Os deputados do Congresso dos Estados Unidos decidiram nesta quarta-feira (17) que o caso da expulsão de George Santos será avaliado inicialmente pelo Comitê de Ética da Casa.
Assim, George Santos escapou de uma cassação imediata. A decisão torna o processo de uma eventual expulsão mais lento.
Foram 221 votos para determinar que o caso de Santos deve passar pelo Comitê de Ética, todos eles de deputados do Partido Republicano, o mesmo do deputado que responde o processo. Todos os votos contrários (204) foram de deputados do Partido Democrata.
O Partido Republicano domina o Congresso dos EUA, mas é uma maioria de apenas quatro cadeiras.
Acusações contra o deputado
O congressista foi eleito por um distrito do estado de Nova York. Filho de brasileiros, ele é responde às seguintes acusações:
- Desviar dinheiro de sua campanha.
- Receber falsamente fundos de desemprego.
- Mentir ao Congresso sobre suas finanças.
Ele negou as acusações e se declarou inocente.
Discussões entre os deputados
O deputado Robert Garcia, do Partido Democrata, apresentou uma resolução em fevereiro para expulsar Santos, algo que a Câmara fez apenas duas vezes nas últimas décadas. Ele procurou forçar a votação dessa resolução em um processo que deixou três opções para os republicanos: uma votação na resolução, uma proposta para a mesa ou um encaminhamento ao comitê.
O presidente da Câmara, Kevin McCarthy, escolheu a terceira opção, para desgosto dos democratas, que a descreveram como uma “desvantagem completa”. Eles observaram que o painel de ética já está investigando Santos e que era hora de os membros republicanos da Câmara, que pediram a renúncia de Santos, apoiarem suas palavras com ações.
“É simplesmente um esforço para os republicanos evitarem ter que votar para cima ou para baixo sobre se George Santos pertence ou não aqui”, disse o deputado Dan Goldman.
Os democratas tentaram ainda conseguir o apoio dos deputados do Partido Republicano de Nova York (muitos deles têm criticado Santos porque não querem ter a imagem deles vinculada à de Santos).
“Eu digo a você, se você votar a favor desta moção para encaminhá-la ao Comitê de Ética, você é cúmplice da fraude de George Santos e está votando para garantir que ele continue a ser um membro do Congresso”, disse Goldman.
O deputado Anthony D’Esposito apresentou a moção para encaminhar a resolução de expulsão ao painel de ética. Ele disse ser pessoalmente a favor da expulsão de Santos, mas acrescentou que “lamentavelmente” não houve votos suficientes para atingir o limite de dois terços necessário.
“Acredito firmemente que esta é a maneira mais rápida de livrar a Câmara dos Deputados deste flagelo do governo”, disse D’Esposito.
Líderes do Partido Republicano disseram que Santos merece ser julgado na Justiça antes da expulsão da Casa.
O Congresso estabeleceu esse trâmite em casos criminais semelhantes ao longo dos anos. A Câmara expulsou apenas dois membros nas últimas décadas, e ambas as votações ocorreram depois que o legislador foi condenado por acusações federais.
O Departamento de Justiça frequentemente pede ao painel de ética para interromper suas investigações quando um membro do Congresso é indiciado, mas não houve nenhum anúncio desse tipo do comitê em relação a Santos.
Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein
*g1
