Ele viu rastro de cobra e, se tivesse, veria o couro do lobisomem. Alguns políticos de Esquerda surfaram na “onda” do medo que aterrorizou a Direita no final de 2022 e entrou de sola em 08/jan./23. Eles partiram para cima de alguns generais mal preparados que aceitaram ser chamados de covardes e outras agressões, oriundas das mentes covardes, de covardes. Entre, ingenuamente, baixar a cabeça treinada para suportar pressão psicológicas do “inimigo” e defender a honra de Caxias, preferiram, pior, beijar os pés dos algozes morais, tão ridículos como algumas figuras que se ostentam nos corredores do Congresso e na corte palaciana. Se é homem ou se é lobisomem, só encanta a música que fez sucesso numa das grandes vozes do Brasil. E se pode dizer que, na história centenária do país, muitos generais se destacaram pela atitude firme e patriótica. A lista é longa, Caxias e Osório certamente a encabeçam. Generais de fibra, sérios e compromissados em dar o seu melhor exemplo aos subordinados e à pátria. Generais de fibra moldam subordinados de fibra. Quem foi cadete do capitão Heleno sabe disso. Para ele, “aprender a obedecer” não é baixar a cabeça, mas, sim, erguê-la com a certeza de que é capaz de fazer o certo e mantê-la erguida se, lealmente, discordar. E obedecer não é como ser dirigido por uma rédea numa carroça. É, entre outras, seguir o caminho que tem certeza de que é o caminho de Deus, da Justiça. Mesmo que esse caminho termine onde a morte o aguarda. A farda torna todos iguais, por isso é chamada de uniforme. Mas, a diferença de quem veste a farda e de quem assume a farda é quando ela se torna a “segunda pele” do combatente. Cheiro de terra e de pólvora, poucos apreciam, mas só passa por esses odores quem batalha lado a lado, entre tiros e gritos, com a vida e a morte. Os covardes têm medo de morrer, sempre. Num certo exagero de retórica, “entregam a mãe e o pai para não sofrer as agruras da luta pela vida num campo de batalha”. Entregar a Amazônia, então, é mole. Não é exagero afirmar que todo corrupto é covarde e quando, por acaso, matam, diferente do soldado em combate, o corrupto se torna um assassino da pior espécie, daqueles que põem a culpa no outro. O general entrou no local sob aplausos e saiu aplaudido. Imenso na pequena e aparentemente frágil estatura. Não fez nada diferente do que os que o conhecem esperavam. Ele tem uma história com “H”. Se os militares precisavam de uma resposta sobre uma situação que os agonizava, agora já tem: os generais de verdade existem. Estão aí, um pouco sumidos, mas aí estão.
Por: Elias do Brasil / escritor e historiador, membro do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB) e articulista.
