A empresa Lilly, farmacêutica detentora do Mounjaro, criticou a Prefeitura de Urupês, no interior de São Paulo, que passou a oferecer gratuitamente o medicamento tirzepatida, para tratamento da obesidade na rede municipal de saúde.
Em nota ao Metrópoles, a empresa afirma que “está comprometida com a segurança dos pacientes e com a expansão do acesso a medicamentos inovadores para pessoas que vivem com obesidade e doenças cardiometabólicas. Compreendemos a urgência que os administradores públicos sentem ao enfrentar a obesidade e reconhecemos a genuína intenção por trás da iniciativa de saúde do município de Urupês”.
De acordo com a administração municipal, aproximadamente 200 pacientes serão atendidos de forma escalonada e com acompanhamento de uma equipe multidisciplinar formada por endocrinologista, nutricionista, psicólogo, educador físico e assistente social.
No entanto, a empresa se diz preocupada com a forma de como o programa da cidade foi feito: “Estamos profundamente preocupados com o fato de que o programa, conforme anunciado, está colocando cidadãos em risco. Imagens do anúncio do município revelam que o produto sendo distribuído é uma versão manipulada em escala industrial da tirzepatida — e não o Mounjaro da Lilly. Preocupa-nos que os pacientes possam não estar cientes dessa distinção e acreditem estar recebendo um medicamento aprovado pela Anvisa quando, na verdade, não estão. A Lilly convida o prefeito de Urupês a reavaliar, com a devida urgência, a distribuição desses produtos e manifestamos nossa abertura para um diálogo construtivo sobre as prioridades de saúde pública do município “.
“O que está sendo distribuído não é Mounjaro. O Mounjaro é fabricado pela Lilly com rigorosos padrões de qualidade e segurança e é o único medicamento à base de tirzepatida aprovado pela Anvisa no Brasil. O produto distribuído por Urupês não foi revisado nem aprovado pela Anvisa e não pode ser considerado seguro, eficaz ou equivalente ao medicamento aprovado. De acordo com a regulamentação brasileira, os medicamentos manipulados existem exclusivamente para atender necessidades individualizadas de pacientes que não podem ser supridas por produtos aprovados — eles não são permitidos como substitutos de medicamentos industrializados aprovados pela Anvisa. Este programa, da forma como está estruturado, está fora do escopo legalmente permitido para manipulação de medicamentos no Brasil”, ressalta a nota.
Segundo a Lilly, “versões manipuladas em escala industrial não estão sujeitas à aprovação regulatória nem aos controles necessários para síntese, purificação, esterilidade e armazenamento seguros para escala industrial. A Lilly encontrou produtos de tirzepatida manipulada — no Brasil e em outros países — contendo bactérias, altos níveis de endotoxinas, impurezas significativas ou uma estrutura química completamente diferente da do nosso medicamento aprovado. Os pacientes que recebem esses produtos não têm como saber o que está sendo administrado a eles”.
“Boas intenções não compensam esses riscos. A segurança do paciente deve sempre vir em primeiro lugar”, completa a empresa.
A Prefeitura de Urupês afirma que comprou os medicamentos de uma farmacêutica devidamente regularizada, de Santana de Parnaíba, na região metropolitana de São Paulo, com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
*Metrópoles/Foto: Matthew Horwood / Colaborador Getty Images


