Os incêndios florestais já colocaram 36 dos 62 municípios do Amazonas, mais da metade do estado, em situação de emergência. A crise provocada pelo avanço do fogo e pela fumaça levou à suspensão de aulas, à paralisação de atividades ao ar livre, ao envio de alertas de saúde à população e ao reforço das operações de combate às queimadas em diversas regiões do estado.
As investigações também apontam que há incêndios criminosos no estado. Em Itacoatiara, no interior do Amazonas, oito suspeitos de provocar queimadas na zona rural foram identificados em apurações conduzidas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma). Os casos foram encaminhados à Polícia Civil e ao Ministério Público do Amazonas (MPAM).
Durante um sobrevoo de monitoramento nas áreas atingidas, uma comitiva do governo federal identificou diversos focos de incêndio dentro de áreas de mata nativa preservada e em locais isolados, de difícil acesso.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil João Paulo Capobianco afirmou que o cenário indica ação humana intencional. O órgão alertou para a possibilidade de uso do fogo para degradar a floresta e preparar áreas para o desmatamento ilegal.
O ministro também defendeu o combate à impunidade e a atuação conjunta da Polícia Militar, de outras forças policiais, do Corpo de Bombeiros e de agentes federais para identificar e responsabilizar os envolvidos.
“É fundamental que esses indivíduos que estão agindo criminosamente vejam que serão punidos. Ou seja, é necessário combater a impunidade que está reinando aqui na região”, alertou.
O g1 procurou o Governo do Amazonas e a Secretaria de Segurança Pública do estado (SSP-AM) para saber se a Polícia Militar já estava atuando no combate aos incêndios criminosos, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
Governo federal reconhece emergência em 36 municípios
O reconhecimento da situação de emergência nos 36 municípios afetados foi oficializado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) no sábado (10). A medida permite a atuação integrada das forças de resposta e o repasse de recursos federais.
O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, destacou que a medida ajuda tanto no combate aos incêndios quanto na assistência à população atingida.
“Uma coisa é enfrentar em todas as frentes e empregar toda a força que puder, Governo Federal junto com o Estado e municípios, para apagar o fogo. A outra é assistir pessoas que já estão, de alguma forma, precisando de ajuda humanitária, de assistência médica como resultado do incêndio”, afirmou.
Também no sábado, chegaram a Manaus aeronaves de combate a incêndios, entre elas aviões Air Tractor e helicópteros do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), além de 290 brigadistas federais.
No domingo (11), a fumaça reduziu a visibilidade e atrasou a decolagem da comitiva ministerial que faria um sobrevoo de monitoramento em Manaus. Após visitar áreas críticas, como a região de Autazes, o ministro do Meio Ambiente classificou a situação como “mais grave do que eu imaginava” ao encontrar incêndios dentro de floresta preservada.
No mesmo dia, uma força-tarefa enviada pelo governo de São Paulo embarcou com 30 especialistas, entre bombeiros e agentes da Defesa Civil, além de drones e 11 mil litros de retardante de chamas.
Já na segunda-feira (12), o governo federal começou a enviar alertas de emergência pelo WhatsApp, por meio da conta oficial GovBR. As mensagens orientavam os moradores sobre o uso de máscaras, a vedação de imóveis para reduzir a entrada de fumaça e a importância da hidratação.
Nas operações aéreas, o cargueiro KC-390 Millennium, da Força Aérea Brasileira (FAB), realizou missões de combate aos incêndios, com capacidade para lançar até 12 mil litros de água por voo. Aviões do Ibama também lançaram mais de 10 mil litros de água na Região Metropolitana de Manaus.
*G1/AM/Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica
