 – O caso foi parar na polícia?

Após a entrada de uma advogada no caso, ela orientou a Gleice e sua família a registrar queixa para que a polícia possa investigar e, se for o caso, transformar em indiciamento e, posteriormente, em processo criminal. O registro foi feito dia 12 de janeiro na 41ª DP (Tanque). Além da polícia, o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro abriu uma sindicância para saber se houve erro médico.

9 – Como está mulher hoje?

Gleice está abalada psicologicamente e diz que não consegue olhar para o próprio braço, que tem vergonha de sair de casa, pois acham que todos vão olhar para ela. Ela também diz que sente muito por não conseguir dar banho em seu bebê sozinha, conta que um dos filhos — ela é mãe de três meninos de 8 e 4 anos, além do bebê de 3 meses —, ficou com medo do seu braço, e que outro acha que ele vai crescer de novo.

*g1

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